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Anvisa aprova novo medicamento para câncer de pulmão avançado

Anvisa aprova novo medicamento para câncer de pulmão avançado
Marcelo Camargo - 14.out.26/Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou o registro do Emrelis, conhecido quimicamente como telisotuzumabe vedotina. O imunoterápico é indicado para pacientes adultos diagnosticados com câncer de pulmão de não pequenas células avançado ou metastático, sendo considerado o tipo mais comum da doença na população.

A autorização oficial, formalizada por meio de resolução no Diário Oficial da União, destina-se especificamente a pessoas cujos tumores apresentam alta expressão da proteína c-Met e que já passaram por terapias anteriores contra o problema. O Brasil passa a ser o segundo país em todo o mundo a autorizar o uso dessa substância, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

Como atua a terapia-alvo no organismo

Desenvolvido pela farmacêutica AbbVie, o fármaco funciona por meio de uma tecnologia que combina um anticorpo monoclonal a um agente com capacidade de destruir células doentes. Essa estrutura molecular reconhece e se liga especificamente à proteína c-Met encontrada na superfície das células tumorais.

Com essa precisão, a substância citotóxica é liberada diretamente no interior das células cancerígenas, reduzindo os danos aos tecidos saudáveis ao redor. A aplicação ocorre de maneira intravenosa e o cronograma exige sessões a cada duas semanas, sempre sob rigorosa supervisão médica em ambiente hospitalar.

Resultados clínicos e desafios regulatórios

A liberação da agência reguladora teve como base os dados coletados em um estudo clínico de fase 2, que mediu tanto a segurança quanto a eficácia do composto em pacientes já tratados anteriormente. No subgrupo que apresentava alta expressão da proteína alvo, os pesquisadores registraram redução mensurável dos tumores em 34,5% dos participantes.

A duração mediana da resposta terapêutica alcançou 7,2 meses, conforme dados atualizados recentemente. Antes de chegar às prateleiras e clínicas nacionais, contudo, o produto precisa passar pelo crivo da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos para a definição do teto de preço, etapa que ainda não tem data confirmada.

Segurança e o cenário da doença no Brasil

Como ocorre com a maioria das terapias oncológicas modernas, o tratamento pode provocar reações adversas significativas. Entre os efeitos colaterais relatados nos estudos estão quadros de neuropatia periférica — que afetam a sensibilidade dos membros —, fadiga crônica, inchaço e episódios de inflamação pulmonar que exigem monitoramento constante.

O impacto da enfermidade no país é expressivo. De acordo com projeções oficiais divulgadas pelo Instituto Nacional de Câncer, o país deve registrar milhares de novos diagnósticos anuais ao longo do triênio atual, mantendo o tabagismo como principal fator de risco associado ao desenvolvimento de tumores malignos na região torácica.

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