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Deltan Dallagnol expõe dados sigilosos de Cristiano Zanin em registro de candidatura

Deltan Dallagnol expõe dados sigilosos de Cristiano Zanin em registro de candidatura
Rodolfo Buhrer - 29.mai.26/Reuters

Exposição de dados fiscais na Justiça Eleitoral

O ex-procurador da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol (Novo-PR), protagonizou um episódio de repercussão jurídica ao anexar documentos contendo informações protegidas por sigilo fiscal e bancário do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, em seu processo de registro de candidatura. O material foi inserido no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como parte da defesa do ex-procurador contra pedidos de impugnação de sua candidatura ao Senado.

Os arquivos disponibilizados continham cópias de processos antigos, incluindo dados da Receita Federal sobre rendimentos e movimentações financeiras de Zanin e de sua esposa, Valeska. Tais informações referem-se a um período em que o atual ministro atuava como advogado da Fecomércio-RJ, durante as investigações da Lava Jato. É importante ressaltar que a quebra de sigilo que originou esses documentos, decretada em 2019 pelo juiz Marcelo Bretas, foi posteriormente anulada pelo STF, tornando o conteúdo juridicamente inválido.

Reação do ministro e medidas judiciais

Diante da exposição pública de seus dados privados, o ministro Cristiano Zanin solicitou formalmente providências à Justiça Eleitoral. Em ofício, o magistrado pediu a apuração do ocorrido e a responsabilização dos envolvidos, incluindo a possibilidade de sanções na esfera criminal. O caso gerou um alerta imediato no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), que impôs sigilo aos documentos e determinou um prazo de 24 horas para que Dallagnol apresentasse explicações.

O TRE-PR informou, por meio de nota, que o caso foi encaminhado ao Ministério Público para as providências cabíveis. O tribunal reforçou que a responsabilidade pela classificação de sigilo em documentos inseridos no sistema de Processo Judicial Eletrônico (PJe) cabe exclusivamente aos advogados das partes, e não ao sistema de forma automática.

Defesa e histórico de inelegibilidade

Em sua defesa, Deltan Dallagnol afirmou que a inclusão dos documentos ocorreu sem a intenção de expor o ministro. Segundo sua assessoria, o objetivo foi apresentar os processos na íntegra para contestar as contestações de sua candidatura, demonstrando, segundo ele, sua elegibilidade. O ex-procurador alega que os dados fiscais estavam contidos em uma reclamação disciplinar movida anteriormente por Zanin contra membros da força-tarefa da Lava Jato.

Este novo capítulo ocorre em um cenário de incerteza política para o ex-procurador. Dallagnol, que foi eleito deputado federal em 2022, teve seu mandato cassado pelo TSE no ano seguinte, sob o entendimento de que teria pedido exoneração do Ministério Público Federal para evitar punições em processos administrativos. Atualmente, ele enfrenta novos pedidos de impugnação, baseados na tese de que estaria inelegível por oito anos, um desdobramento que segue pendente de julgamento definitivo.

O M1 Metrópole segue acompanhando os desdobramentos deste caso e os impactos das decisões judiciais no cenário político nacional. Para se manter informado sobre os bastidores do poder, as movimentações das eleições 2026 e as decisões que moldam o futuro do país, continue acompanhando nossa cobertura completa e independente.

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