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Canetas emagrecedoras redefinem rotina de treinos em academias e exigem novas abordagens

Canetas emagrecedoras redefinem rotina de treinos em academias e exigem novas abordagens
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A ascensão das canetas emagrecedoras, como os medicamentos à base de tirzepatida e semaglutida, tem redefinido não apenas o tratamento da obesidade e do sobrepeso, mas também o cenário das academias de ginástica. Com a promessa de redução do apetite e perda de peso significativa, esses fármacos atraem um número crescente de usuários, que agora buscam conciliar o tratamento medicamentoso com a prática de exercícios físicos. No entanto, essa nova realidade impõe desafios tanto para os alunos quanto para os profissionais de educação física, que precisam adaptar as rotinas de treino para garantir a segurança e a eficácia dos resultados.

O impacto das canetas emagrecedoras no corpo e no treino

Os medicamentos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras” atuam principalmente como agonistas do receptor de GLP-1 (peptídeo-1 semelhante ao glucagon), e alguns, como a tirzepatida, também do GIP (polipeptídeo inibitório gástrico). Eles mimetizam hormônios intestinais que regulam a glicemia, promovem a sensação de saciedade e retardam o esvaziamento gástrico. Embora altamente eficazes na perda de peso, esses mecanismos podem gerar efeitos colaterais como náuseas, vertigens e, notavelmente, uma fadiga intensa.

Essa fadiga, muitas vezes subestimada, é um dos principais fatores que impactam o desempenho físico. Alunos que antes mantinham uma rotina de exercícios com determinada intensidade e carga podem se ver incapazes de sustentar o mesmo ritmo. A redução drástica na ingestão calórica, aliada aos efeitos do medicamento, pode levar a um déficit energético que compromete a energia necessária para atividades físicas, especialmente as mais vigorosas.

A experiência de Gabriele: fadiga e a busca por adaptação

A atriz e estudante de pedagogia Gabriele Francisco Silva, de 25 anos, é um exemplo dessa nova realidade. Após anos lidando com a obesidade e considerando uma cirurgia bariátrica, ela iniciou o tratamento com Mounjaro, à base de tirzepatida, há seis meses. A medicação resultou na perda de mais de 20 quilos, mas também trouxe um cansaço extremo e episódios de vertigem e enjoo durante os treinos.

Gabriele relata que exercícios antes habituais se tornaram um desafio, exigindo uma reavaliação completa de sua rotina. “Tinha treinos que eu não conseguia alcançar o peso com que eu já estava acostumada ou então não conseguia fazer um treino tão bom quanto conseguia fazer antes do medicamento”, conta. A solução encontrada foi o diálogo com seu personal trainer, que resultou na redução da intensidade, na substituição de exercícios e na busca por modalidades mais adequadas ao seu novo condicionamento, como muay thai e aulas de dança, em vez de aeróbicos tradicionais.

Orientações de especialistas: a importância da individualização

Profissionais de saúde e educação física alertam para a necessidade de uma abordagem individualizada e atenta. Marcio Lui, preparador físico, enfatiza que o cansaço não deve ser ignorado. Manter a mesma intensidade de treino quando o corpo está recebendo significativamente menos energia e lidando com os efeitos de uma medicação pode ser prejudicial. A adaptação, que pode ser temporária, é fundamental para que o paciente progrida de forma segura.

A endocrinologista Helena Nicolielo, da USP, corrobora essa percepção, notando um aumento nas queixas de fadiga entre seus pacientes. Em alguns casos, a revisão da alimentação se faz tão necessária quanto a adaptação dos exercícios. É crucial que a equipe multidisciplinar — médico, nutricionista e educador físico — trabalhe em conjunto para ajustar o plano de tratamento de forma holística. Para mais informações sobre saúde metabólica, consulte a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

Além da balança: foco na composição corporal e bem-estar

A cardiologista e nutróloga Karla Gouvea, do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, destaca que a fadiga, embora comum, não deve ser automaticamente atribuída apenas à medicação. Um déficit energético elevado, resultado de uma ingestão alimentar muito baixa, por si só pode comprometer o rendimento. A falta de proteínas, carboidratos, vitaminas e minerais essenciais também contribui para o cansaço. Fatores como sono, hidratação e carga de treinamento devem ser igualmente considerados.

Mais do que a perda de peso na balança, os especialistas recomendam monitorar a composição corporal, ou seja, a proporção entre gordura e massa magra. A preservação da massa muscular é vital para a saúde metabólica e para a manutenção dos resultados a longo prazo. Um plano alimentar que garanta proteína adequada, hidratação e carboidratos estrategicamente distribuídos, especialmente antes e depois dos treinos, é essencial.

Apesar dos desafios, os benefícios do tratamento, quando bem acompanhado, são notáveis. Gabriele Francisco Silva celebra não apenas a perda de peso, mas também a melhoria em sua qualidade de vida. A capacidade de encontrar roupas com facilidade, a retomada do hábito de tirar fotos e uma vida social mais ativa são conquistas que vão além dos números da balança, resgatando sua autoestima e bem-estar.

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