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Impacto humano da crise climática: estudo aponta 120 mil mortes por ondas de calor no Brasil

Rafaela Araújo/Folhapress
Rafaela Araújo/Folhapress

A crise climática, frequentemente debatida como uma ameaça futura, já se manifesta com um custo humano alarmante no Brasil. Um estudo recente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) revelou que as ondas de calor foram responsáveis por cerca de 120 mil mortes no país entre os anos 2000 e 2019. Esses óbitos, decorrentes principalmente de problemas cardiovasculares e respiratórios, poderiam ter sido evitados, evidenciando a urgência de ações eficazes para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

A pesquisa, intitulada “Saúde e Ondas de Calor: Mortalidade, Morbidade e Implicações para o SUS no Brasil”, lança luz sobre a grave realidade de que a inação diante do aquecimento global tem um preço medido em vidas. O levantamento estatístico, que corre o risco de passar despercebido em meio a outras pautas, serve como um alerta contundente para a sociedade e para as autoridades sobre a necessidade de políticas públicas robustas e adaptativas.

O Preço Humano da Indiferença Climática

Os 120 mil óbitos registrados em duas décadas representam uma média de 6 mil mortes evitáveis por ano. Embora esse número possa parecer pequeno em comparação com outras causas de mortalidade, como os 42.590 homicídios ocorridos apenas em 2024, a perspectiva jornalística aponta para a importância de cada vida perdida que poderia ter sido poupada. A indiferença diante desses dados é um dos pontos cruciais levantados pelo colunista Marcelo Leite, que critica a passividade da sociedade e dos governantes.

A análise da Fiocruz/MCTI sublinha que fixar-se apenas nos números absolutos pode levar a uma compreensão equivocada do problema. O cerne da questão reside na evitabilidade dessas mortes. Cada falecimento causado por ondas de calor é um indicativo de que as estratégias de adaptação e mitigação são insuficientes ou inexistentes, impactando diretamente a saúde pública e o Sistema Único de Saúde (SUS).

A Ciência Alerta: Ondas de Calor e Seus Impactos

O estudo da Fiocruz/MCTI não apenas quantifica as perdas, mas também reforça a comprovação científica de que a crise do clima não é uma projeção distante, mas uma realidade presente. Seus efeitos devastadores, como as ondas de calor cada vez mais frequentes e intensas, começaram a se manifestar décadas atrás e tendem a se agravar.

Um dos fatores que preocupam os pesquisadores é a tendência crescente de mortes associadas às ondas de calor, em contraste com a queda observada nos índices de homicídios. A previsão de um El Niño muito forte nos próximos meses é uma péssima notícia, pois tende a intensificar ainda mais as temperaturas extremas, colocando em risco um número maior de pessoas, especialmente as mais vulneráveis.

Negacionismo e Consequências Políticas

A inação diante da crise climática é frequentemente alimentada por um discurso negacionista, que, segundo Marcelo Leite, teve seu ápice durante o governo Bolsonaro. A “ofensiva contra a ciência do clima” capitaneada pelo ex-presidente ressoou com setores do agronegócio que minimizam a importância da redução das emissões de carbono, sendo o desmatamento a principal fonte dessas emissões no Brasil.

Essa postura tem consequências financeiras e sociais profundas. O colunista faz um paralelo com os R$ 50 bilhões de dívidas que Vorcaro pendurou no FGC e os R$ 30 bilhões que o agronegócio negacionista quer “espetar na conta da viúva”, sugerindo que esses recursos poderiam ser investidos em medidas de adaptação e saúde. A indiferença política, que ignorou as 400 mil mortes evitáveis por Covid-19, parece se repetir na abordagem da crise climática, onde a acumulação de evidências científicas perde terreno para narrativas e interesses econômicos.

Urgência e Desafios para o Brasil

A crise climática exige uma resposta multifacetada do Brasil. É fundamental não apenas diminuir as emissões de carbono, combatendo o desmatamento e incentivando práticas sustentáveis no agronegócio, mas também adaptar a população e a infraestrutura para os eventos extremos que já são uma realidade. Isso inclui investir em sistemas de alerta, infraestrutura urbana resiliente e programas de saúde pública focados na prevenção e tratamento de doenças relacionadas ao calor.

O estudo da Fiocruz/MCTI é mais uma peça no vasto quebra-cabeça de evidências que clamam por atenção e ação. Em um cenário onde a informação científica compete com a disseminação de narrativas, a responsabilidade de governantes e da sociedade civil em priorizar a vida e o bem-estar coletivo torna-se ainda mais premente. Para mais informações sobre a Fiocruz e suas pesquisas, acesse portal.fiocruz.br.

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