A corrida presidencial de 2026 começa a ganhar contornos mais definidos nos bastidores dos partidos, e o Novo se encontra em um momento crucial na definição de sua chapa. Com a oficialização de Romeu Zema como pré-candidato à Presidência da República, a legenda agora concentra esforços na escolha do nome que ocupará a vaga de vice. Entre os mais cotados, figuram o senador Eduardo Girão (Novo-CE) e o cientista político Luiz Felipe D’Ávila (Novo-SP), ambos nomes com perfis distintos que podem moldar a estratégia eleitoral do partido.
A decisão, que promete ser estratégica, está sendo postergada para o final do prazo estabelecido, em 5 de agosto, refletindo a complexidade das negociações e a busca por uma composição que maximize as chances da chapa. A escolha do vice não é apenas uma formalidade, mas um movimento tático que pode atrair diferentes eleitorados e fortalecer a mensagem do Novo em um cenário político cada vez mais fragmentado.
A busca por alianças e o dilema da chapa pura
Um dos maiores desafios do Novo para as próximas eleições é a ausência de tempo de propaganda no rádio e na TV, um recurso vital para qualquer campanha presidencial. Essa limitação impulsiona o partido a priorizar a formação de alianças com outras legendas, buscando assim compartilhar o tempo de mídia e ampliar o alcance de sua mensagem. No entanto, as negociações têm se mostrado árduas.
Recentemente, o Podemos, que era visto como um potencial parceiro, descartou a possibilidade de indicar o vice de Zema e sinalizou que deve adotar uma postura de neutralidade no pleito. Esse revés coloca o Novo em uma encruzilhada: intensificar a busca por outros aliados ou, na ausência de acordos satisfatórios, lançar uma chapa pura à Presidência da República. A convenção nacional do partido, realizada em 27 de junho, oficializou Zema, mas manteve a indefinição sobre o vice, evidenciando a cautela e a complexidade da decisão.
Perfis dos pré-candidatos a vice: Girão e D’Ávila
A escolha entre Eduardo Girão e Luiz Felipe D’Ávila reflete diferentes abordagens estratégicas para a campanha de Romeu Zema. Cada um dos nomes traz consigo um conjunto de experiências e um apelo distinto junto ao eleitorado.
Eduardo Girão: a aposta no cenário estadual
O senador Eduardo Girão, atualmente pré-candidato ao governo do Ceará, representa uma aposta que considera os cenários estaduais. Um dos argumentos internos do Novo para a sua indicação seria a possibilidade de “puxar” um candidato que não esteja figurando bem nas pesquisas locais. No Ceará, Girão não se encontra entre os primeiros colocados nas intenções de voto, que são lideradas por Ciro Gomes (PDT-CE), segundo as últimas pesquisas.
A presença de Girão na chapa presidencial poderia, em tese, dar mais visibilidade à sua campanha estadual e, ao mesmo tempo, reforçar a presença do Novo em uma região estratégica do país. Sua atuação no Senado, marcada por pautas conservadoras e de direita, alinha-se a uma parte do eleitorado que o Novo busca consolidar.
Luiz Felipe D’Ávila: a visão acadêmica e liberal
Por outro lado, Luiz Felipe D’Ávila, cientista político e também filiado ao Novo, oferece um perfil mais intelectualizado e focado na formulação de políticas públicas. D’Ávila é conhecido por suas análises sobre liberalismo econômico e gestão pública, temas caros ao ideário do partido. Sua experiência como autor e pensador político poderia agregar um discurso mais técnico e propositivo à chapa, atraindo um eleitorado que valoriza a profundidade das propostas e a capacidade de gestão.
A escolha de D’Ávila poderia sinalizar um compromisso com a renovação política e a busca por soluções baseadas em evidências, diferenciando a chapa de outras candidaturas mais populistas. A combinação de um governador com experiência executiva (Zema) e um cientista político (D’Ávila) poderia ser apresentada como uma equipe equilibrada e preparada para os desafios do país.
Impactos e próximos passos
A decisão final sobre o vice de Romeu Zema terá implicações significativas para a campanha do Novo. Uma chapa pura, embora demonstre a independência do partido, pode limitar sua capacidade de comunicação e mobilização devido à falta de tempo de TV. Por outro lado, a escolha de um nome forte e alinhado aos princípios do Novo pode compensar essa desvantagem, energizando a militância e atraindo a atenção da mídia e do eleitorado.
Até 5 de agosto, as negociações nos bastidores devem se intensificar. O desfecho dessa escolha não apenas definirá a composição da chapa presidencial do Novo, mas também sinalizará a direção estratégica que o partido pretende seguir na disputa pelo Palácio do Planalto. O M1 Metrópole continuará acompanhando de perto todos os desdobramentos dessa importante definição política.
Para mais informações sobre o cenário político e as movimentações dos partidos, acesse a cobertura completa da Folha de S.Paulo.
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