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Carruagens do Central Park: passeios suspensos após morte de turista indiano

17.jun.2026/NYT
Reprodução Folha

Os tradicionais passeios de carruagem puxadas por cavalos no Central Park, em Nova York, foram suspensos voluntariamente pelos condutores nesta quinta-feira (18). A decisão drástica veio após a trágica morte de um turista indiano de 18 anos, Romanch Mahajan, que caiu de uma das carruagens quando o cavalo disparou.

O incidente fatal reacende com urgência um debate de longa data na cidade sobre a continuidade da prática, que enfrenta forte oposição de ativistas do bem-estar animal e de algumas autoridades públicas. A paralisação, que não tem prazo definido para terminar, coloca em xeque o futuro de uma atração que é símbolo do parque desde sua criação.

O Acidente Fatal e a Suspensão dos Passeios de Carruagem

A morte de Romanch Mahajan, um jovem de 18 anos que visitava Nova York com sua família vindo da Índia, chocou a comunidade. Segundo relatos, Mahajan caiu da carruagem quando o cavalo, chamado Sampson, de sete anos e que trabalhava no parque há apenas seis semanas, disparou. O condutor, Ertan Gokdepe, havia saído da carruagem para tirar uma foto da família, parte do pacote de passeio.

A causa da morte foi classificada como traumatismo contuso e a natureza do ocorrido como acidente, conforme informou o porta-voz do escritório do médico legista-chefe. Alexander Kemp, vice-presidente do sindicato Transport Workers Union Local 100, expressou a devastação dos membros, afirmando que nunca houve um acidente fatal como este antes. Em resposta, os estábulos foram fechados e as operações suspensas para discussões internas aprofundadas sobre o ocorrido e como poderia ter sido evitado.

O Debate Histórico sobre as Carruagens no Coração de Nova York

A presença das carruagens no Central Park é um ícone, mas também um ponto de discórdia há anos. O sindicato dos condutores e seus apoiadores travam um conflito com ativistas do bem-estar animal, que consideram a prática ultrapassada e desumana para os cavalos. Eles argumentam que os animais são submetidos a condições estressantes e perigosas no ambiente urbano.

Por outro lado, o sindicato defende que os cavalos são bem cuidados, que a proibição resultaria na perda de empregos para centenas de trabalhadores e que os passeios continuam sendo uma atração turística popular e economicamente viável. Este embate ideológico e econômico tem sido uma constante na política de Nova York, com tentativas anteriores de banir a prática sem sucesso.

Pressão Política e o Futuro das Carruagens no Central Park

A tragédia com Romanch Mahajan, somada à morte de um cavalo chamado Deniz neste mesmo mês – cuja autópsia preliminar apontou ingestão de planta tóxica – reacendeu a pressão política para o fim dos passeios. Julie Menin, presidente da Câmara Municipal, e Lynn Schulman, líder da comissão de saúde da Câmara, anunciaram que agendarão uma audiência no próximo mês sobre um projeto de lei que visa eliminar os cavalos de carruagem da cidade.

Menin, em comunicado, enfatizou que as recentes mortes demonstram a necessidade de um “caminho melhor para o futuro”, que considere o bem-estar animal, a segurança pública e o sustento dos trabalhadores. O prefeito Zohran Mamdani adotou um tom similar, expressando o desejo de trabalhar com as partes interessadas para uma “transição justa” que proteja os trabalhadores e, ao mesmo tempo, acabe com as carruagens puxadas por cavalos no Central Park.

A Posição do Sindicato e a Busca por Segurança

John Samuelsen, presidente internacional do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes, criticou o que ele considera uma exploração da tragédia para promover a agenda da proibição. Em entrevista, Samuelsen defendeu que as alegações de crueldade contra os animais são infundadas e devem ser separadas de quaisquer falhas do condutor que possam ter levado à morte de Mahajan.

O sindicato, segundo Samuelsen, está comprometido em esclarecer as questões de segurança e trabalhar para garantir a segurança do tráfego de todos os tipos de veículos no parque. A entidade busca uma solução que não sacrifique os empregos e a tradição, ao mesmo tempo em que aborda as preocupações levantadas pelos recentes incidentes.

O Relato da Família e os Detalhes da Tragédia

Para a família Mahajan, o passeio de carruagem deveria ser um momento de lazer durante sua primeira visita a Nova York, que já havia incluído pontos turísticos como a Estátua da Liberdade e a Ponte do Brooklyn. Deepak Mahajan, pai de Romanch, relatou que o passeio de 45 minutos, que custou US$ 158 (equivalente a cerca de R$ 812), incluía várias paradas para fotos.

O condutor já havia tirado duas fotos da família em outros locais antes de parar perto da fonte em Cherry Hill, por volta das 14h45. Foi nesse momento, quando Gokdepe saiu da carruagem para a terceira foto, que o cavalo Sampson disparou, resultando na queda fatal de Romanch. O incidente destaca a imprevisibilidade e os riscos inerentes a essa atividade, mesmo em um cenário tão icônico.

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