PUBLICIDADE

O desafio do envelhecimento: como o sistema de saúde brasileiro se prepara para o futuro

12.jan.24/Adobe Stock
Reprodução Folha

O Brasil vive uma transformação demográfica sem precedentes. Em apenas 15 anos, o país viu o contingente de pessoas com 60 anos ou mais saltar de 20,5 milhões, em 2010, para 35,2 milhões em 2025. Esse crescimento de 71% não é apenas um dado estatístico; trata-se de uma mudança estrutural que coloca à prova a capacidade de resposta do sistema de saúde brasileiro diante de uma população que vive mais, porém, muitas vezes, com o acúmulo de doenças crônicas e limitações funcionais.

A transição do modelo reativo para o proativo

Historicamente, o sistema de saúde brasileiro foi desenhado para lidar com demandas agudas e doenças infecciosas. Contudo, o envelhecimento populacional exige uma mudança de paradigma. Especialistas apontam que o foco precisa migrar para o manejo de condições crônicas, como diabetes, hipertensão e demências, que exigem acompanhamento contínuo e integrado.

Rafael Herrera Ornelas, diretor de Atenção Primária e Rede Assistencial do Einstein Hospital Israelita, destaca a urgência dessa adaptação. Segundo ele, o Brasil envelhece em um ritmo acelerado, deixando pouco espaço para ajustes lentos. A estratégia proposta é a transição de um modelo reativo — que atua apenas quando a crise se instala — para um modelo proativo, capaz de identificar riscos precocemente e intervir antes que quadros clínicos se agravem.

O papel estratégico da atenção primária

Diante do cenário em que mais de 80% dos idosos dependem do SUS, a atenção primária surge como a espinha dorsal da assistência. As Unidades Básicas de Saúde (UBSs) possuem a capilaridade necessária para conhecer o histórico dos pacientes e o contexto social em que estão inseridos, fatores determinantes para a longevidade com qualidade.

O cuidado coordenado e próximo à comunidade permite que o sistema organize fluxos e acompanhe condições de saúde de forma longitudinal. Essa abordagem não apenas melhora a qualidade de vida do idoso, mas também otimiza os recursos do sistema público, evitando hospitalizações desnecessárias que sobrecarregam as unidades de pronto atendimento e hospitais de alta complexidade.

Fragilidade e o impacto na sustentabilidade do sistema

Um dos conceitos centrais no debate atual é a fragilidade, síndrome caracterizada pela redução das reservas fisiológicas. Dados de um estudo publicado na Scielo Brasil em 2025, com base no Elsi-Brasil, indicam que cerca de 38% das pessoas com 50 anos ou mais apresentam algum grau de fragilidade. Essa condição torna o organismo vulnerável a eventos que, em outras circunstâncias, seriam facilmente contornados.

Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil, reforça que a sustentabilidade do sistema não depende apenas de mais leitos, mas de políticas de prevenção ao longo de todo o curso de vida. O envelhecimento saudável é, em última análise, o resultado de oportunidades e hábitos acumulados desde a infância. A prevenção de incapacidades é a chave para garantir que o aumento da expectativa de vida não se traduza apenas em um aumento de custos assistenciais.

O futuro do atendimento ao idoso no Brasil dependerá da capacidade do poder público e das instituições de saúde em integrar essas ações. Acompanhar a evolução dessas políticas e os avanços na gestão da saúde pública é fundamental para entender o país que estamos construindo. Continue acompanhando o M1 Metrópole para análises aprofundadas sobre os temas que impactam o seu cotidiano e o futuro da sociedade brasileira.

Leia mais

PUBLICIDADE