A madrugada de sábado (8) foi marcada por uma tragédia na Avenida Pirajussara, Zona Oeste de São Paulo, onde a aposentada Luciene Rocha Ferreira, de 53 anos, perdeu a vida após ser brutalmente atropelada. O incidente, que chocou a região do Jardim Taboão, ganha contornos ainda mais graves com a fuga do motorista responsável e a suspeita de que o acidente possa ter sido resultado de uma disputa ilegal de velocidade, popularmente conhecida como “racha”. A polícia agora concentra esforços para localizar o condutor e esclarecer as circunstâncias exatas que levaram à morte da pedestre.
O Trágico Atropelamento e a Fuga do Condutor
Luciene Rocha Ferreira retornava para casa após participar de uma vigília em uma igreja próxima quando foi atingida por um veículo. O atropelamento ocorreu por volta da meia-noite. A vítima sofreu diversas fraturas e, apesar do rápido socorro do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), não resistiu aos ferimentos e faleceu antes mesmo de chegar à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da região.
O carro envolvido no acidente foi um Volkswagen Up preto, que foi abandonado sem a chave pelo condutor, identificado como Caio Borato, de 19 anos. Das três pessoas que estavam no veículo no momento da colisão, apenas um passageiro permaneceu no local para aguardar a chegada das autoridades. Em seu depoimento à polícia, o passageiro relatou que eles estavam voltando para casa quando foram surpreendidos por uma pessoa atravessando a avenida correndo, fora da faixa de pedestres. Ele afirmou que o motorista freou imediatamente, mas não conseguiu evitar o impacto.
Segundo o relato, Caio Borato se afastou dos amigos logo após desembarcar, caminhando em direção ao carro de um conhecido que os acompanhava e havia estacionado metros à frente. O motorista não atendeu às ligações do amigo e, desde então, fugiu do local. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que “diligências para localizá-lo estão em andamento”, e o caso foi registrado como homicídio culposo na condução de automóvel, indicando que não houve intenção de matar.
A Hipótese do “Racha” e os Relatos das Testemunhas
A investigação ganhou uma nova e preocupante linha a partir dos depoimentos de testemunhas. Pessoas que estavam em um ponto de ônibus nas proximidades do local do acidente afirmaram ter visto dois veículos passando em alta velocidade, em uma aparente disputa de “racha”, segundos antes do atropelamento fatal. Essa informação levanta sérias questões sobre a imprudência no trânsito e o desrespeito às leis de segurança viária.
O outro carro mencionado pelas testemunhas era um Chevrolet Cruze prata. O condutor deste veículo também foi ouvido pela polícia e declarou que havia encontrado Borato e os outros dois amigos em um posto de combustíveis, e que estava seguindo-os pela Avenida Pirajussara. Ele relatou ter visto um “vulto” passando no meio da via e, em seguida, ouviu o barulho da frenagem e da batida.
Os policiais militares que atenderam a ocorrência reforçaram a versão das testemunhas, indicando que os dois veículos teriam saído de um semáforo em arrancada na mesma avenida. A busca por imagens de câmeras de segurança na região é crucial para confirmar a suspeita de racha envolvendo o Volkswagen Up, que já foi apreendido, e o Chevrolet Cruze. A confirmação dessa prática pode agravar significativamente a situação jurídica dos envolvidos, transformando o homicídio culposo em uma infração com penas mais severas, dada a assunção de risco.
Segurança no Trânsito e o Impacto na Capital Paulista
O trágico incidente na Avenida Pirajussara reflete um cenário complexo da segurança no trânsito da capital paulista. Embora o estado de São Paulo tenha registrado uma queda geral nas mortes no trânsito, a cidade de São Paulo, paradoxalmente, viu um aumento nos óbitos no primeiro semestre do ano. Os dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP) revelam um crescimento de 1,2% no total de mortes, passando de 483 em 2025 para 489 em 2026.
A análise detalhada dos números aponta para um aumento preocupante entre motociclistas (+8,2%) e pedestres (+1,6%), categoria na qual Luciene Rocha Ferreira se enquadra. Enquanto os ocupantes de automóveis tiveram uma queda (-22,4%) e os ciclistas permaneceram estáveis, a vulnerabilidade dos pedestres e motociclistas nas vias urbanas continua sendo um desafio persistente para as autoridades e para a sociedade. A imprudência, a alta velocidade e a desatenção, como as que possivelmente culminaram no atropelamento de Luciene, são fatores que contribuem diretamente para essas estatísticas alarmantes.
A Avenida Pirajussara, uma via de grande fluxo na Zona Oeste, exige atenção redobrada de motoristas e pedestres. Casos como o de Luciene Rocha Ferreira servem como um doloroso lembrete da importância da conscientização no trânsito, do respeito às leis e da necessidade de fiscalização rigorosa para coibir práticas perigosas como os rachas, que transformam ruas em pistas de corrida e ceifam vidas inocentes. A comunidade aguarda por respostas e justiça para Luciene, enquanto a polícia segue com as investigações para que o responsável seja devidamente responsabilizado.
Para se manter informado sobre este e outros casos que impactam a segurança e o cotidiano da capital paulista, continue acompanhando o M1 Metrópole. Nosso compromisso é com a informação relevante, atual e contextualizada, oferecendo uma cobertura aprofundada dos fatos que moldam a nossa realidade.