PUBLICIDADE

Agricultura regenerativa: Mariangela Hungria aponta caminho para enfrentar crises climáticas no Roda Viva

Agricultura regenerativa: Mariangela Hungria aponta caminho para enfrentar crises climáticas no Roda Viva

A engenheira agrônoma e pesquisadora da Embrapa, Mariangela Hungria, foi a convidada do programa Roda Viva, da TV Cultura, nesta segunda-feira (20), para um debate crucial sobre os desafios impostos pelas crises climáticas à agricultura brasileira. Em uma análise aprofundada, Hungria destacou o papel fundamental da agricultura regenerativa como uma estratégia eficaz não apenas para mitigar os impactos das mudanças no clima, mas também para garantir a segurança alimentar e a sustentabilidade do setor. A urgência de um engajamento global para a redução das emissões de carbono e a aplicação prática de pesquisas científicas foram pontos centrais de sua participação.

A discussão no Roda Viva, com apresentação de Ernesto Paglia, ecoa a crescente preocupação com os efeitos cada vez mais evidentes da instabilidade climática no campo. Ondas de calor, secas prolongadas e chuvas irregulares têm se tornado uma realidade recorrente, ameaçando a produtividade das lavouras e a subsistência de comunidades agrícolas em diversas regiões do país. Mariangela Hungria trouxe à tona a necessidade de uma transformação nos modelos de produção, apontando para soluções que já se mostram eficazes e resilientes.

A Resiliência da Agricultura Regenerativa

Durante a entrevista, Mariangela Hungria detalhou como a adoção de práticas de agricultura regenerativa confere maior resistência às lavouras frente a eventos climáticos extremos. Diferentemente do manejo tradicional, que muitas vezes exaure o solo e o torna mais vulnerável, os sistemas regenerativos buscam restaurar a saúde do ecossistema agrícola. Práticas como o plantio direto, a rotação de culturas e a integração lavoura-pecuária foram citadas como pilares dessa abordagem.

O plantio direto, por exemplo, minimiza a perturbação do solo, mantendo a cobertura vegetal e a matéria orgânica, o que melhora a capacidade de retenção de água e reduz a erosão. Já a rotação de culturas contribui para a diversidade biológica do solo, quebrando ciclos de pragas e doenças, e otimizando o uso de nutrientes. A integração lavoura-pecuária, por sua vez, combina a produção agrícola e a criação de animais na mesma área, promovendo sinergias que enriquecem o solo e aumentam a produtividade de forma sustentável. Essas práticas, segundo a pesquisadora, são essenciais para construir um sistema agrícola mais robusto e adaptável às variações climáticas.

Inovação e Ciência a Serviço do Campo

A pesquisadora da Embrapa enfatizou o papel decisivo da ciência e da tecnologia no desenvolvimento de soluções para a agricultura do futuro. Estudos liderados pela Embrapa e parceiros, como a Fundação MT, têm focado em ferramentas avançadas para fortalecer a resiliência das culturas. Para mais informações sobre as pesquisas e iniciativas da Embrapa, visite o site oficial. Entre as inovações destacadas, a bioanálise do solo e a edição gênica surgem como frentes promissoras para criar variedades de plantas mais tolerantes ao estresse hídrico.

A bioanálise do solo permite um entendimento aprofundado da saúde microbiológica e da estrutura do solo, orientando as melhores práticas de manejo e o uso de insumos. Já a edição gênica oferece a possibilidade de desenvolver culturas com características específicas, como maior resistência à seca, de forma mais precisa e eficiente. Mariangela Hungria também ressaltou a importância dos bioinsumos, que promovem o desenvolvimento de sistemas radiculares mais profundos nas plantas e a formação de “géis de proteção” nas raízes. Estes géis atuam como uma barreira natural, evitando a perda de água e permitindo que as plantas resistam a períodos de estiagem mais longos.

O Desafio do Desperdício de Alimentos e a Urgência Climática

Além das estratégias de resiliência, Mariangela Hungria chamou a atenção para outro ponto crítico: o desperdício de alimentos. “Nós ainda desperdiçamos muito para produzir alimentos”, afirmou a engenheira agrônoma, sublinhando que a ineficiência na cadeia produtiva agrava a pressão sobre os recursos naturais e contribui para as emissões de gases de efeito estufa. A redução do desperdício, portanto, é uma medida complementar e igualmente urgente no combate às crises climáticas, pois otimiza o uso da terra, da água e da energia empregados na produção.

Apesar de todos os avanços tecnológicos e das práticas regenerativas, a pesquisadora alertou que a degradação climática pode, em cenários mais pessimistas, inviabilizar a agricultura em grandes extensões de terra, especialmente em regiões já vulneráveis como o Nordeste brasileiro. Essa projeção reforça a necessidade de um engajamento não apenas dos produtores e pesquisadores, mas de toda a sociedade e governos, para implementar políticas e ações que freiem o aquecimento global e promovam a adaptação dos sistemas agrícolas.

A participação de Mariangela Hungria no Roda Viva reforça a complexidade do cenário agrícola diante das mudanças climáticas, mas também aponta caminhos viáveis e cientificamente embasados para um futuro mais sustentável. A mensagem é clara: a inovação, a adoção de práticas regenerativas e a conscientização sobre o uso eficiente dos recursos são indispensáveis para proteger a produção de alimentos e garantir a segurança ambiental do país. Para acompanhar mais análises aprofundadas sobre temas cruciais como agricultura, meio ambiente e tecnologia, continue acessando o M1 Metrópole, seu portal de informação relevante e contextualizada.

Leia mais

PUBLICIDADE