A menos de uma semana para as eleições, uma nova pesquisa Datafolha aponta que a percepção pública sobre o Congresso Nacional permanece majoritariamente negativa. O levantamento, divulgado no último sábado (26), revela que 37% dos eleitores consideram o trabalho de deputados federais e senadores como ruim ou péssimo. Em contrapartida, apenas 18% avaliam o desempenho do Legislativo como ótimo ou bom, enquanto 40% o classificam como regular. Outros 6% dos entrevistados não souberam opinar.
Os resultados refletem um cenário de insatisfação persistente, com números muito próximos aos registrados pelo mesmo instituto em maio, quando a avaliação negativa também atingiu 37%, a positiva ficou em 15%, e a regular em 43%. Essa estabilidade nos índices de desaprovação sublinha um desafio contínuo para a representatividade e a legitimidade do Poder Legislativo junto à população brasileira, especialmente em um período crucial de definição de novos mandatos.
A Persistência da Insatisfação Popular com o Legislativo
A pesquisa Datafolha, que ouviu 2.002 eleitores entre os dias 22 e 23 de setembro em 125 municípios brasileiros, apresenta uma margem de erro geral de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com um índice de confiança de 95%. O levantamento, registrado no TSE sob o código BR-00304/2026, foi contratado pela Folha e pela TV Globo, conferindo-lhe ampla relevância no debate público.
A manutenção da alta taxa de desaprovação do Congresso Nacional, mesmo com a proximidade das urnas, sugere que a percepção dos eleitores sobre a atuação dos parlamentares está consolidada. A categoria “regular”, embora não seja explicitamente negativa, pode indicar uma falta de entusiasmo ou de reconhecimento de um trabalho que impacte positivamente a vida dos cidadãos, contribuindo para um sentimento geral de ceticismo.
Divisões na Percepção: Voto, Renda e Gênero Influenciam Avaliação
A análise dos dados demográficos da pesquisa Datafolha revela nuances importantes na forma como diferentes segmentos da sociedade brasileira enxergam o Congresso. Entre os eleitores do presidente Lula (PT), 22% avaliam o Legislativo de forma positiva, um índice superior aos 15% registrados entre aqueles que declararam voto no senador Flávio Bolsonaro (PL). Essa diferença pode indicar uma polarização na percepção, onde a afiliação política influencia diretamente a visão sobre a atuação dos congressistas.
Outro ponto de destaque é a disparidade entre gêneros e faixas de renda. A percepção de um Congresso “ruim ou péssimo” é significativamente maior entre os homens (43%), em comparação com as mulheres (32%). Similarmente, eleitores com renda acima de cinco salários mínimos (51%) são mais críticos do que aqueles que recebem até dois salários mínimos (30%). Essas variações podem refletir diferentes expectativas, prioridades e experiências com as políticas públicas e a representação parlamentar.
Regionalmente, a desaprovação também se manifesta de forma heterogênea: 41% no Sudeste, 36% no Sul, 32% no Nordeste e 38% no Centro-Oeste e Norte classificaram o Congresso como ruim ou péssimo. Já a avaliação positiva é maior no Nordeste (21%), seguida por Sudeste (16%), Sul (16%) e Centro-Oeste/Norte (17%).
O Cenário Eleitoral e a Importância do Congresso para o Próximo Mandato
A eleição que se aproxima definirá os 513 deputados federais, distribuídos por bancadas proporcionais à população de cada estado, e 54 senadores, o equivalente a duas cadeiras por unidade federativa. A renovação de dois terços do Senado neste ano confere a esta eleição uma importância estratégica particular. Partidos e coligações buscam intensamente conquistar a maioria das cadeiras, visando influenciar a agenda legislativa e o equilíbrio de poder.
Campanhas de direita, especialmente as ligadas ao bolsonarismo, têm vocalizado o objetivo de obter uma maioria no Senado para, entre outras pautas, conseguir tramitar processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Esse cenário evidencia como a composição do Congresso é vista como um instrumento fundamental para a concretização de agendas políticas específicas, tornando a percepção pública sobre o Legislativo ainda mais relevante para o futuro político do país.
Desconfiança Generalizada: O Congresso em Meio à Crise Institucional
A avaliação do Congresso Nacional não ocorre isoladamente, mas em um contexto mais amplo de desconfiança nas instituições brasileiras. Uma pesquisa Datafolha anterior revelou que a desconfiança em relação ao STF superou numericamente, pela primeira vez, a observada em outras instituições, atingindo 48% dos eleitores. O Congresso Nacional, por sua vez, registrou 45% de desconfiança, o mesmo índice dos partidos políticos, enquanto a Presidência da República ficou com 42%.
A crise envolvendo o Banco Master, que implicou diversos deputados e senadores, certamente contribuiu para essa percepção. No entanto, as relações de ministros do Supremo com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro também geraram grande impacto na opinião pública, mostrando que a crise de confiança é multifacetada e atinge os diferentes poderes da República. Esse ambiente de ceticismo generalizado representa um desafio significativo para a governabilidade e a estabilidade democrática do Brasil.
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