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Desconfiança online: 7 em cada 10 brasileiros temem comprar medicamentos pela internet

Desconfiança online: 7 em cada 10 brasileiros temem comprar medicamentos pela internet
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

A crescente digitalização do comércio trouxe conveniência para milhões de brasileiros, mas também acendeu um alerta significativo quando o assunto são produtos sensíveis como medicamentos. Uma pesquisa recente, conduzida pelo Instituto QualiBest de Pesquisa de Mercado a pedido da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), revelou que a maioria dos consumidores no país nutre um profundo receio em adquirir remédios pela internet.

Os dados são claros: 69% dos entrevistados expressam temor de comprar medicamentos falsificados online. Esse receio não é isolado, mas parte de uma preocupação mais ampla com a segurança e a procedência dos produtos farmacêuticos comercializados em ambiente digital, um cenário que exige atenção redobrada das autoridades e do próprio consumidor.

A percepção de risco dos consumidores brasileiros

A sondagem, que ouviu 2.024 pessoas responsáveis pela compra de medicamentos em seus domicílios e com hábito de compras online, detalha as principais apreensões. Além da falsificação, que lidera as preocupações, 59% dos consumidores temem receber medicamentos vencidos ou armazenados de forma inadequada. Outros 54% citam o risco de adquirir produtos sem o devido registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Quando confrontados com a oferta de remédios falsificados, sem registro ou de procedência desconhecida, a responsabilidade recai majoritariamente sobre as plataformas de venda online. Nada menos que 85% dos entrevistados atribuem a essas plataformas a culpa pela disponibilização de tais produtos. Essa percepção reforça a expectativa de que os canais digitais assumam um papel mais ativo na fiscalização e garantia da qualidade do que é vendido.

A pesquisa também sublinha que os medicamentos não são vistos como mercadorias comuns. Para 82% dos participantes, a comercialização digital de remédios deve estar obrigatoriamente vinculada a uma farmácia ou drogaria autorizada. Já 71% avaliam que esses produtos não devem ser tratados da mesma forma que outros itens em plataformas digitais, evidenciando a necessidade de um regime regulatório diferenciado e mais rigoroso.

Anvisa e a regulamentação dos medicamentos online

O debate sobre a venda de medicamentos online ganhou novos contornos em agosto de 2026, quando a Anvisa revogou medidas anteriores que proibiam a comercialização e a propaganda de medicamentos em grandes plataformas como iFood, Rappi, Mercado Livre, Submarino, Americanas e Shopee. Contudo, a agência fez questão de esclarecer que essa decisão não representa uma autorização automática para a venda irrestrita de medicamentos nesses canais.

A mudança foi impulsionada pela Lei nº 15.357/2026, que passou a permitir que farmácias e drogarias licenciadas contratem canais digitais e plataformas de comércio eletrônico. O objetivo é utilizar esses serviços exclusivamente para fins de logística e entrega de medicamentos ao consumidor, desde que toda a regulamentação sanitária aplicável seja cumprida. No entanto, a implementação efetiva ainda depende de uma regulamentação específica da própria Anvisa, conforme destacou Sérgio Menna Barreto, CEO da Abrafarma.

“A compra online de medicamentos está condicionada à existência de regras claras, responsabilização e supervisão profissional, e não apenas à conveniência do canal”, afirmou Menna Barreto, ressaltando que medicamentos exigem um nível de controle superior ao de outras categorias vendidas pela internet.

A Abrafarma defende que qualquer novo modelo de comércio deve preservar integralmente as regras sanitárias e as salvaguardas necessárias à proteção da saúde pública. A responsabilidade pela venda e pela assistência farmacêutica deve permanecer com farmácias e drogarias licenciadas, garantindo orientação profissional, controle de prescrições, rastreabilidade, armazenamento e transporte adequados.

Em 19 de agosto de 2026, a Diretoria Colegiada da Anvisa aprovou, por unanimidade, a abertura de um processo administrativo para regulamentar a contratação de plataformas digitais para logística e entrega. O diretor Daniel Pereira, relator da matéria, reconheceu o potencial de ampliar o acesso e a conveniência, mas alertou para os riscos sanitários relevantes que persistem. A Anvisa informou que o aperfeiçoamento regulatório será feito para adequar as regras à Lei 15.357/2026, e que as normas específicas para a contratação de plataformas ainda serão editadas.

O papel das farmácias e a segurança na compra

O Conselho Federal de Farmácia (CFF), em posicionamento à Agência Brasil, reforçou que a entrada das plataformas não significa uma venda aleatória de medicamentos pela internet. A autorização, após regulamentação da Anvisa, será para que as farmácias utilizem essas plataformas em sua operação logística. O CFF assegurou que cobrará esse posicionamento durante o processo regulatório.

Para o consumidor, a segurança é primordial. Silvio Romero, diretor jurídico do Procon-RJ, explica que tanto as farmácias quanto as plataformas de venda online serão solidariamente responsáveis por quaisquer prejuízos relacionados à qualidade e garantia dos medicamentos. Ele enfatiza que, enquanto a regulamentação da Anvisa não for finalizada, somente farmácias autorizadas podem realizar vendas por plataformas digitais.

“A Anvisa está iniciando esse processo regulatório e a gente fica no aguardo de outras condições que ela eventualmente venha a colocar para continuar garantindo a qualidade dos produtos aos consumidores”, disse Romero.

O Procon-RJ aconselha os consumidores a estarem atentos a ofertas de preços muito abaixo do valor de mercado, que podem ser um indício de produtos suspeitos. Além disso, é crucial guardar todos os documentos da compra, como comprovante e nota fiscal, para facilitar eventuais reclamações e investigações em caso de problemas, como a venda de produtos vencidos ou não autorizados, que configuram infração ao Código de Defesa do Consumidor.

Experiência do consumidor e a busca por confiança

Apesar dos receios específicos com medicamentos, o consumidor brasileiro é um entusiasta do comércio eletrônico. A pesquisa da QualiBest e Abrafarma mostra que 95% dos entrevistados já realizaram compras online, e nove em cada dez costumam avaliar a segurança do site antes de finalizar uma compra, priorizando a credibilidade do vendedor e a experiência de outros consumidores.

No entanto, a experiência digital não é isenta de problemas. 69% dos participantes relataram já ter enfrentado alguma situação negativa, como receber um produto diferente do anunciado, atraso na entrega, item danificado ou até mesmo golpes. Quando a compra envolve medicamentos, a presença de um farmacêutico se destaca como um fator crucial de confiança para 78% dos entrevistados.

A compra em uma plataforma conhecida também aumenta a percepção de segurança para 52% dos consultados. Contudo, 56% disseram que teriam dificuldade em saber a quem recorrer caso enfrentassem problemas com um medicamento adquirido nessas plataformas, reforçando a urgência de clareza nas regras e canais de atendimento ao consumidor.

Manter-se informado sobre as mudanças na legislação e as orientações dos órgãos de defesa do consumidor é essencial para navegar com segurança no universo das compras online de medicamentos. Para acompanhar as últimas notícias e análises aprofundadas sobre saúde, economia e outros temas relevantes, continue acessando o M1 Metrópole, seu portal de informação com credibilidade e compromisso com a verdade.

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