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Alergias graves em ascensão: entenda os riscos da anafilaxia e a importância do diagnóstico

Alergias graves em ascensão: entenda os riscos da anafilaxia e a importância do diagnóstico
Folhapress

O perigo silencioso das reações alérgicas graves

O que deveria ser um momento de lazer transformou-se em uma tragédia para Lucas Cerqueira e seu marido, Erivelton Gomes, de 34 anos. Durante uma viagem a Alagoas, em maio, Gomes decidiu ignorar o histórico de sensibilidade a camarão e consumir crustáceos. Em menos de uma hora, o que começou como uma coceira no ouvido evoluiu para um quadro crítico de insuficiência respiratória, culminando em óbito. O caso, embora extremo, ilustra os riscos reais da anafilaxia, uma reação alérgica severa que exige atenção imediata e, acima de tudo, prevenção rigorosa.

Dados do Ministério da Saúde revelam que, apenas entre janeiro e junho de 2026, 40 pessoas perderam a vida no Brasil em decorrência de complicações alérgicas. O cenário é preocupante: desde 2022, o país contabilizou 499 óbitos relacionados a essas condições. Paralelamente, a demanda por atendimento no SUS disparou, saltando de 30,9 milhões de registros em 2022 para 44,5 milhões no ano passado, com 24 milhões de atendimentos contabilizados apenas na primeira metade deste ano.

Fatores que impulsionam o crescimento das alergias

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 30% da população global já conviva com algum tipo de alergia, com projeções indicando que esse número pode atingir 50% até 2050. Segundo a médica alergista e imunologista Marina Takao, do Hospital das Clínicas da Unicamp, esse avanço não é aleatório. Mudanças no estilo de vida, níveis elevados de estresse e a exposição constante à poluição atuam como gatilhos que desregulam o sistema imunológico.

Além dos fatores ambientais, a predisposição genética desempenha um papel central. Conforme explica Chayanne Andrade, do Departamento Científico de Anafilaxia da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), a alergia pode se manifestar em qualquer fase da vida. “É possível desenvolver alergias na infância ou na vida adulta. A exposição ambiental e o histórico pessoal são determinantes para o surgimento dos sintomas”, afirma a especialista.

Diagnóstico e o papel da medicina preventiva

Muitas pessoas buscam exames laboratoriais na esperança de um diagnóstico definitivo, mas a prática médica aponta que a investigação deve ser guiada pelo histórico clínico. Entre os métodos mais eficazes, destaca-se o teste de provocação oral, realizado em ambiente hospitalar monitorado. Segundo Flavia Anísio, do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), esse procedimento permite confirmar ou descartar a hipersensibilidade de forma segura, administrando doses progressivas do alérgeno.

As manifestações mais comuns incluem rinite, asma, dermatite atópica e urticária. No campo alimentar, um grupo restrito de itens é responsável por mais de 90% das reações graves: leite de vaca, ovos, amendoim, castanhas, trigo, soja, peixes, crustáceos e gergelim. A recomendação dos especialistas é unânime: o tratamento mais eficaz é a exclusão total do agente causador. “Muita gente acredita que uma pequena quantidade não fará mal, mas a memória imunológica do corpo não distingue a dosagem. O contato deve ser evitado rigorosamente”, alerta Andrade.

O que é a anafilaxia e como agir

A anafilaxia é a forma mais perigosa de reação alérgica, caracterizada pela liberação descontrolada de mediadores inflamatórios. Esse processo causa o estreitamento das vias aéreas, inchaço da laringe e queda brusca da pressão arterial. O reconhecimento precoce dos sintomas e o acesso rápido a um serviço de emergência são os únicos fatores que separam um susto de uma fatalidade. A conscientização sobre o próprio corpo e o respeito aos limites impostos pela saúde são, portanto, as melhores ferramentas de proteção.

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