Em um cenário político aquecido pelas eleições de 2026, o candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, não poupou críticas ao governo Lula (PT) nesta segunda-feira, 17 de agosto de 2026. Durante o segundo dia de sua campanha eleitoral, em evento do Grupo Voto em São Paulo, Caiado classificou como “estupidez” a possibilidade de o Brasil retaliar os Estados Unidos com um novo tarifaço.
O presidenciável expressou preocupação com a postura do Itamaraty, que, segundo ele, “passou a ser um braço ideológico do governo” e um “tentáculo do PT”. Para Caiado, a diplomacia brasileira não pode ser pautada pelo “humor do presidente”, colocando em risco a convivência com o maior investidor do Brasil, os Estados Unidos.
Críticas à política externa e à economia de Lula
A retórica de Caiado mirou diretamente a gestão de Lula na economia e nas relações internacionais. Ele argumentou que a liturgia do cargo de presidente da República não deve se assemelhar a uma “briga de boteco”, reforçando a necessidade de uma política externa mais pragmática e menos ideológica.
Como contraponto à atual gestão, Caiado adiantou que, caso sua chapa vença, o ex-diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), Roberto Azevêdo, seria seu ministro das Relações Exteriores. A escolha de Azevêdo, figura reconhecida por sua experiência multilateral, sinaliza a intenção de Caiado de “redirecionar os rumos do Itamaraty” para uma abordagem mais técnica e menos alinhada a pautas partidárias.
No âmbito econômico, o candidato do PSD criticou o que chamou de populismo de Lula, afirmando que o atual presidente “não acredita em política fiscal”. Em contraste, ele também teceu comentários sobre Flávio Bolsonaro (PL), declarando que o parlamentar “nunca administrou nada. Não sabe o que é isso”. Caiado prometeu um controle rigoroso das despesas públicas, limitando-as a, no máximo, “em torno de 40% ou 50% do PIB”, uma proposta que visa a estabilidade fiscal e a atração de investimentos.
A Lei da Reciprocidade e os laços econômicos com os EUA
A discussão sobre o tarifaço e a Lei da Reciprocidade ganhou destaque após o governo brasileiro notificar os Estados Unidos na quinta-feira (13). Esta notificação marca o início de um processo diplomático que pode levar à aplicação de medidas retaliatórias contra as tarifas americanas. A Lei da Reciprocidade é um instrumento que permite a um país aplicar medidas semelhantes às impostas por outra nação, buscando equilibrar as relações comerciais.
No entanto, Caiado questionou a pertinência dessa medida neste momento, sublinhando a importância dos Estados Unidos como o maior investidor no Brasil. A relação econômica entre os dois países é complexa e multifacetada, envolvendo não apenas o comércio de bens e serviços, mas também um fluxo significativo de investimentos diretos. Qualquer retaliação poderia, segundo a visão do candidato, gerar instabilidade e prejudicar a confiança dos investidores estrangeiros, impactando a economia brasileira.
Segurança pública e a doutrina Monroe: um debate sobre soberania
Além das questões econômicas, a segurança pública foi um tema central na agenda de Caiado. O candidato abordou a recente movimentação dos Estados Unidos em relação à América Latina e à classificação de organizações criminosas brasileiras.
Na quinta-feira (13), o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, declarou que as Forças Armadas americanas estão se preparando para realizar operações em território de países aliados com o objetivo de combater organizações de narcotráfico na América Latina. Essa declaração veio acompanhada da reafirmação, na terça-feira (11), da doutrina Monroe, que historicamente define a América Latina como uma área de interesse estratégico dos EUA. A doutrina Monroe, formulada em 1823, tem sido interpretada ao longo da história como um princípio que justifica a intervenção dos EUA em assuntos do continente.
Apesar do contexto, Caiado afastou a ideia de que os Estados Unidos poderiam intervir diretamente no Brasil, mesmo com a proposta de classificar organizações como o Comando Vermelho e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como terroristas. A classificação de grupos criminosos brasileiros como terroristas por uma potência estrangeira é um tema sensível, pois levanta questões sobre soberania nacional, cooperação internacional e os limites da atuação de forças externas em território brasileiro. A posição de Caiado reflete uma preocupação em manter a autonomia do Brasil na gestão de seus problemas internos, ao mesmo tempo em que reconhece a necessidade de combate ao crime organizado.
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