A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa pela segunda vez em São Paulo nesta quinta-feira (21), em uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Civil. A ação visa desarticular um complexo esquema de lavagem de dinheiro que, segundo as investigações, estaria ligado à cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior facção criminosa do país.
A prisão de Deolane, uma figura conhecida por sua ostentação de luxo nas redes sociais, com mais de 21 milhões de seguidores, reacende o debate sobre a origem de fortunas no ambiente digital e a vulnerabilidade de personalidades públicas a esquemas criminosos. A operação atual foca em uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau (SP), que seria controlada por familiares de Marco Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC.
Deolane Bezerra: A Nova Prisão e os Laços com o PCC
A recente detenção de Deolane Bezerra ocorre no âmbito da Operação Vérnix, que mira não apenas a influenciadora, mas também parentes e pessoas próximas a Marcola. Entre os alvos estão seu irmão, Alejandro Camacho, e dois sobrinhos, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho. Também foi preso Everton de Souza, conhecido como Player, apontado como operador financeiro da organização.
A investigação sugere que as contas de Deolane Bezerra e Everton de Souza teriam sido utilizadas para transações financeiras provenientes da empresa Lopes Lemos Transportes, a qual seria um braço do PCC para lavagem de dinheiro. A apuração indica que a influenciadora possuía “estreitos vínculos pessoais e de negócios” com um dos gestores fantasmas da transportadora, utilizando sua projeção pública e atividades empresariais formais como uma camada de aparente legalidade para ocultar a origem ilícita dos recursos.
A operação resultou no bloqueio de 39 veículos, avaliados em mais de R$ 8 milhões, e um montante financeiro de R$ 357,5 milhões dos investigados. Deolane, que passou as últimas semanas em Roma, na Itália, teve seu nome incluído na lista da Difusão Vermelha da Interpol antes de retornar ao Brasil na quarta-feira (20), quando agentes já cumpriam mandados de busca e apreensão em sua residência em Barueri e outros endereços ligados a ela.
Da Fama ao Luxo: A Trajetória de Deolane Bezerra nas Redes
A ascensão de Deolane Bezerra à fama nacional se deu de forma meteórica após a trágica morte de seu marido, o funkeiro MC Kevin, em maio de 2021. Kevin, de 23 anos, faleceu ao cair da varanda de um hotel no Rio de Janeiro, em um incidente que a perícia concluiu ser acidental. Após o ocorrido, Deolane ampliou significativamente sua presença nas redes sociais, tornando-se uma influenciadora de grande alcance.
Com cerca de 21,7 milhões de seguidores no Instagram, a advogada passou a compartilhar abertamente sua rotina de luxo, exibindo mansões na região de Alphaville, em Barueri, carros caríssimos, viagens internacionais para destinos como Dubai e Roma, além de passeios em jatinhos e helicópteros. Essa ostentação, que a catapultou ao estrelato digital e a levou a participar de programas de TV, também chamou a atenção das autoridades, levantando questionamentos sobre a origem de seu patrimônio.
O Histórico de Investigações: A Primeira Prisão e a Operação Integration
A primeira prisão de Deolane Bezerra ocorreu em setembro de 2024, durante a Operação Integration, conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco. Naquela ocasião, as investigações apontavam para um suposto esquema de lavagem de dinheiro e jogos ilegais, com foco em plataformas de apostas online, as chamadas bets. A polícia suspeitava que o grupo usava empresas de publicidade, eventos e casas de apostas para ocultar dinheiro de jogos de azar ilegais.
Segundo as investigações da Polícia Civil de Pernambuco, Deolane teria investido R$ 65 milhões em 12 imóveis de luxo nos três anos anteriores. Ela foi investigada por suspeita de lavagem de dinheiro, participação em organização criminosa e ligação financeira com empresas do setor de apostas e jogos ilegais. Após cinco dias detida no Recife, a influenciadora conseguiu um habeas corpus e passou a responder em liberdade, com medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. Sua defesa negou qualquer irregularidade, alegando perseguição e abuso de autoridade, e até o momento não houve condenação definitiva publicamente divulgada nesse caso.
Desvendando o Esquema: A Origem da Investigação e os Operadores
A complexa investigação que culminou na Operação Vérnix teve início em 2019, com a apreensão de bilhetes e manuscritos em uma penitenciária de Presidente Venceslau. O material revelou ordens internas da facção, contatos com integrantes de alta hierarquia e menções a ações violentas. Um dos trechos que chamou a atenção foi a citação a uma “mulher da transportadora”, que levantaria endereços de agentes públicos para ataques planejados.
Essa pista levou ao segundo inquérito, que identificou a transportadora de cargas em Presidente Venceslau como uma empresa de fachada para lavagem de dinheiro do crime organizado. A Operação Lado a Lado, em 2021, confirmou movimentações financeiras incompatíveis e crescimento patrimonial sem lastro econômico, consolidando a transportadora como braço financeiro da facção. A apreensão do celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador central e atualmente foragido, foi crucial. O aparelho continha informações sobre a dinâmica da lavagem de dinheiro e repasses financeiros, revelando conexões com uma influenciadora digital de grande projeção nacional – Deolane Bezerra.
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