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CFM implementa inteligência artificial para aprimorar fiscalização médica nacional

© Rawpick/Freepick
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O Conselho Federal de Medicina (CFM) deu um passo significativo na modernização da supervisão do ato médico em todo o país. Nesta terça-feira, dia 9, a autarquia lançou um inovador sistema de inteligência artificial (IA) que será integrado à Plataforma Nacional de Fiscalização, com o objetivo de otimizar e ampliar a atuação dos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs).

A expectativa do colegiado federal é ambiciosa: nos próximos dois anos, o novo módulo de IA deverá impulsionar em 30% o volume de fiscalizações anuais em todo o território nacional. Essa ampliação visa não apenas aumentar a quantidade, mas, sobretudo, a efetividade da supervisão das atividades médicas, aprimorando a capacidade de identificar, monitorar e analisar situações que demandam a intervenção dos órgãos fiscalizadores.

A revolução da fiscalização médica com IA

A introdução da inteligência artificial representa uma mudança de paradigma na forma como o CFM e os CRMs abordam a fiscalização. O sistema foi projetado para instrumentalizar os médicos fiscais, fornecendo subsídios robustos para a tomada de decisões e acelerando as soluções necessárias. Em entrevista coletiva concedida em Brasília, o presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, enfatizou o impacto positivo da iniciativa.

“Estamos colocando a tecnologia a serviço da fiscalização para aumentar a eficiência, ampliar o alcance das ações e oferecer respostas mais rápidas às demandas da sociedade. É uma ferramenta de grande importância, mas que jamais irá substituir o médico”, garantiu Gallo, ressaltando que o investimento fortalece a governança, reduz a burocracia e aprimora a defesa da saúde pública. A tecnologia, portanto, surge como um aliado estratégico, e não como um substituto para a expertise humana.

Um pioneirismo global na saúde

O terceiro vice-presidente e diretor responsável pelo Departamento de Inteligência Artificial do Conselho Federal de Medicina, Jeancarlo Cavalcante, destacou o caráter inovador da solução. Segundo ele, os avanços recentes na migração de dados para a nuvem e a transição para um ambiente digital mais transparente permitiram o desenvolvimento de um sistema que proporciona o acompanhamento das fiscalizações por responsáveis técnicos e gestores de estabelecimentos de saúde.

Cavalcante afirmou que a solução de fiscalização automatizada por IA é pioneira em escala global. “O fato de termos mais de 600 mil médicos e usarmos uma plataforma de inteligência artificial para a fiscalização, nos torna pioneiros no mundo no quesito de colegiatura médica e de fiscalização”, salientou. Ele explicou que o aprimoramento visa proteger a sociedade de maus profissionais e de falsos médicos, mas também resguardar os próprios médicos de condições inadequadas de trabalho e da falta de segurança para exercer a profissão.

A tecnologia por trás da nova plataforma

A Plataforma Nacional de Fiscalização integra e processa uma vasta gama de dados. Ela combina informações do próprio CFM e dos CRMs, incluindo históricos de vistorias e cadastros profissionais, como o Cadastro Nacional de Médicos. Além disso, incorpora dados públicos de estabelecimentos de saúde, como o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).

Um dos diferenciais mais marcantes é a capacidade da plataforma de interagir e cruzar informações com a base de dados da Receita Federal, além de rastrear conteúdos disponibilizados em redes sociais e outros ambientes digitais. Jeancarlo Cavalcante detalhou que a ferramenta será capaz de relacionar e monitorar denúncias sobre precariedade estrutural em hospitais e notificar publicações suspeitas de exercício ilegal da medicina.

“Essa plataforma buscará nas redes sociais o exercício do falso médico, o risco iminente à saúde da população brasileira. Aquilo que está nas redes sociais poderá, agora, ser buscado e homologado por um [profissional] humano do setor de fiscalização [do CFM]”, explicou o diretor, garantindo que a supervisão humana permanece essencial para validar as análises da IA.

Da reação à predição: uma nova era na fiscalização

Com a versão 4.0 da Plataforma Nacional de Fiscalização, o CFM abandona o modelo tradicional, que era predominantemente reativo e baseado em denúncias da sociedade. A nova abordagem permite que os órgãos de fiscalização se antecipem aos problemas, atuando de forma proativa.

“Agora, também trabalharemos com dados e com predição, ou seja, com aquilo que poderá acontecer e levar a risco à saúde da população brasileira e ao exercício da profissão médica. Nós poderemos, sim, em algumas situações, antecipar o dano e fiscalizarmos, em tempo real, antes que isto aconteça”, afirmou Jeancarlo Cavalcante. O CFM assegura que todo o tratamento das informações coletadas e processadas observa rigorosamente os princípios da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), garantindo a segurança e a privacidade dos dados envolvidos.

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