Após um setembro que entrou para a história como o mais chuvoso já registrado na capital paulista, o Sistema Cantareira, pilar fundamental para o abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, iniciou esta quinta-feira (1º) operando na Faixa 2, conhecida como Faixa de Atenção. A mudança representa um alívio significativo após meses de níveis decrescentes e uma fase de maior preocupação.
Até a última quarta-feira (30), o manancial operava na Faixa 3 (Alerta), uma condição que impunha restrições mais severas à retirada de água. A recuperação notável, impulsionada por um volume pluviométrico sem precedentes, permite agora uma maior flexibilidade na gestão dos recursos hídricos, refletindo diretamente na segurança do abastecimento para milhões de pessoas.
Setembro Histórico: Chuvas Acima da Média e Recuperação Veloz
O mês de setembro de 2024 se destacou por um volume de chuvas excepcional em São Paulo. A capital acumulou impressionantes 321 milímetros de precipitação, marcando o maior índice para o período desde o início das medições do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em 1943. Ao longo do mês, foram registrados 21 dias de chuva, um cenário que transformou a paisagem hídrica da região.
Essa abundância pluviométrica teve um impacto direto e imediato no Cantareira. O volume armazenado no sistema saltou de 325,56 bilhões de litros para 403,86 bilhões de litros, um acréscimo de 78,3 bilhões de litros em apenas um mês. Em termos percentuais, o armazenamento subiu de 33,1% para 41,1% do volume útil total.
Da Faixa de Alerta à Faixa de Atenção: O Que Muda na Operação
A transição do Sistema Cantareira da Faixa 3 (Alerta) para a Faixa 2 (Atenção) é um indicativo da melhora nas condições dos reservatórios e é regulamentada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e pela Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas). Cada faixa de operação estabelece limites para a retirada de água, visando a sustentabilidade do sistema.
Enquanto na Faixa 3 a Sabesp, empresa responsável pelo abastecimento, tinha sua retirada limitada a 27 m³/s, a nova condição na Faixa 2 autoriza a companhia a retirar até 31 m³/s de água. Essa diferença de 4 m³/s representa uma margem maior para a gestão do abastecimento, especialmente em um contexto de demanda constante da Região Metropolitana de São Paulo.
Um Alívio Após Meses de Queda nos Níveis
A recuperação observada em setembro interrompeu uma sequência preocupante de cinco meses consecutivos de queda no armazenamento do Cantareira. Desde o pico do ano, registrado em 25 de março, quando o sistema atingiu 44,11% do volume útil, os níveis vinham diminuindo progressivamente durante abril, maio, junho, julho e agosto, terminando o mês passado com 33,02%.
Com o aumento de 8,1 pontos percentuais em apenas um mês, o Cantareira se aproxima novamente do seu maior nível do ano, ficando a cerca de três pontos percentuais do pico de março. Essa rápida recuperação demonstra a capacidade de resposta do sistema a eventos climáticos extremos e a importância das chuvas para a manutenção da segurança hídrica da região.
A Vital Importância do Sistema Cantareira para São Paulo
O Sistema Cantareira não é apenas um conjunto de represas; é uma infraestrutura vital que abastece aproximadamente metade da população da Região Metropolitana de São Paulo. Além disso, suas águas contribuem para outros usos, incluindo o abastecimento de cidades como Campinas, inseridas nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ).
Composto por cinco reservatórios interligados – Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro –, o sistema possui um volume útil total de 981,56 bilhões de litros. Desde 2018, a segurança hídrica da região foi ainda mais reforçada com a interligação entre a represa da Usina Hidrelétrica (UHE) Jaguari, no rio Paraíba do Sul, e a represa Atibainha. Embora os reservatórios estejam em território paulista, parte das águas que os alimentam provém de rios de domínio da União, com nascentes e trechos em Minas Gerais, integrando a complexa bacia do PCJ. Para mais informações sobre a gestão hídrica no Brasil, consulte o site da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).
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