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Estudo aponta que consumo crônico de goma xantana pode causar inflamação intestinal

Estudo aponta que consumo crônico de goma xantana pode causar inflamação intestinal
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A goma xantana, um aditivo onipresente na indústria alimentícia, está sob novo escrutínio científico. Conhecida por sua capacidade de estabilizar texturas e conferir consistência a uma vasta gama de produtos — de iogurtes e sorvetes a molhos e massas sem glúten —, a substância acaba de ter seu consumo contínuo associado a processos inflamatórios no intestino. O alerta surge a partir de uma pesquisa liderada por cientistas brasileiros, publicada recentemente na revista Plos One.

O impacto da goma xantana no organismo

O estudo, conduzido por pesquisadores da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), utilizou modelos experimentais com ratos adultos para observar os efeitos da ingestão prolongada do aditivo. Durante dez semanas, os animais foram submetidos a diferentes dosagens da substância, simulando desde o consumo ocasional, comum em dietas restritivas, até o uso frequente por pessoas com disfagia, que dependem do espessante em todas as refeições.

Os resultados foram claros: em todas as doses testadas, houve a promoção de um estado inflamatório de grau moderado na parede intestinal. A análise histológica revelou uma infiltração maior de linfócitos, células de defesa que sinalizam uma resposta imunológica ativa. Além disso, houve um aumento nos níveis de moléculas pró-inflamatórias, como a interleucina-1 beta e o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), este último diretamente ligado à morte de células epiteliais.

Permeabilidade e disbiose intestinal

Um dos achados mais preocupantes da pesquisa refere-se à integridade da barreira intestinal. O consumo do aditivo elevou a presença da proteína Claudina-2, um marcador associado ao aumento da permeabilidade intestinal. Em condições normais, o intestino atua como um filtro seletivo, absorvendo nutrientes e bloqueando toxinas. Com o uso crônico da goma, as junções entre as células intestinais podem se tornar mais frouxas, permitindo a passagem indesejada de bactérias e partículas para a corrente sanguínea.

Além disso, o estudo detectou um quadro de disbiose, caracterizado pelo desequilíbrio na microbiota. Embora a diversidade geral de microrganismos tenha se mantido, houve um crescimento do filo Elusimicrobiota, grupo bacteriano frequentemente relacionado a estados inflamatórios crônicos. Esse cenário reforça a necessidade de um olhar mais atento sobre o uso de aditivos ultraprocessados na dieta moderna.

Antecedentes e regulação do aditivo

A preocupação com a segurança da goma xantana não é inédita. Em 2011, o FDA (agência reguladora dos Estados Unidos) emitiu um alerta sobre o uso de espessantes à base da substância em fórmulas para bebês prematuros, após suspeitas de associação com a enterocolite necrosante, uma inflamação grave que pode levar à necrose do tecido intestinal. Na época, o episódio foi vinculado a pelo menos sete óbitos de recém-nascidos.

Atualmente, enquanto o Brasil mantém uma regulação menos restritiva, os Estados Unidos adotam critérios mais rígidos, com limites de concentração por grama de produto para maiores de 12 anos e proibição total para prematuros. O estudo da Unifesp, ao comprovar a causalidade da inflamação em modelos experimentais, preenche uma lacuna histórica na literatura científica, que até então tratava os riscos como hipóteses clínicas ou observações empíricas.

O M1 Metrópole segue acompanhando os desdobramentos desta pesquisa e os impactos dos aditivos alimentares na saúde pública. Continue conosco para se manter informado com conteúdos aprofundados, apurações rigorosas e análises sobre temas que afetam o seu bem-estar e o cotidiano da sociedade.

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