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Advogado preso em operação viu patrimônio saltar para R$ 314 milhões em sete anos

Advogado preso em operação viu patrimônio saltar para R$ 314 milhões em sete anos
Foto: Reprodução

O advogado João André Buttini de Moraes, detido nesta quinta-feira (3) durante uma operação de combate à corrupção na administração tributária de São Paulo, tornou-se o centro de uma investigação que revela um crescimento patrimonial vertiginoso. Segundo dados do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), o patrimônio declarado pelo profissional saltou de R$ 30,5 milhões para R$ 314,2 milhões entre 2017 e 2024, um aumento de dez vezes em apenas sete anos.

A engrenagem da suspeita na Secretaria da Fazenda

As investigações apontam que Buttini seria o líder do núcleo privado de uma organização criminosa estruturada para interferir na liberação de créditos tributários na Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo. O esquema, segundo o MP-SP, envolvia a captação de grandes contribuintes, a negociação de honorários e o pagamento de propina a agentes públicos para acelerar ou aprovar pedidos de ressarcimento de impostos.

A defesa de João André Buttini de Moraes manifestou-se por meio de nota, afirmando que está tomando conhecimento dos elementos da investigação e das circunstâncias que levaram à prisão. O advogado ressaltou que, em colaboração com as autoridades, prestará todos os esclarecimentos necessários assim que tiver acesso integral aos autos do processo.

Movimentações bilionárias e o fluxo de dividendos

A quebra de sigilo bancário revelou uma movimentação bruta de R$ 2,12 bilhões nas contas pessoais do advogado entre janeiro de 2018 e novembro de 2025. Embora o montante inclua resgates de investimentos e transferências internas, o MP-SP identificou R$ 383,47 milhões recebidos efetivamente de terceiros, com uma média anual superior a R$ 48 milhões.

A maior parte dessa renda, cerca de 87,7%, originou-se de empresas ligadas ao próprio investigado, como o escritório Buttini de Moraes Sociedade de Advogados e a BM Tax. Os investigadores sustentam que os valores circulavam entre essas companhias e chegavam ao patrimônio pessoal de Buttini sob a forma de dividendos isentos de impostos, estratégia que teria permitido a rápida expansão de sua fortuna.

Entrega de propina e desdobramentos da operação

O caso ganhou contornos dramáticos com a delação de Paulo Prado, que declarou ter recebido R$ 13,6 milhões de Buttini entre 2021 e 2025 para agilizar trâmites tributários. Parte desse valor, segundo o colaborador, teria sido repassada a André Weiss, ex-diretor da Administração Tributária, em entregas de dinheiro vivo realizadas em restaurantes da zona oeste da capital paulista.

A Secretaria da Fazenda e Planejamento informou que atua em conjunto com o MP-SP desde a deflagração da Operação Ícaro, em agosto de 2025. A pasta confirmou a demissão de cinco envolvidos, o afastamento de 17 servidores e a autuação de empresas em mais de R$ 3 bilhões em créditos tributários. A investigação, que pode ser consultada em detalhes no portal g1.globo.com, segue apurando crimes de organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro.

O M1 Metrópole segue acompanhando o desenrolar deste caso e os impactos das investigações na administração pública paulista. Continue conectado em nosso portal para atualizações sobre este e outros temas relevantes para o cenário nacional.

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