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Caso Gisele Alves: julgamento administrativo avalia expulsão de tenente-coronel acusado de feminicídio

Caso Gisele Alves: julgamento administrativo avalia expulsão de tenente-coronel acusado de feminicídio
Foto: Reprodução

Processo administrativo avalia permanência de oficial na corporação

O futuro do tenente-coronel Geraldo Neto na Polícia Militar de São Paulo (PM-SP) entra em uma fase decisiva nesta segunda-feira (14). O oficial, que está preso preventivamente, enfrenta um julgamento administrativo no Conselho de Justificação (CJ) da corporação. O procedimento tem como objetivo principal determinar se o militar mantém condições morais e funcionais para permanecer nos quadros da instituição após ser acusado do assassinato de sua esposa, a soldado Gisele Alves, em 18 de fevereiro.

A audiência, realizada por videoconferência, concentra-se na oitiva de testemunhas de defesa. O caso é acompanhado de perto pela opinião pública, dado o envolvimento de um oficial de alta patente em um crime de feminicídio. O Conselho de Justificação, composto por três coronéis, analisa minuciosamente a conduta do réu. Caso o colegiado conclua pela incompatibilidade do oficial com o cargo, o processo será encaminhado ao Tribunal de Justiça Militar (TJM), que detém a competência para decretar a perda definitiva do posto e da patente.

Contexto do crime e denúncias de intimidação

O Ministério Público sustenta que o tenente-coronel Geraldo Neto, de 53 anos, matou a esposa, de 32, com um tiro na cabeça e tentou simular um suicídio para encobrir o crime. A investigação aponta que a vítima desejava o fim do relacionamento, decisão que o acusado não aceitava. Além da acusação de feminicídio e fraude processual, o oficial é investigado por ter utilizado sua posição hierárquica para tentar intimidar policiais de menor patente que atenderam à ocorrência no apartamento do casal, localizado no Centro de São Paulo.

Registros feitos por câmeras corporais (body cams) dos agentes que chegaram ao local do crime reforçam as suspeitas. Em depoimentos anteriores, um primeiro-tenente relatou estranheza com a preservação do local, que parecia atípico para uma cena de suicídio. Amigas da vítima, também policiais, descreveram um histórico de comportamento possessivo, monitoramento constante de redes sociais e restrições impostas pelo marido, que incluíam o uso de maquiagem e perfume.

Esferas criminal e administrativa

É importante ressaltar que o julgamento no Conselho de Justificação corre de forma independente da esfera criminal. Isso significa que a expulsão da corporação pode ocorrer mesmo antes de uma sentença definitiva na Justiça comum. Enquanto o processo administrativo avança, o oficial segue detido no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital paulista, onde está desde 18 de março.

O próximo passo na esfera criminal está agendado para o dia 5 de outubro, quando o réu será interrogado presencialmente no Fórum Criminal da Barra Funda. Esta etapa é considerada fundamental para que a Justiça decida se o caso será levado a júri popular. A família da vítima busca justiça, e a acusação ressalta que, em caso de condenação, a Justiça pode fixar uma indenização mínima de R$ 100 mil. Para acompanhar os desdobramentos deste e de outros casos de repercussão, continue lendo o M1 Metrópole, seu portal de referência para informações apuradas e contextualizadas sobre segurança pública e justiça no Brasil.

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