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Ansiedade: como seu relógio de saúde pode gerar preocupação inesperada

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Milhões de pessoas em todo o mundo adotaram os dispositivos vestíveis, como smartwatches, com a promessa de um acompanhamento contínuo e preciso de sua saúde e desempenho físico. Esses aparelhos, que se tornaram onipresentes em pulsos e bolsos, oferecem dados valiosos sobre níveis de atividade, qualidade do sono e frequência cardíaca, transformando a maneira como muitos interagem com o próprio corpo. No entanto, para uma parcela crescente de usuários, essa tecnologia, concebida para promover o bem-estar, pode paradoxalmente desencadear um aumento da ansiedade e outras consequências indesejadas para a saúde mental.

A experiência de um homem, relatada pela Professora Associada de Psicologia da Universidade de Surrey, Jennifer Murphy, ilustra bem essa dinâmica. Após uma longa caminhada, sentindo-se plenamente bem, ele checou seu smartwatch e viu uma frequência cardíaca de 130 bpm. O pânico foi instantâneo. Embora tenha percebido a causa (a altitude) cerca de 30 minutos depois, o impacto inicial da leitura do dispositivo transformou seu bem-estar em mal-estar. Esse caso não é isolado; muitos usuários relatam que seus monitores de saúde aumentaram tanto a ansiedade que precisaram abandonar o uso.

A mente previsora e a origem da ansiedade

A principal razão pela qual esses dispositivos podem amplificar a ansiedade reside na complexa interação entre o cérebro humano e os dados objetivos. Nosso cérebro opera como uma sofisticada máquina de previsão. Ele constrói e atualiza constantemente um modelo mental do ambiente e do nosso próprio corpo, comparando suas previsões com as informações sensoriais recebidas. Esse processo é fundamental para a eficiência, pois processar cada estímulo do zero seria lento e ineficaz.

Exemplos cotidianos dessa capacidade incluem a sensação de que o celular vibrou quando se espera uma mensagem importante, apenas para descobrir que não tocou, ou a habilidade de ler frases com erros de digitação porque o cérebro antecipa o que deveria estar ali. O mesmo princípio se aplica aos nossos estados corporais. O cérebro não apenas lê o estado do corpo, mas o prevê, mantendo um modelo interno de como nossa pulsação, temperatura e respiração deveriam se sentir em diferentes situações, como calma, atividade ou nervosismo.

O paradoxo do monitoramento e a ansiedade do bem-estar

Quando uma informação sensorial não corresponde a essas expectativas internas — por exemplo, uma frequência cardíaca mais alta do que o previsto — o cérebro gera um

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