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Crise na Alerj: escândalos e prisões abalam o parlamento do Rio de Janeiro

17.abr.26/Divulgaçao Alerj
Reprodução Folha

A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) encontra-se, mais uma vez, no epicentro de uma profunda crise política que expõe as fragilidades e os desafios da governança fluminense. Com um histórico recente marcado por escândalos de corrupção e o afastamento de seus dirigentes, o parlamento estadual se vê sob o escrutínio rigoroso da Justiça e da opinião pública. As denúncias e investigações atuais reforçam uma narrativa de instabilidade que impacta diretamente a vida dos cidadãos.

A situação é tão delicada que levou o Supremo Tribunal Federal (STF) a intervir na sucessão do governo estadual, mantendo o desembargador Ricardo Couto como governador interino. Essa decisão impediu que o presidente do Legislativo, Douglas Ruas (PL), assumisse o cargo, conforme previsto constitucionalmente, evidenciando a desconfiança em relação à instituição.

A Alerj sob o Olhar da Justiça e da Política Nacional

As preocupações com a integridade da Alerj não são recentes e têm sido vocalizadas por figuras de alto escalão. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, afirmou categoricamente que “a infiltração do crime organizado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro não é ficção”. Essa declaração ressalta a gravidade das acusações que pesam sobre o parlamento.

Corroborando o cenário, o ministro Gilmar Mendes, decano da corte, revelou ter sido informado pelo diretor da Polícia Federal que “32 ou 34 parlamentares da Assembleia recebiam mesada do jogo do bicho”. Tais números, se confirmados, pintam um quadro alarmante de corrupção sistêmica. Até mesmo o presidente Lula, adversário político do grupo que atualmente comanda o Legislativo fluminense, fez uma declaração contundente: “se a Assembleia tivesse que indicar [o governador do RJ], viria um miliciano”, refletindo a percepção de uma profunda crise de representatividade e ética.

Um Histórico de Dirigentes Envolvidos em Escândalos

A analogia com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), onde quase todos os dirigentes recentes foram afastados ou presos, parece se encaixar perfeitamente na realidade da Alerj. Dos cinco presidentes eleitos pelos deputados estaduais para comandar a Casa neste século, quatro enfrentaram problemas com a Justiça. Sérgio Cabral (PSDB/PMDB), Jorge Picciani (PMDB), Paulo Melo (PMDB) e Rodrigo Bacellar (União Brasil) foram alvo de prisões ou afastamentos por denúncias de malfeitos diversos. Apenas André Ceciliano (PT) não foi preso, destacando-se como uma exceção nesse panorama sombrio.

Um dos pivôs da atual crise, Rodrigo Bacellar teve sua prisão decretada por Moraes no âmbito da Operação Unha e Carne, sob acusação de vazamento de dados de uma operação contra o Comando Vermelho. Em 2025, ele havia sido reeleito presidente da Alerj por unanimidade, um feito inédito na história da Casa. Bacellar exercia grande influência no governo de Cláudio Castro (PL) e, em março, foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e econômico, resultando na cassação de seu mandato. Além dele, outros dois integrantes da Alerj, TH Joias e Thiago Rangel (Avante), foram presos nos últimos meses por indícios de corrupção e associação com o tráfico, intensificando a crise de imagem do parlamento.

A Resposta do Parlamento Fluminense às Acusações

Diante das graves acusações, a Alerj emitiu notas oficiais para se defender. Em relação à fala de Gilmar Mendes, a Assembleia afirmou que “não reconhece qualquer relação com a contravenção penal, bem como de qualquer investigação neste sentido relacionada à atual legislatura” e que “atua com austeridade e compromisso com o povo fluminense”.

Sobre a declaração do presidente Lula, a Alerj reputou como “inaceitável qualquer tentativa de generalizar ou criminalizar o Parlamento fluminense e seus representantes eleitos pelo povo do Rio de Janeiro”. Essas respostas buscam preservar a imagem da instituição e de seus membros, mas a recorrência dos escândalos continua a desafiar a credibilidade do Legislativo estadual.

O Impacto na Governabilidade e a Relevância para o Cidadão

A constante turbulência na Alerj não é apenas uma questão política interna; ela tem repercussões diretas na governabilidade do estado e na confiança dos cidadãos nas instituições democráticas. A instabilidade política pode atrasar a aprovação de leis essenciais, dificultar a fiscalização do Executivo e desviar o foco de problemas urgentes que afetam a população fluminense, como segurança pública, saúde e educação. Para o eleitor, a sucessão de denúncias e prisões gera um sentimento de frustração e desilusão, questionando a eficácia da representação política e a lisura dos processos democráticos. A história da Alerj, surgida em seu formato atual em 1975 com a fusão dos Legislativos, mostra que a instituição tem um papel crucial no desenvolvimento do estado, e sua credibilidade é fundamental para a democracia.

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