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Câncer de mama em homens: por que o diagnóstico costuma ser mais tardio

Câncer de mama em homens: por que o diagnóstico costuma ser mais tardio
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Embora o câncer de mama seja amplamente associado ao público feminino, a doença também acomete homens, um grupo que frequentemente enfrenta desafios adicionais para obter um diagnóstico precoce. Dados recentes da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), baseados em registros do Instituto Nacional de Câncer (Inca), revelam que o público masculino costuma descobrir a patologia em estágios mais avançados, o que impacta diretamente as chances de sucesso no tratamento.

O desafio do diagnóstico tardio no público masculino

O levantamento da SBRT, que analisou mais de 163 mil registros hospitalares entre 2020 e 2023, identificou 2.126 casos em homens. A disparidade no estágio da doença no momento da descoberta é um ponto de atenção: enquanto o estágio I — fase inicial e com maior probabilidade de cura — foi identificado em 5,45% das mulheres, essa taxa cai para 3,41% entre os homens. Em contrapartida, o estágio IV, caracterizado pela metástase, atinge 29,95% dos pacientes masculinos, contra 26,42% das mulheres.

Para a rádio-oncologista Denise Ferreira, diretora de comunicação da SBRT, o principal obstáculo é o desconhecimento social sobre a possibilidade de homens desenvolverem a doença. “Muitos demoram a procurar atendimento ao perceber alterações na região. Como possuem pouco tecido mamário, o tumor pode atingir estruturas próximas, como a pele ou músculos do peito, mesmo quando ainda é pequeno”, explica a médica.

Fatores de risco e sinais de alerta

Apesar de representar menos de 1% dos casos totais de câncer de mama, a doença em homens não deve ser negligenciada. A menor exposição ao estrogênio e a quantidade reduzida de tecido mamário explicam a baixa incidência, mas não eliminam o risco. Fatores como obesidade, histórico familiar, mutações genéticas hereditárias e desequilíbrios hormonais são apontados como gatilhos importantes.

A recomendação médica é clara: qualquer alteração na região peitoral deve ser investigada. Sinais como o surgimento de caroços, mudanças no aspecto do mamilo ou secreções, especialmente se houver presença de sangue, exigem avaliação profissional imediata. O diagnóstico precoce é o fator determinante para a sobrevida, que pode ultrapassar 95% quando o tumor é identificado ainda restrito à mama.

Tratamento e perspectivas de cura

O tratamento para homens segue protocolos semelhantes aos das mulheres, com a cirurgia sendo, geralmente, a primeira linha de intervenção em casos localizados. A estratégia terapêutica pode ser complementada por radioterapia, quimioterapia ou terapia hormonal, dependendo das características biológicas do tumor. A radioterapia, em particular, tem evoluído para oferecer maior precisão, protegendo tecidos saudáveis ao redor da área tratada.

É fundamental que a população compreenda que, embora o diagnóstico masculino ocorra frequentemente em estágios avançados, a medicina dispõe de recursos eficazes para o controle da doença. A conscientização, promovida especialmente durante o Outubro Rosa, é uma ferramenta vital para reduzir o estigma e incentivar a busca por cuidados médicos preventivos.

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