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Líder de ‘arrastadores’ é preso em operação contra golpes no Aeroporto de Guarulhos

Montagem/g1
Reprodução G1

A Polícia Civil de São Paulo realizou uma importante prisão nesta sexta-feira (26), detendo o homem apontado como o chefe de uma quadrilha de falsos motoristas de aplicativo, conhecidos como “arrastadores”. O grupo é responsável por aplicar golpes e extorquir passageiros no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, um dos mais movimentados do país. A ação, parte da Operação Rapere 2, representa um avanço significativo no combate a um esquema criminoso que há anos atormenta viajantes e mancha a imagem do principal portão de entrada e saída do Brasil.

O indivíduo, identificado como Adenilson da Silva Paranhos, de 40 anos, também conhecido pelo apelido de “Zóio”, foi localizado no próprio aeroporto. Segundo as investigações, ele estava no local aguardando novas vítimas, evidenciando a audácia e a persistência da quadrilha. Além da prisão temporária de Paranhos, a operação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao investigado e a outros envolvidos, buscando desmantelar a estrutura do grupo criminoso.

A complexa teia dos ‘arrastadores’ e a extorsão de passageiros

Os “arrastadores” operam um esquema sofisticado de extorsão, abordando passageiros, muitas vezes idosos, turistas e estrangeiros, que desembarcam no aeroporto. Eles se apresentam como motoristas de aplicativos ou táxis, convencendo as vítimas a aceitar uma corrida. No entanto, ao final do trajeto, os valores cobrados podem ser até 70 vezes maiores do que o preço real, e a recusa em pagar é seguida de ameaças e coação.

A vulnerabilidade dos passageiros, que chegam cansados, desorientados e muitas vezes sem conhecer a dinâmica local, é explorada de forma cruel. Além de lesar os viajantes, a quadrilha também intimida e acua motoristas de aplicativo e taxistas legalizados, criando um ambiente de insegurança e desordem nos acessos ao aeroporto. Este cenário não apenas prejudica a experiência dos usuários, mas também afeta a reputação do aeroporto e, por extensão, do turismo na região.

Investigação e o histórico de combate ao crime organizado

A investigação que culminou na prisão de “Zóio” teve início a partir da análise de cerca de 30 boletins de ocorrência registrados por passageiros que foram vítimas do grupo. Os levantamentos indicam que a quadrilha de “arrastadores” atua desde 2021, consolidando um modus operandi que se tornou um desafio constante para as autoridades de segurança pública. A Operação Rapere 2 é um desdobramento de esforços anteriores para conter essa prática.

No último dia 19, a primeira fase da operação já havia resultado na prisão de três pessoas suspeitas de integrarem o grupo criminoso, demonstrando a continuidade e a intensidade do trabalho policial. Em maio, a Polícia Civil também havia deflagrado uma operação de fiscalização nos acessos ao Terminal 2 do aeroporto, após uma série de brigas, agressões e ataques envolvendo taxistas e motoristas clandestinos. Esses incidentes sublinham a tensão e a violência inerentes a essa disputa por território e lucro ilegal.

A disputa antiga e o impacto na segurança aeroportuária

A atuação de motoristas clandestinos no Aeroporto de Guarulhos não é um problema recente, mas uma disputa antiga que se arrasta por anos. Em dezembro de 2024, uma reportagem do programa Fantástico, da TV Globo, já havia exposto a ação de falsos motoristas de aplicativo abordando passageiros dentro dos terminais. A matéria detalhava como os criminosos convenciam as vítimas e, posteriormente, cobravam valores abusivos, recorrendo a ameaças em caso de recusa.

Um ano depois, em dezembro de 2025, a situação permanecia inalterada, com os mesmos problemas sendo registrados nos terminais. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) revelou que o esquema já havia sido identificado há pelo menos cinco anos, classificando o grupo como uma organização criminosa estruturada. A PRF estimou que a quadrilha operava com mais de 100 carros irregulares e faturava mais de R$ 3 milhões por mês, um volume que demonstra a dimensão do problema e o poder financeiro por trás da rede de extorsão. Relatórios com a identificação de motoristas e veículos foram encaminhados aos órgãos de segurança, reforçando a necessidade de uma ação coordenada e contínua.

A prisão de Adenilson da Silva Paranhos é um passo importante para restaurar a segurança e a confiança dos passageiros que utilizam o Aeroporto de Guarulhos. No entanto, o histórico do problema sugere que a vigilância e as operações de combate aos “arrastadores” devem ser constantes para evitar que novas lideranças surjam e o esquema se reorganize. A sociedade e as autoridades precisam manter-se atentas para garantir que o aeroporto seja um local seguro e acolhedor para todos os viajantes. Para mais informações sobre este e outros temas relevantes, continue acompanhando o M1 Metrópole, seu portal de notícias com informação de qualidade e contextualizada.

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