Um apartamento de luxo pertencente à empresa da apresentadora Ana Hickmann, localizado no bairro de Perdizes, na Zona Oeste de São Paulo, foi levado a leilão por determinação judicial. O imóvel, avaliado em R$ 5,2 milhões, é o centro de uma disputa judicial que envolve uma dívida de R$ 11,3 milhões, cobrada pela empresa Informação com Ênfase – Ice Propaganda Ltda. A apresentadora e seu ex-marido, Alexandre Bello Correa, figuram como fiadores no contrato de empréstimo que originou a cobrança.
O segundo leilão do bem teve início em 18 de setembro e está programado para ser encerrado às 16h de 8 de outubro. O lance mínimo estipulado corresponde a 80% do valor da avaliação, totalizando R$ 4,16 milhões, valor que será atualizado até o mês de encerramento do processo. A venda é conduzida exclusivamente pela plataforma Alienajud, um ambiente digital para leilões judiciais.
Alegação de fraude e a contestação de Ana Hickmann
A equipe jurídica e a assessoria de imprensa de Ana Hickmann informaram que o leilão estaria parcialmente suspenso por uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo. Além disso, a defesa da apresentadora contesta o valor da avaliação do imóvel em outro recurso, embora os dados estejam publicamente disponíveis para consulta e lances.
O ponto central da defesa de Ana Hickmann reside na alegação de que o contrato supostamente firmado entre a Hickmann Serviços e a Informação com Ênfase – Ice Propaganda Ltda., em setembro de 2023, contém uma assinatura falsificada da apresentadora. Segundo a defesa, a assinatura de Alexandre Correa também está presente no documento, e ele era o responsável pela gestão da empresa na época. O referido contrato já está sob investigação do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), e o representante legal da Ice Propaganda já prestou os primeiros esclarecimentos.
A apresentadora obteve aprovação para a realização de uma perícia grafotécnica, que deve ocorrer em breve, com o objetivo de comprovar a falsificação de sua assinatura. A nota da defesa ressalta que exames similares já identificaram falsificações de assinaturas da empresária em documentos relacionados a grandes instituições financeiras como Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Safra, conforme consta em outros processos judiciais. Processos cíveis e criminais já estão em andamento para apurar a autoria dessas falsificações.
O luxuoso apartamento em Perdizes: detalhes e estrutura
O imóvel em questão é um apartamento do tipo garden, situado no andar térreo do Edifício IV (Belvedere), parte do Conjunto Perdizes Nobre – Bloco A – Place Royale, na Rua Monte Alegre, 838. Com uma área privativa coberta de 251,50 m² e uma área privativa descoberta de 156,24 m², o apartamento possui uma área total de 672,381 m², incluindo as áreas comuns. O imóvel ainda conta com seis vagas de garagem.
A unidade é composta por 3 suítes, uma sala principal espaçosa para três ambientes, sala de almoço, cozinha, área de serviço completa com dependência para funcionários, churrasqueira coberta e uma ampla área externa privativa que abraça os dormitórios e a área social. O laudo pericial classificou o imóvel como residencial de padrão fino. O condomínio oferece uma infraestrutura completa, com piscina descoberta, piscina coberta e aquecida, academia, playground, brinquedoteca, salão de festas, quadra poliesportiva e sauna.
No momento da elaboração do edital, o apartamento estava desocupado e não apresentava débitos de IPTU ou condomínio até julho de 2026, o que pode ser um atrativo para potenciais compradores, apesar da complexidade jurídica envolvida.
Contexto da separação e outras pendências financeiras
A disputa pelo apartamento se insere em um contexto mais amplo de problemas financeiros e legais que vieram à tona após a separação de Ana Hickmann e Alexandre Bello Correa, em dezembro de 2023. A apresentadora registrou um boletim de ocorrência por violência doméstica e, segundo ela, um dos principais motivos das divergências foi a descoberta de que o então marido havia acumulado dívidas substanciais em seu nome sem seu conhecimento ou consentimento.
A dívida de R$ 11,3 milhões que levou o apartamento a leilão tramita na 33ª Vara Cível do Foro Central da Capital de São Paulo. Além desta, a matrícula do imóvel revela outros registros de penhoras e ações de execução movidas por diversas instituições financeiras e credores contra Alexandre Bello Correa. Entre os registros, há penhoras que afetam 50% do imóvel e outras que abrangem a propriedade como um todo, relacionadas a diferentes processos de execução. O edital também informa que o imóvel foi dado em hipoteca em favor de Itaú Unibanco S/A, Banco Itauleasing S/A e Banco Itaucard S/A.
Alexandre Correa, por sua vez, nega as acusações de fraude, classificando-as como “fake news”. Ele afirma que as dívidas foram contraídas em razão dos “vultosos gastos familiares”. A Justiça, em um dos desdobramentos, já bloqueou veículos de uma empresa de Ana Hickmann por dívida de R$ 117 mil em cheques sem fundo, e mensagens em outro processo mostram Correa prometendo quitar dívidas, conforme noticiado anteriormente. A complexidade do caso e a repercussão pública continuam a gerar debates sobre a gestão financeira de figuras públicas e os desafios legais em situações de divórcio e alegações de fraude.
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