PUBLICIDADE

Brasil mantém saída do Mapa da Fome, mas 6,5 milhões ainda enfrentam insegurança alimentar

© Divulgação/Prefeitura de Goiânia
© Divulgação/Prefeitura de Goiânia

Um ano após o marco histórico que retirou o Brasil do Mapa da Fome, o país celebra a consolidação de indicadores positivos, mas mantém o alerta sobre a vulnerabilidade de milhões de cidadãos. Dados consolidados em julho de 2025 confirmaram que menos de 2,5% da população brasileira vive sob risco de subnutrição ou falta de acesso a alimentos básicos. Contudo, o cenário atual ainda revela que cerca de 6,5 milhões de brasileiros permanecem em situação de insegurança alimentar grave, evidenciando que a conquista, embora expressiva, exige vigilância constante.

A complexidade do combate à fome

Especialistas apontam que a superação da fome não é um evento isolado, mas o resultado de uma engrenagem intersetorial. O pesquisador Lucas de Almeida Moura, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Combate à Fome, da Universidade de São Paulo, enfatiza que o desafio agora é transformar essas estratégias em políticas de Estado permanentes. Segundo Moura, o acesso à alimentação adequada está intrinsecamente ligado a uma estrutura que abrange desde a garantia de renda mínima até o saneamento básico e a segurança pública.

O pesquisador, que desenvolveu o Índice Multidimensional de Insegurança Alimentar, alerta para as disparidades regionais. Estudos baseados em indicadores de desenvolvimento sustentável mostram que, embora o país tenha avançado, estados das regiões Norte e Nordeste ainda enfrentam desafios estruturais significativos, com taxas de insegurança alimentar que superam os 50% em diversas localidades. A meta, segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, é integrar essas populações às redes de proteção social de forma definitiva.

Pilares da recuperação social

A professora Semíramis Domene, da Universidade Federal de São Paulo e diretora do Instituto Fome Zero, identifica três pilares fundamentais para a recente melhora no quadro nacional. O primeiro deles é o combate direto à desigualdade, impulsionado pela valorização do salário mínimo e pela queda no desemprego, que atingiu o menor patamar em 13 anos. O fortalecimento do poder de compra das famílias foi o motor que permitiu a retomada do acesso aos alimentos.

O segundo pilar envolve a robustez das políticas de proteção social, com destaque para a modernização do Cadastro Único e a eficiência do programa Bolsa Família. O terceiro eixo foca na produção, com o incentivo à agricultura familiar. O fortalecimento do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) tem sido vital para conectar o pequeno produtor à mesa do brasileiro, priorizando a função social da terra em detrimento da lógica exclusiva de exportação de commodities.

Perspectivas econômicas e mercado de trabalho

O economista Daniel Duque, do Ibre/FGV, reforça que a estabilidade dos preços dos alimentos, aliada a safras produtivas entre 2023 e 2025, desempenhou um papel crucial na redução da fome. “O aumento da assistência à renda permitiu que milhões de famílias voltassem a ter poder de compra”, explica Duque. Para o especialista, a manutenção do Brasil fora do Mapa da Fome depende diretamente da continuidade de um mercado de trabalho aquecido, que não apresenta, até o momento, sinais de reversão.

O caminho para a erradicação total da insegurança alimentar grave segue como uma prioridade de longo prazo. A integração entre estados e municípios, somada ao apoio a iniciativas globais, como a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, desenha o horizonte para os próximos anos. O M1 Metrópole segue acompanhando de perto os desdobramentos das políticas públicas e os indicadores sociais que impactam diretamente a mesa e a vida dos brasileiros. Continue conosco para se manter informado sobre os temas que definem o futuro do país.

Leia mais

PUBLICIDADE