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Alerta da ONU: Crescimento sem precedentes de novas drogas sintéticas preocupa o mundo

20.abr.2024/Reuters
20.abr.2024/Reuters

Um relatório recente do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) acende um sinal de alerta global. A organização adverte para um “crescimento sem precedentes” no consumo de drogas em todo o mundo, impulsionado principalmente pela proliferação de novas substâncias sintéticas, que se mostram cada vez mais potentes e perigosas. Os dados revelam um cenário preocupante que exige atenção urgente das autoridades de saúde e segurança pública em escala internacional.

Em 2024, estimativas apontam que cerca de 331 milhões de pessoas, o que corresponde a 6,2% da população mundial com idades entre 15 e 64 anos, fizeram uso de alguma substância psicoativa. Este número representa um aumento significativo em comparação com os 5,2% registrados uma década antes, em 2014, evidenciando uma escalada no desafio global das drogas.

Panorama Global do Consumo de Psicoativos

A maconha, ou cannabis, mantém sua posição como a droga mais consumida globalmente, um fenômeno que tem sido influenciado, em parte, pela crescente legalização e descriminalização em diversas regiões. O relatório do UNODC indica que o número de consumidores de maconha cresceu 40% entre 2014 e 2024, atingindo quase 5% da população mundial na faixa etária analisada. Essa tendência, embora reflita mudanças nas políticas públicas, também levanta questões sobre o impacto na saúde pública e nos padrões de uso.

Além da maconha, outras substâncias como opioides, anfetaminas, cocaína e ecstasy continuam a ter uma presença marcante nos mercados ilícitos. A dinâmica do consumo e da produção dessas drogas é complexa, com variações regionais e influências de fatores socioeconômicos e culturais.

A Ascensão Perigosa das Drogas Sintéticas

O ponto mais crítico do alerta da ONU reside na ascensão vertiginosa das novas drogas sintéticas. Opioides como o fentanil, nitazenos e orfinas, que são frequentemente procurados como substitutos da heroína, estão se tornando cada vez mais acessíveis. “Observamos um aumento sem precedentes de novos tipos de drogas no mercado e, o que é preocupante, algumas são mais potentes ou perigosas do que antes”, afirmou Mónica Juma, diretora do UNODC, em comunicado.

Os produtores dessas substâncias operam em um ciclo contínuo de inovação, criando novas formulações químicas na tentativa de burlar regulamentações existentes e dificultar a detecção pelas autoridades. As apreensões de narcóticos em 2024 revelaram uma diversidade de “cinco vezes mais tipos de drogas” em comparação com o período anterior ao ano 2000. O número de novas substâncias psicoativas (NSP) em circulação chegou a 755 em 2024, com 118 delas sendo relatadas pela primeira vez, um dado que sublinha a velocidade e a escala desse fenômeno.

Impacto da Proibição do Ópio e a Busca por Alternativas

O mercado mundial de ópio e heroína tem sido profundamente afetado pela proibição do cultivo de papoula imposta pelo regime talibã no Afeganistão em 2022. Essa medida drástica levou os traficantes a buscarem alternativas sintéticas para suprir a demanda global, com o fentanil emergindo como uma das principais opções. A mudança dos opioides de origem vegetal para os sintéticos pode representar uma alteração permanente no mercado global, com repercussões significativas nos padrões de consumo e nos danos à saúde provocados por essas substâncias.

A transição para os sintéticos é particularmente alarmante devido à sua alta potência e ao risco elevado de overdose, que tem causado crises de saúde pública em diversas partes do mundo, especialmente na América do Norte. A facilidade de produção e transporte, aliada à dificuldade de detecção, torna essas drogas um desafio ainda maior para as agências de combate ao narcotráfico.

Expansão de Mercados e o Crescimento da Cocaína e Maconha

O relatório do UNODC também destaca o surgimento de novos mercados para a metanfetamina, cuja produção é significativa em Mianmar, mas também se expande para regiões como América do Norte, oeste e sul da África e sudoeste da Ásia. Essa expansão geográfica indica uma rede de tráfico cada vez mais globalizada e adaptável.

A produção de cocaína, por sua vez, aumentou mais de quatro vezes na última década. Os traficantes têm ampliado o fornecimento tanto para mercados já estabelecidos na Europa, Américas e Oceania, quanto para novos mercados emergentes na África e na Ásia. Esse crescimento na oferta de cocaína, combinado com a diversificação das rotas de tráfico, contribui para a complexidade do cenário global das drogas.

Diante desse cenário, o M1 Metrópole continuará acompanhando de perto os desdobramentos e as iniciativas globais para conter o avanço das drogas. Para se manter sempre bem-informado sobre este e outros temas relevantes, com análises aprofundadas e contextualizadas, siga o M1 Metrópole e tenha acesso a um jornalismo de qualidade e credibilidade.

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