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Biobanco em Curitiba impulsiona pesquisa global de câncer infantil com acervo único

Biobanco em Curitiba impulsiona pesquisa global de câncer infantil com acervo único
Wynitow Ferreira Butenas/Complexo Pequeno Príncipe

Em uma rua tranquila na região central de Curitiba, um centro de excelência científica se destaca como um farol de esperança na luta contra o câncer infantil. O Biobanco do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe (IPP), em funcionamento desde 2015, abriga uma das maiores e mais importantes coleções de amostras de tumores pediátricos do mundo, com um acervo que já soma cerca de 30 mil exemplares.

Este recurso vital não apenas abastece pesquisas nacionais, mas também impulsiona estudos internacionais focados em alguns dos cânceres mais raros que afetam crianças e adolescentes. A iniciativa coloca a capital paranaense no mapa global da oncologia pediátrica, oferecendo uma base de dados biológicos incomparável para o avanço da ciência.

O coração da pesquisa pediátrica

O Biobanco de Curitiba é uma extensão crucial do Hospital Pequeno Príncipe, uma referência no atendimento infantil de média e alta complexidade, localizado do outro lado da rua Desembargador Motta. Diariamente, uma equipe dedicada de 15 pesquisadores, incluindo pós-doutores, doutores, mestres e técnicos, atua na coleta, catalogação e processamento de tecidos e líquidos tumorais de pacientes do hospital.

Idealizado pelo médico pernambucano Bonald Cavalcante de Figueiredo, um renomado especialista em oncogenética, o biobanco é o único no Brasil dedicado exclusivamente a amostras pediátricas. Sua concepção foi inspirada no biobanco de Porto, em Portugal, que Figueiredo conheceu em 2014. No entanto, o acervo curitibano já superou a inspiração em termos de raridade de algumas amostras. “Começou muito pequeno e foi se expandindo. Hoje temos capacidade para 200 mil amostras”, afirma o diretor.

Da coleta ao congelamento: o processo científico

A função de um biobanco é similar à de um banco de sangue, mas com um propósito científico: armazenar tecidos e células para estudos. Várias vezes ao dia, membros da equipe, predominantemente mulheres, percorrem as poucas quadras que separam o biobanco do hospital. Munidas de coolers e equipamentos especializados, elas coletam e transportam as amostras tumorais logo após a remoção dos pacientes.

No laboratório do biobanco, as amostras são cuidadosamente conservadas em freezers de alta tecnologia, mantendo temperaturas extremas de -80°C, -30°C ou em nitrogênio líquido a -150°C. Esse rigor no armazenamento é fundamental para preservar a integridade e a viabilidade das células tumorais, garantindo que possam ser utilizadas em futuras investigações.

Camundongos como modelos vivos: avanços e colaborações

Um dos aspectos mais inovadores do trabalho realizado em Curitiba é a manutenção de uma parte dessas amostras vivas em camundongos, dentro do biotério do biobanco. Esses animais, geneticamente modificados, funcionam como modelos biológicos onde os tumores humanos podem crescer indefinidamente. A analogia é direta: “Os camundongos funcionam exatamente como a criança. Se o tumor cresce na criança malignamente, ele também será maligno no camundongo. Se é benigno na criança, também será benigno no camundongo”, explica o diretor Figueiredo.

Manter esses tumores vivos permite aos pesquisadores investigar em profundidade os fatores ligados à agressividade do câncer, identificar alterações genéticas específicas e testar a eficácia de possíveis terapias-alvo. A estratégia de implantar tumores “frescos” em camundongos é crucial para reduzir a perda de atividade celular e maximizar o potencial de pesquisa. Essa abordagem tem atraído a atenção de diversos centros de pesquisa, resultando em parcerias com 18 grupos científicos, sendo cinco deles no exterior, consolidando o papel do biobanco de Curitiba como um polo de colaboração internacional na luta contra o câncer infantil. Para mais informações sobre avanços na oncologia, você pode consultar fontes como a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica.

O trabalho desenvolvido no Biobanco do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe representa um avanço significativo na compreensão e no combate aos cânceres pediátricos. Ao reunir um acervo tão valioso e aplicar metodologias inovadoras, Curitiba se estabelece como um centro de esperança e inovação, contribuindo decisivamente para a busca por novas terapias e, em última instância, para a cura de crianças em todo o mundo. Continue acompanhando o M1 Metrópole para ficar por dentro das últimas notícias e análises aprofundadas sobre ciência, saúde e outros temas relevantes que impactam a sua vida.

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