O encerramento das atividades do Centro de Educação Infantil (CEI) Pequenos do Butantã, na Zona Oeste da capital paulista, pegou pais e responsáveis de surpresa nesta quarta-feira (19). A unidade, que atende 95 crianças — sendo 41 delas no berçário —, terá suas portas fechadas definitivamente nesta sexta-feira (21), deixando as famílias em um cenário de incerteza sobre o futuro escolar dos filhos.
Risco estrutural e a falta de planejamento municipal
A justificativa apresentada pela Prefeitura de São Paulo para o fechamento abrupto é a existência de riscos estruturais no imóvel. Durante uma reunião tensa com os pais, representantes do município admitiram que a administração pública já possuía relatórios sobre a precariedade do prédio há mais de um ano. Imagens registradas pelas famílias mostram o desgaste evidente da estrutura, com placas de teto caídas, pisos danificados e pintura em estado crítico.
O questionamento central das famílias gira em torno da gestão do tempo. Documentos obtidos pelos responsáveis indicam que, em caso de rompimento de contrato, o protocolo exigiria um aviso prévio de 60 dias, período durante o qual as aulas deveriam ocorrer normalmente. O anúncio feito com apenas dois dias de antecedência gerou revolta e desamparo entre os pais, que agora precisam reorganizar suas rotinas profissionais e pessoais sem qualquer garantia de um novo local de atendimento.
Impacto na rotina e preocupação com a adaptação
Para muitas mães, como Bianca de Medeiros, desempregada e mãe de uma criança de 1 ano e 4 meses, a creche não é apenas um local de ensino, mas um suporte fundamental para a sobrevivência familiar. A preocupação com a readaptação das crianças em um novo ambiente, possivelmente distante, é constante. “Eu estou totalmente perdida. Eu não sei o que fazer”, desabafou, destacando que a mudança brusca pode prejudicar o desenvolvimento emocional e a rotina de Helena.
Adriana Ramos, professora e mãe de Lucius, de 2 anos, reforça que a qualidade do atendimento pedagógico e nutricional da unidade sempre foi um ponto positivo, o que torna a perda do espaço ainda mais dolorosa. A falta de transparência sobre o processo de realocação, segundo as famílias, é o maior entrave. A incerteza sobre a distância das futuras unidades e a necessidade de transporte escolar adicional geram custos e logística que muitos pais não têm como arcar no momento.
Custos elevados e o silêncio das instituições
Dados do Diário Oficial revelam que o aluguel do imóvel onde a creche funcionava superava a marca de R$ 37 mil mensais. O alto custo levanta questionamentos sobre a eficiência da fiscalização e a demora na busca por um novo espaço que pudesse acomodar as crianças sem a necessidade de um fechamento repentino. Enquanto a Prefeitura de São Paulo afirma, em nota, que as vagas estão garantidas — embora não tenha detalhado os endereços —, o Instituto Julia Melo, responsável pela gestão da unidade, não se manifestou sobre o caso.
A administração municipal prometeu definir os locais de transferência nesta quinta-feira (20), véspera do encerramento. A promessa de garantir transporte escolar, caso a nova unidade seja distante, é vista com cautela pelos pais, que ainda aguardam soluções concretas. O M1 Metrópole segue acompanhando o caso e os desdobramentos desta situação que afeta dezenas de famílias na Zona Oeste. Continue conosco para se manter informado sobre as decisões que impactam a educação e o cotidiano da nossa cidade.
Para mais informações sobre a rede municipal de ensino, consulte o portal oficial da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.