A Polícia Civil de Minas Gerais intensifica as buscas por uma diarista, principal suspeita do brutal assassinato do advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e da empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76. O casal foi encontrado sem vida em seu apartamento, localizado no bairro São Pedro, na região centro-sul de Belo Horizonte. O caso, investigado como latrocínio – roubo seguido de morte –, chocou a capital mineira pela violência e pelos detalhes que emergem da apuração policial.
As investigações apontam que o crime teria ocorrido na segunda-feira, 29 de junho de 2026, entre 12h30 e 15h30, no primeiro dia de trabalho da mulher na residência do casal. Câmeras de segurança do prédio registraram a diarista entrando no local pela manhã e saindo à tarde, carregando duas sacolas e vestindo uma roupa diferente, elementos que se tornaram cruciais para a linha de investigação.
Descoberta trágica e a cena do crime
A rotina do casal foi abruptamente interrompida na segunda-feira. Durante o horário de almoço, um familiar entrou em contato com o advogado Cláudio Atala Inácio, convidando-o para assistir a um jogo da Copa do Mundo entre Brasil e Japão. Atala, que conversou normalmente, recusou o convite, explicando que preferia permanecer em casa para acompanhar os serviços da diarista, que estava em seu primeiro dia de trabalho no apartamento.
A ausência do advogado em seu escritório na terça-feira, 30 de junho de 2026, e a falta de resposta às ligações de familiares levantaram preocupações. O filho do casal decidiu ir até o apartamento e fez a terrível descoberta: seus pais estavam mortos. O cenário encontrado era de extrema violência, descrito pela família como uma “barbárie”, com muito sangue espalhado e objetos revirados por todo o imóvel. O corpo do advogado foi localizado no quarto com 17 facadas, enquanto a empresária foi encontrada na sala, vítima de sete golpes de faca.
Evidências em vídeo e vestígios descartados
As imagens das câmeras de segurança do edifício foram fundamentais para a identificação da suspeita. Elas mostram a mulher chegando ao prédio pela manhã para iniciar seus serviços de limpeza. Horas depois, as mesmas câmeras a registraram deixando o local, carregando duas sacolas e, notavelmente, trajando uma roupa diferente daquela com que havia chegado.
Aprofundando a investigação, os policiais descobriram que a diarista descartou uma bolsa, a blusa que usava ao entrar no apartamento – que apresentava marcas de sangue – e pedaços de uma caixa de relógio em uma caçamba nas proximidades do prédio. Essas evidências reforçam a tese de que ela esteve envolvida diretamente no crime e tentou se desfazer de provas.
A dinâmica do latrocínio e a fuga
O inquérito policial aponta que, além dos assassinatos, houve roubo de pertences do casal. Relógios, joias e dois aparelhos celulares foram levados da residência. As investigações indicam que, após deixar o apartamento, a mulher entrou em um carro a poucas quadras do local do crime e se dirigiu ao centro de Belo Horizonte, onde teria vendido os objetos roubados.
Os dois celulares das vítimas foram recuperados pela polícia na quarta-feira, 1º de julho de 2026, em outra caçamba, desta vez na cidade de Vespasiano, na região metropolitana da capital mineira. Acredita-se que o comprador dos aparelhos, ao tomar conhecimento da repercussão do caso, optou por se desfazer dos itens. A diarista, que não possui ficha criminal e morava em Ribeirão das Neves, também na região metropolitana, desapareceu com seu filho de seis anos e está sendo ativamente procurada pelas autoridades.
Investigação em curso e busca por apoio
Em entrevista à imprensa na quinta-feira, 2 de julho de 2026, o delegado Felipe Freitas, chefe do Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri), afirmou que a Polícia Civil está empenhada em localizar a suspeita e seu filho. Além disso, os investigadores buscam determinar se a mulher teve algum tipo de apoio para realizar o crime e para a fuga. A dinâmica exata dos assassinatos também está sendo minuciosamente apurada, com uma das hipóteses sendo a de que o casal poderia estar dormindo após o almoço quando foi surpreendido.
O caso segue em aberto, e a Polícia Civil de Minas Gerais continua a coletar informações para esclarecer todos os detalhes e levar os responsáveis à justiça. A comunidade de Belo Horizonte aguarda ansiosamente por respostas e pela prisão da suspeita.
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