Conflito a bordo durante voo comercial
Uma situação inusitada e tensa marcou um voo da Latam Airlines na última quarta-feira (29). Uma criança de 10 anos, conhecida nas redes sociais como pastora mirim, foi abordada por comissários de bordo após começar a pregar para os demais passageiros durante a viagem. A aeronave, que partiu de Campo Grande (MS) com destino a Navegantes (SC), realizava uma conexão no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, quando o episódio ocorreu.
Vídeos que circulam na internet mostram o momento em que a menina, identificada como Júlia Ortiz, levanta-se de seu assento portando uma Bíblia e inicia um discurso religioso. A ação atraiu a atenção da tripulação, que prontamente se aproximou para solicitar que a criança retornasse ao seu lugar, citando normas de segurança e o regulamento interno da companhia aérea sobre discursos não autorizados em ambiente confinado.
Alegações da família e normas de segurança
O pai da criança, o pastor Mauro Ortiz, afirmou que a filha teria sido tratada de forma agressiva pelos funcionários da companhia. Segundo ele, houve contato físico, incluindo um suposto aperto no braço e empurrões durante a condução da menina para a parte traseira do avião. O pai defendeu a atitude da filha, alegando que o voo estava em momento estável e que a pregação era um desejo pessoal da criança.
Do ponto de vista da aviação civil, contudo, a circulação de passageiros durante o voo é estritamente regulada. Comissários de bordo possuem autoridade para intervir em qualquer situação que possa causar distúrbios, aglomerações ou que desrespeite o sossego dos demais viajantes. O regulamento da ANAC estabelece que a tripulação deve garantir a ordem e a segurança, o que inclui coibir comportamentos que fujam aos protocolos de conduta em aeronaves.
Repercussão e vida pública
Júlia Ortiz possui uma presença digital expressiva, acumulando mais de 470 mil seguidores. A criança costuma gravar vídeos de suas pregações em locais diversos, como ruas, ônibus e espaços públicos. Segundo o pai, ela iniciou suas atividades religiosas aos 7 anos, seguindo uma tradição familiar, e hoje cumpre agendas missionárias em diversas cidades do país.
Apesar da repercussão do vídeo, a família não registrou uma queixa formal contra a companhia aérea até o momento. O pai justificou a ausência de denúncia pelo receio de perder o voo de conexão. Até o fechamento desta reportagem, a Latam Airlines não havia emitido um posicionamento oficial sobre o ocorrido. O caso levanta debates sobre os limites da liberdade de expressão em espaços privados de uso coletivo e a responsabilidade dos responsáveis legais em ambientes de transporte público.
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