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Campanha de multivacinação em São Paulo ganha reforço contra o sarampo por orientação federal

Campanha de multivacinação em São Paulo ganha reforço contra o sarampo por orientação federal
© Tomaz Silva/Agência Brasil

Em um movimento estratégico para conter a disseminação do sarampo, o Ministério da Saúde emitiu, nesta terça-feira (28), uma recomendação crucial para três importantes municípios paulistas: Guarulhos, São Bernardo do Campo e São Paulo. A orientação é para que essas cidades ampliem significativamente a oferta de vacinação contra a doença, abrangendo uma faixa etária estendida, de 6 meses a 59 anos de idade. A medida deverá ser implementada durante a próxima Campanha de Multivacinação, agendada para ocorrer entre 3 de agosto e 1º de setembro.

A decisão ministerial reflete uma preocupação crescente com a saúde pública, após a identificação de casos de sarampo que indicam uma cadeia de transmissão ligada à importação do vírus. Este cenário ressalta a importância da imunização em massa para proteger a população e evitar a reintrodução e circulação sustentada da doença em áreas de alta densidade demográfica e intensa mobilidade, como a capital e as cidades da Grande São Paulo.

Estratégia ampliada e o calendário nacional de vacinação

O esquema vacinal padrão contra o sarampo, conforme o Calendário Nacional de Vacinação, prevê a primeira dose da vacina tríplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola) aos 12 meses de idade. Uma segunda dose, preferencialmente da tetraviral (incluindo também a catapora), é recomendada aos 15 meses. Contudo, a nova recomendação do Ministério da Saúde visa cobrir lacunas na imunização, incentivando que qualquer pessoa de até 59 anos que não tenha recebido as doses indicadas em sua faixa etária procure um posto de saúde para se vacinar.

A ampliação da faixa etária para a vacinação é uma resposta direta à dinâmica de transmissão do vírus, que não se restringe apenas às crianças. Adultos não imunizados também estão suscetíveis à infecção e podem atuar como vetores, contribuindo para a propagação da doença. A campanha de multivacinação se apresenta como uma oportunidade vital para que a população atualize suas cadernetas de vacinação, não apenas contra o sarampo, mas também contra outras doenças imunopreveníveis.

A importância da “dose zero” para bebês

Em situações de circulação viral, como a observada atualmente, o Ministério da Saúde também reforça a recomendação da aplicação da chamada “dose zero” para crianças de 6 a 11 meses de idade. Esta medida preventiva é crucial para proteger um grupo etário particularmente vulnerável à infecção e ao desenvolvimento de formas graves da doença. Bebês nessa faixa etária ainda não completaram o esquema vacinal regular e, portanto, necessitam de uma proteção adicional em contextos de risco.

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) já havia, desde junho, recomendado a aplicação da dose zero da vacina tríplice viral para bebês residentes nos mesmos municípios. Essa coordenação entre as esferas federal e estadual demonstra a gravidade da situação e o esforço conjunto para blindar a população mais jovem e suscetível.

Cenário epidemiológico e o risco de reintrodução do vírus

Em 2026, o Brasil registrou 14 casos confirmados de sarampo. Embora três registros iniciais tenham sido encerrados sem risco de transmissão, um surto ativo com 11 casos permanece sob investigação. Desses, dois foram identificados em São Bernardo do Campo e nove no município de São Paulo. As investigações epidemiológicas, que ainda estão em andamento, classificam esses casos como de fonte de infecção desconhecida, o que eleva o alerta.

A pasta ministerial esclareceu que o surto foi identificado em uma região caracterizada por intensa mobilidade populacional e um elevado fluxo internacional de viajantes. Este cenário é propício para a introdução esporádica do vírus, tornando as grandes metrópoles pontos de atenção constante para a vigilância epidemiológica. A rápida identificação e resposta são fundamentais para evitar que o vírus se estabeleça e cause surtos maiores, como os que o país enfrentou no passado.

Vacinação: a principal barreira contra o sarampo

A distribuição de vacinas tem sido robusta, com mais de 7,2 milhões de doses da tríplice viral enviadas aos estados e municípios em 2026, das quais cerca de 2,9 milhões já foram aplicadas em todo o país. Esses números evidenciam o esforço logístico para garantir o acesso ao imunizante.

A diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE-SP), Tatiana Lang, enfatiza a vacinação como a forma mais segura e eficaz de prevenir o sarampo. Ela ressalta a importância de pais e responsáveis verificarem a caderneta de vacinação das crianças, e que adolescentes e adultos procurem uma unidade de saúde para atualizar o esquema vacinal. A imunização não é apenas uma proteção individual, mas um ato de responsabilidade coletiva, essencial para construir a imunidade de rebanho e interromper a circulação do vírus.

Para quem tiver dúvidas sobre a vacinação, o portal Vacina 100 Dúvidas, da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, oferece um vasto material com respostas às principais perguntas da população sobre a eficácia dos imunizantes, eventos adversos e os riscos da não vacinação.

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