Um caso que já choca a opinião pública ganha novos e graves contornos. O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, que já se encontra detido sob a acusação de feminicídio contra sua esposa, a policial militar Gisele Alves, agora é alvo de uma nova e contundente denúncia. Uma soldado da Polícia Militar de São Paulo, de 32 anos, formalizou acusações de assédio sexual e moral, ameaça, perseguição, pressão e coação, tanto dentro quanto fora da corporação, contra o oficial.
A denúncia, apresentada à Corregedoria da PM pelo advogado da soldado, Thiago Lacerda, detalha uma série de investidas que teriam ocorrido por um período significativo, revelando um padrão de comportamento que levanta sérias questões sobre abuso de poder e conduta dentro de instituições militares.
Novas Acusações Detalhadas: Assédio Sexual e Moral na Corporação
Segundo o relato da soldado, o tenente-coronel Geraldo Neto teria descoberto seu endereço residencial e, em diversas ocasiões, foi até o local. Em um dos episódios, ocorrido em 30 de setembro de 2025, ele teria ido ao prédio da soldado sem uniforme, usando boné e óculos escuros, e levado um buquê de flores. Ao reconhecê-lo, a policial teria retornado ao apartamento sem atendê-lo. O oficial, então, teria gritado no portão e, posteriormente, enviado mensagens informando que havia deixado as flores na portaria.
Uma câmera de segurança do condomínio registrou uma dessas visitas, mostrando o oficial fardado e em viatura oficial, em outra ocasião. Além das visitas presenciais, a denúncia inclui mensagens de WhatsApp em que Neto expressava o desejo de beijá-la, a queria “para ele” e sugeria um relacionamento “em off”. A soldado afirma ter recusado todas as investidas, reiterando que nunca manteve qualquer tipo de relacionamento com o coronel.
Apesar das recusas, a policial relata que se tornou alvo de comentários nos corredores da corporação, justamente pela insistência do oficial, o que gerou um ambiente de constrangimento e desconforto.
Abuso de Hierarquia e o Medo da Denúncia
A denúncia de oito páginas detalha que o assédio e a perseguição por parte de Geraldo Neto teriam ocorrido entre 26 de junho de 2025 e 4 de março de 2026, período que se estende até duas semanas após a morte de Gisele Alves. Na época, o tenente-coronel comandava o 49º Batalhão da Polícia Militar Metropolitano (BPM/M), em Pirituba, Zona Norte, onde a soldado trabalhava, o que configura uma clara relação de subordinação.
A policial afirma que o oficial utilizou sua posição hierárquica para pressioná-la. Ele teria oferecido a ela um cargo administrativo equivalente ao de secretária e, antes mesmo de obter uma resposta, já teria comunicado a colegas que ela assumiria a função. Após a recusa, Neto teria ameaçado transferi-la compulsoriamente, gerando um profundo medo na soldado, que passou a evitar escalas em que ele estivesse presente.
O advogado Thiago Lacerda salientou que o comportamento do oficial já era conhecido na corporação. A soldado, entretanto, só formalizou a denúncia após a prisão preventiva de Neto no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte, devido ao temor que sentia em relação ao superior.
O Contexto do Feminicídio e a Ligação com as Novas Revelações
As investidas de Geraldo Neto teriam ocorrido enquanto ele ainda era casado com a policial militar Gisele Alves, que tinha a mesma idade da denunciante. Gisele foi encontrada baleada com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento do casal, no Brás, região central de São Paulo. Ela faleceu no hospital após ser socorrida.
De acordo com o Ministério Público (MP), o tenente-coronel teria assassinado a esposa por não aceitar o pedido de separação feito por ela, após Gisele descobrir traições do marido com outras mulheres. A soldado que agora o denuncia por assédio sexual, porém, reforça que nunca teve qualquer relacionamento com o oficial, apesar dos comentários na corporação que a apontavam como suposta amante.
A denúncia aponta que Neto voltou a procurar a soldado mesmo após a morte de Gisele, tentando se justificar, mas ela recusou o contato. O documento também afirma que o nome da soldado passou a ser associado a um suposto relacionamento extraconjugal, o que intensificou seu constrangimento e sofrimento.
Desdobramentos Legais e a Situação do Oficial
Atualmente, Geraldo Neto é réu na Justiça comum por feminicídio e fraude processual. A Polícia Civil apontou um comportamento controlador do oficial, que, segundo a investigação, teria matado Gisele e tentado simular um suicídio. A defesa do coronel, representada pelo advogado Eugênio Malavasi, alega inocência e sustenta a tese de suicídio da esposa.
A Polícia Militar informou que os fatos narrados na nova denúncia foram registrados na Corregedoria e estão em apuração. Além do processo criminal, o tenente-coronel responde a um Conselho de Justificação da PM, que pode resultar na perda do posto e da patente. O Ministério Público também questiona a aposentadoria concedida ao oficial, que, mesmo preso, continua recebendo salário, situação que pode ser revertida caso ele seja expulso da corporação.
As audiências do Conselho de Justificação, que incluem a acusação de uso da função para tentar influenciar policiais que atenderam a ocorrência da morte da esposa (gravadas por câmeras corporais), estão marcadas por videoconferência para os dias 11 e 14 de maio.
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