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Relatório da Lupa aponta que 87,3 por cento dos posts virais de saúde entre 2017 e 2026 são falsos

Relatório da Lupa aponta que 87,3 por cento dos posts virais de saúde entre 2017 e 2026 são falsos
© Tomaz Silva/Agência Brasil

Quase 90% dos conteúdos virais sobre saúde que circularam na internet brasileira nos últimos anos eram falsos, segundo um levantamento inédito divulgado pela Agência Lupa. O relatório aponta que 87,3% das publicações analisadas entre março de 2017 e junho de 2026 continham informações inverídicas. O volume expressivo de dados evidencia o impacto da desinformação na área médica e os riscos associados à rápida propagação de mentiras nas redes sociais.

A publicação intitulada Raio-X da Desinformação em Saúde detalha a amostra de 764 materiais checados pela entidade, dos quais 667 foram classificados como falsos. O estudo contou com o apoio da Afya e dimensiona o alcance das chamadas fake news, que se espalham com facilidade e geram alto engajamento em plataformas digitais, alcançando milhões de usuários em poucos minutos.

Radiografia das mentiras e estratégias digitais

De acordo com o levantamento, a média anual foi de quase 72 falsidades virais disseminadas sobre saúde, o que representa cerca de seis casos por mês. Esse cenário sofreu uma forte aceleração durante a crise sanitária global, quando o volume de conteúdos checados multiplicou-se exponencialmente. Entre 2020 e 2021, o monitoramento registrou 452 conteúdos virais, impulsionados por táticas coordenadas de desinformação.

Entre as estratégias mais recorrentes identificadas pela agência está a apropriação de credibilidade alheia. A técnica da falsa autoridade médica ou científica representou 21,6% dos casos mapeados, utilizando-se da linguagem de especialistas para legitimar dados incorretos. Em seguida, o apelo ao medo e à linguagem alarmista respondeu por 17% das publicações, enquanto a distorção de estudos científicos alcançou 15,7% e a oferta de soluções simples para problemas complexos somou 12,6%.

Impacto da desinformação sobre vacinas

O debate em torno da imunização permaneceu como um dos principais alvos da disseminação de conteúdo falso. Antes do período pandêmico, as publicações sobre imunizantes representavam 9,1% das checagens da Lupa, patamar que saltou para 33,2% durante a emergência nacional e atingiu 38,9% entre 2022 e 2024. Embora tenha recuado para 20% no intervalo mais recente analisado, o índice continua a ser o dobro do registrado no cenário anterior.

Do total de 244 alegações sobre vacinas examinadas ao longo de todo o período, 212 foram consideradas falsas após a verificação técnica. A pesquisa também apontou a menção a pelo menos 142 figuras públicas em conteúdos investigados, incluindo nomes como Jair Bolsonaro, Bill Gates, Drauzio Varella, João Doria e Luiz Inácio Lula da Silva, ressaltando que a presença de personalidades serve muitas vezes para conferir tração a narrativas sem respaldo científico.

Canais de circulação e plataformas digitais

O aplicativo de mensagens WhatsApp destacou-se como o ambiente mais frequentemente associado à circulação de notícias falsas sobre saúde no escopo da pesquisa. Mais de 70% das 498 checagens avaliadas entre março de 2017 e junho de 2026 tiveram origem ou passaram pelo canal de mensagens. O Facebook ocupou a segunda posição, com 25,3% dos registros, seguido pelo Instagram, com 7%.

Especialistas ponderam, contudo, que os números refletem a dinâmica de recebimento de denúncias pela própria agência de checagem, que mantém um canal direto de atendimento no aplicativo de mensagens. A circulação de informações incorretas costuma ocorrer de forma integrada entre diferentes redes sociais, exigindo constante atenção dos leitores e profissionais da área da saúde.

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