O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) passou por um procedimento cirúrgico complexo no ombro direito nesta sexta-feira, 1º de maio de 2026, para reparo do manguito rotador. A cirurgia, realizada no Hospital DF Star, em Brasília, transcorreu sem intercorrências, conforme o boletim médico divulgado pela equipe responsável. Bolsonaro segue internado sob observação clínica, com foco no controle da dor e no início da recuperação.
O procedimento, que exigiu autorização prévia do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes devido à sua condição de prisão domiciliar, é comum na ortopedia, mas apresenta particularidades importantes, especialmente considerando a idade do ex-presidente. A intervenção busca restaurar a funcionalidade de uma das articulações mais complexas do corpo humano, essencial para a realização de movimentos cotidianos.
O manguito rotador e a complexidade da lesão
O manguito rotador é uma estrutura anatômica vital para a mobilidade e estabilidade do ombro. Ele é composto por um conjunto de quatro tendões que envolvem a cabeça do úmero, o osso do braço, e são responsáveis pelos movimentos de rotação e elevação do braço. Além disso, esses tendões desempenham um papel crucial em manter a articulação glenoumeral, que conecta o braço ao tronco, firme e estável durante a movimentação.
Lesões no manguito rotador estão entre as causas mais frequentes de dor e incapacidade no ombro. O quadro pode variar desde inflamações leves, conhecidas como tendinites, até lesões parciais ou rupturas completas dos tendões. Segundo o ortopedista Maurício Raffaelli, especialista em cirurgia de ombro e cotovelo, a indicação cirúrgica geralmente ocorre quando a dor é persistente e intensa, há perda significativa de função e limitação para movimentar o braço, e tratamentos conservadores, como a fisioterapia, não apresentam resultados satisfatórios.
Artroscopia: a técnica minimamente invasiva
O reparo do manguito rotador, na maioria dos casos, é realizado por meio de artroscopia, uma técnica cirúrgica minimamente invasiva. Este método consiste na inserção de uma pequena câmera, chamada artroscópio, e instrumentos cirúrgicos finos através de pequenas incisões na pele, sem a necessidade de grandes cortes. A imagem capturada pela câmera é transmitida para um monitor, permitindo que o cirurgião visualize o interior da articulação e execute o reparo com precisão.
Durante a operação, são utilizados pequenos dispositivos chamados âncoras, que são fixados no osso do úmero. A partir dessas âncoras, fios especiais são passados através do tendão lesionado e amarrados, recolocando o tecido no seu local original para que possa cicatrizar e se reintegrar ao osso. Embora seja minimamente invasiva, a artroscopia para reparo do manguito rotador exige anestesia geral, o que adiciona uma camada de complexidade ao procedimento, como explica Kaleu Nery, integrante da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC). A duração da cirurgia pode variar de uma a duas horas, mas pode se estender por até cinco horas, considerando o preparo anestésico e as particularidades do paciente.
Fatores de risco e o processo de recuperação
As causas das lesões no manguito rotador são diversas, abrangendo desde traumas agudos, como quedas e acidentes, até processos degenerativos associados ao envelhecimento natural do corpo. A idade de 71 anos de Bolsonaro é um fator relevante na avaliação do risco cirúrgico e no prognóstico de recuperação. Pacientes nessa faixa etária tendem a apresentar um maior desgaste natural das estruturas tendíneas, o que pode dificultar a cicatrização e aumentar o risco de uma nova ruptura após a cirurgia.
Além da idade, outros fatores de saúde preexistentes, como doenças crônicas, também são cuidadosamente avaliados pela equipe médica antes da intervenção. A recuperação após o reparo do manguito rotador é um processo gradual e exige dedicação do paciente. Geralmente, envolve um período de imobilização do braço em tipoia, seguido por um programa intensivo de fisioterapia para restaurar a força, a flexibilidade e a amplitude de movimento do ombro. A dor noturna, um sintoma característico das lesões no manguito rotador, que muitos pacientes relatam piorar ao deitar devido à compressão da articulação, é um dos primeiros alívios esperados após a cirurgia, embora a recuperação completa possa levar vários meses.
Acompanhamento e desdobramentos políticos
A internação de Bolsonaro para o procedimento cirúrgico e sua subsequente recuperação são acompanhadas de perto, não apenas pela equipe médica, mas também pela opinião pública e pelo cenário político nacional. Sua condição de prisão domiciliar, que exigiu a autorização judicial para a cirurgia, adiciona uma dimensão extra ao evento, destacando a intersecção entre a saúde pessoal de figuras públicas e o sistema jurídico. A recuperação do ex-presidente será um ponto de atenção nos próximos meses, tanto do ponto de vista clínico quanto em relação aos seus desdobramentos políticos e pessoais.
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