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Polarização eleitoral: PT e PL forjam alianças táticas nos estados para corrida presidencial

Polarização eleitoral: PT e PL forjam alianças táticas nos estados para corrida presidencial
Bruno Santos/Folhapress; Evaristo Sá/AFP

A corrida eleitoral de 2026 já movimenta os bastidores da política brasileira, com os dois principais polos, representados pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e pelo Partido Liberal (PL), desenhando suas estratégias nos estados. Em um cenário de polarização persistente, as legendas buscam consolidar seus palanques nacionais por meio de alianças táticas e, em muitos casos, apostando em chapas puras para as disputas estaduais.

As convenções partidárias, que marcam o fechamento das composições, revelam um panorama onde a prioridade máxima é a eleição para a Presidência da República. Contudo, a construção de um arco de apoio robusto em nível nacional esbarra nas particularidades regionais e nas dinâmicas de cada unidade da federação, forçando os partidos a adaptações estratégicas.

Estratégias estaduais moldam o cenário nacional

O Partido Liberal, que tem como um de seus principais expoentes o senador Flávio Bolsonaro, planeja lançar candidatos próprios em 14 estados para os governos locais. Do outro lado, o Partido dos Trabalhadores, liderado pelo presidente Lula, apresentará postulantes a governos estaduais em 12 unidades da federação. Essa distribuição reflete a intenção de ambos os partidos de ter uma presença forte e direta em diversas regiões do país, servindo como base para a campanha presidencial.

A polarização política, que se acentuou nas últimas eleições, continua a ser um fator determinante. Na maioria dos estados, PT e PL mantiveram-se restritos aos seus respectivos campos ideológicos, encontrando dificuldades para atrair o apoio de legendas mais ao centro. Enquanto a esquerda demonstra maior coesão, unindo-se na maioria dos estados, o campo da direita apresenta um cenário mais fragmentado, marcado por disputas internas e a busca por protagonismo entre seus membros.

A ascensão das chapas puras do PL

Um dos destaques da estratégia do PL para 2026 é o crescimento significativo no número de chapas puras. Em 2022, o partido disputou as eleições com candidato a governador e vice da própria legenda em apenas três estados. Para o pleito deste ano, essa formação saltou para dez estados, incluindo importantes colégios eleitorais como Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Essa opção por chapas puras, onde todos os candidatos majoritários são do mesmo partido, sinaliza a dificuldade de Flávio Bolsonaro em replicar as amplas alianças que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, conseguiu em 2022, especialmente com partidos como PP e Republicanos. As alianças mais abrangentes do PL ficaram restritas a estados como Santa Catarina, onde o governador Jorginho Mello busca a reeleição, além do Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte, indicando uma seletividade nos acordos.

PT busca apoio no centro com acordos informais

Apesar de o presidente Lula ser o único candidato à Presidência ancorado por uma coligação formal com sete partidos, o PT também enfrentou desafios na busca por apoio formal de legendas de centro, como o PSD e o MDB. Para compensar essa lacuna, o partido articulou uma série de acordos informais nos estados, visando garantir palanques para a campanha presidencial.

O PT apoiará cinco candidatos a governador do PSD, dois do MDB, um do PP e um do União Brasil. Em contrapartida, espera-se o apoio desses candidatos e suas estruturas partidárias à candidatura de Lula. Um exemplo notável é o Rio de Janeiro, onde o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) indicou o objetivo de garantir a vitória de Lula no estado, distanciando-se de um roteiro de neutralidade na disputa nacional. O ministro de Relações Institucionais do governo Lula, José Guimarães (PT), afirmou que o partido possui palanques bem estruturados, especialmente no Sul, Sudeste e Nordeste, e que os partidos de centro liberaram seus diretórios locais, priorizando a eleição de deputados e senadores.

Desafios do PL na construção de um arco de alianças

Para Flávio Bolsonaro, a tarefa de construir um arco de alianças robusto para a disputa presidencial se mostra mais complexa. Ele não conseguiu, até o momento, formar uma coligação nacional com outros partidos, diferentemente do que ocorreu em 2022. No entanto, o PL articulou apoios para candidatos a governador de outras legendas em 11 estados, priorizando PP, União Brasil e Republicanos, buscando assim uma capilaridade regional.

Ainda assim, o senador enfrentará a ausência de apoio no primeiro turno de figuras políticas importantes, como ACM Neto (União Brasil-BA), Ciro Gomes (PSDB-CE) e Dr. Furlan (PSD-AP). Essas ausências pontuais, em estados estratégicos, podem exigir um esforço maior da campanha para penetrar em eleitorados específicos e consolidar a base de apoio necessária para a disputa nacional.

Em suma, as eleições de 2026 prometem ser um reflexo da complexidade política brasileira, onde as movimentações nos estados são peças fundamentais no tabuleiro da corrida presidencial. As alianças políticas, sejam elas formais, táticas ou por meio de chapas puras, demonstram a adaptabilidade e a busca incessante dos partidos por cada voto e cada palanque que possa impulsionar seus candidatos ao Planalto. Acompanhe o M1 Metrópole para análises aprofundadas e a cobertura completa desses e de outros temas relevantes, garantindo informação de qualidade e contextualizada sobre o cenário político nacional.

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