A Farmasi Arena, no Rio de Janeiro, foi palco de uma noite histórica para o rock nacional nesta quinta-feira, marcando a estreia da aguardada turnê “Barão Vermelho Encontro”. O show, que celebrou a rica trajetória da banda, proporcionou momentos de intensa emoção, especialmente com o reencontro virtual de Cazuza no telão e a participação especial de Ney Matogrosso, que incendiou a plateia. A apresentação não foi apenas um concerto, mas uma viagem no tempo que reafirmou a relevância e o legado do Barão Vermelho na música brasileira.
O Reencontro Inesquecível com Cazuza
Um dos pontos altos e mais tocantes da noite foi o dueto virtual de Cazuza na canção “Todo amor que houver nessa vida”. Frejat, com sua voz marcante, interpretava a melodia e a letra sobre um arranjo minimalista e delicado, quando, de repente, a imagem de Cazuza surgiu no telão. Fragmentos de um show icônico, “O tempo não para”, com a atmosfera de um registro amador, transportaram o público para a essência do poeta. Ao final da canção, a voz de Cazuza ecoou, desejando “todo amor que houver nessa vida pra vocês”, um momento que arrepiou a plateia e consolidou a presença eterna do vocalista na história da banda.
A Celebração da Trajetória e a Força da Formação Original
A noite começou antes mesmo da banda subir ao palco, com uma sequência de imagens históricas projetadas em toda a extensão do fundo do palco. Ayrton Senna, Nelson Mandela, Tancredo Neves e cenas do Rock in Rio de 1985, com o vigor juvenil dos garotos do Barão, criaram uma atmosfera de nostalgia e celebração. Essa introdução deixou claro que a reunião do Barão Vermelho em sua formação original — Frejat, Maurício Barros, Guto Goffi e Dé Palmeira — era uma celebração de uma história viva, um registro em formato de rock que atravessou décadas.
A cenografia do show foi pensada para valorizar esse núcleo original. Cada um dos quatro telões que compunham o cenário era dedicado a um dos integrantes, reforçando a ideia de que, apesar da grandiosidade da arena, o foco estava no encontro e em tudo que ele representava. Essa solução simples e direta foi rompida apenas em momentos específicos, como nos solos de Frejat, quando sua imagem unificava as telas. A banda abriu a apresentação com “Maior abandonado”, executada apenas pelos quatro membros originais, um formato que se repetiu em outros momentos, ressaltando a química e a energia que os uniu desde o início.
Convidados Especiais e o Vasto Repertório do Barão Vermelho
O repertório da primeira parte do show fez um panorama do impacto da banda no cenário nacional, com clássicos como “Beth balanço”, e sua consolidação após a saída de Cazuza, com “Pense dance” e “Longe demais de tudo”. O quarteto contou com o reforço de uma banda estendida, que os acompanhou em boa parte da apresentação, incluindo Fernando Magalhães (guitarra), Rafael Frejat (guitarra e teclado), Cesinha (percussão), Jhusara (backing vocal), Marlon Sette (trombone), Diogo Gomes (trompete) e Zé Carlos Bigorna (saxofone).
A plateia, majoritariamente vestida de preto, era composta por fãs de diversas gerações, muitos dos quais certamente viveram a época de esperar com a fita cassete engatilhada para gravar as canções no rádio. A transição para a fase solo de Cazuza foi marcada por “O tempo não para”, que preparou a entrada triunfal de Ney Matogrosso. O aclamado cantor passeou por sucessos como “Blues da piedade” e “Exagerado”, além de “Poema”, parceria de Cazuza e Frejat, e “Jardins da Babilônia”, de Rita Lee. Apesar de um pequeno tropeço em “Ideologia”, Ney demonstrou sua força de costume, e sua presença foi, sem dúvida, um dos momentos mais marcantes da noite.
Homenagens e a Eternidade do Rock Nacional
O roteiro do show abrangeu as muitas fases do Barão Vermelho, desde o mergulho no eletrônico em “Puro êxtase” até as releituras presentes no disco “Álbum”, como “Vem quente que eu estou fervendo”, “Amor meu grande amor” e “Malandragem dá um tempo”, esta última cantada por Maurício Barros. As marcas do tempo na trajetória da banda foram ressaltadas em “Meus bons amigos”, quando fotos da banda com amigos que já se foram, como Mauro Santa Cecília e Serginho Trombone, foram projetadas, adicionando uma camada de emoção à performance.
Guto Goffi dedicou a noite a três figuras fundamentais na história da banda: Cazuza, o percussionista Peninha e o produtor Ezequiel Neves. José Frejat, pai do vocalista e guitarrista, falecido recentemente, também foi homenageado, reforçando o caráter íntimo e pessoal da celebração. No bis, “Bilhetinho azul” foi apresentada em formato acústico e cru, apenas com os quatro integrantes originais, simbolizando um retorno à essência. Logo depois, Cazuza foi reintegrado na declaração de amor “O poeta está vivo”, confirmando sua forte e inegável presença no roteiro do show.
Para encerrar a noite, Ney Matogrosso retornou ao palco para a ode ao rock “Por que a gente é assim?” e para afirmar o brado que pairava no ar desde o início do show: “Estamos, meu bem, por um triz / Pro dia nascer feliz”. O Barão Vermelho não apenas tocou suas músicas, mas recontou sua história, mostrando que o rock nacional, com suas memórias e sementes, continua mais vivo do que nunca. Para aprofundar-se na rica história do rock brasileiro, você pode consultar fontes especializadas como História do Rock Brasileiro.
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