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Exportações de petróleo e commodities levam balança comercial a superávit de US$ 7,74 bi em setembro

Exportações de petróleo e commodities levam balança comercial a superávit de US$ 7,74 bi em setembro
© Tânia Rêgo/Agência Brasil

A balança comercial brasileira apresentou um desempenho robusto em setembro de 2026, consolidando um superávit de US$ 7,74 bilhões. O resultado, divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), representa mais que o dobro do saldo registrado no mesmo mês do ano anterior, quando o país atingiu US$ 3,14 bilhões. O indicador reforça a força das exportações nacionais, que seguem sustentadas por commodities estratégicas em um cenário global de oscilações de preços.

Dinâmica das exportações e o papel das commodities

O crescimento de 12,9% nas exportações brasileiras durante o mês foi impulsionado majoritariamente pela indústria extrativa, com destaque para o petróleo bruto e o minério de cobre. O setor de petróleo, em particular, beneficiou-se de um aumento de 24,7% nos preços médios, influenciado diretamente pelo agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que impactam a cotação internacional da energia.

Além da extração, o agronegócio e a indústria de transformação mantiveram patamares sólidos. Produtos como farelos de soja e combustíveis registraram altas expressivas, enquanto a exportação de café não torrado continuou a contribuir positivamente para o fluxo de divisas. A corrente de comércio, que soma exportações e importações, atingiu US$ 61,09 bilhões, marcando o maior valor já registrado para meses de setembro na série histórica do país.

Comércio exterior e as relações com grandes mercados

Apesar das tensões comerciais e da aplicação de novas tarifas, as vendas para os Estados Unidos avançaram 31,9% em setembro. O mercado europeu também se destacou, com um crescimento de 51,9% nas exportações brasileiras, movimento que analistas atribuem, em parte, aos desdobramentos do acordo comercial com o Mercosul, que tem facilitado o escoamento de produtos, especialmente do setor alimentício.

Em contrapartida, as vendas para a Ásia registraram uma queda de 2,5%, enquanto o volume comercializado com a América do Sul permaneceu estável. O cenário reflete uma reconfiguração constante das rotas comerciais brasileiras, que buscam equilibrar a dependência de grandes blocos econômicos diante de um ambiente externo marcado por incertezas políticas e econômicas.

Impacto dos juros e projeções para o encerramento do ano

Enquanto as exportações crescem, as importações apresentaram um recuo de 2,4% em setembro. O dado chama a atenção para a categoria de bens de capital, que teve queda de 29,8%. Especialistas apontam que a desaceleração na compra de máquinas e equipamentos é um reflexo direto do atual patamar de juros, que inibe novos investimentos por parte da indústria nacional.

Para o fechamento de 2026, o Mdic revisou sua projeção de superávit de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões. Embora a estimativa tenha sido reduzida, o saldo ainda se posiciona como o segundo melhor da série histórica, iniciada em 1989, ficando atrás apenas do recorde de 2023. O mercado financeiro, por meio do boletim Focus, mantém uma visão ligeiramente mais conservadora, projetando um superávit de US$ 78,3 bilhões.

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