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Policial militar atira e mata homem após briga de trânsito em São Paulo; câmera registra desespero do PM

Montagem/g1
Reprodução G1

Um incidente chocante na Zona Norte de São Paulo, em 29 de abril, ganhou novos contornos com a divulgação de imagens de câmera corporal que registram o desespero de um policial militar após atirar e matar um homem durante uma briga de trânsito. O cabo Cauan Alencar Bastos, da Polícia Militar, foi flagrado implorando para que Igor Eduardo Hyppolito Rodrigues, de 45 anos, não morresse, chegando a rezar um Pai-Nosso após efetuar seis disparos contra a vítima. O caso levanta sérias questões sobre a conduta policial, saúde mental dos agentes e a importância da transparência gerada pelas câmeras corporais.

atira: cenário e impactos

As imagens, obtidas e divulgadas pela TV Globo e pelo g1 na última quarta-feira, 17 de maio, mostram a sequência de eventos que culminaram na morte de Igor. O episódio ocorreu no Jardim Pirituba e, desde então, tem gerado intensa repercussão e investigações em diversas esferas.

A dinâmica da briga de trânsito e a intervenção policial

A tragédia começou na Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, quando Igor Eduardo Hyppolito Rodrigues, que dirigia um carro, parou em um semáforo vermelho. Segundo testemunhas, após uma discussão no trânsito, Igor desceu de seu veículo com uma faca na mão e correu em direção a um motociclista que também aguardava no farol. Familiares de Igor relataram que ele fazia uso de medicamentos controlados para tratar esquizofrenia e que a faca era uma ferramenta de trabalho, já que atuava como eletricista, encanador e em serviços de manutenção.

O motociclista, temendo pela sua segurança, buscou auxílio em um posto de combustíveis próximo, onde encontrou o cabo Cauan Alencar Bastos e seu parceiro, o soldado José Otávio Pinheiro, em uma viatura. A equipe policial prontamente se dirigiu ao local do confronto. As imagens da câmera corporal do cabo Cauan são cruciais para entender os momentos seguintes.

Disparos fatais e a versão contraditória

Ao se aproximar de Igor, a câmera corporal registrou o cabo Cauan descendo da viatura e proferindo a frase: “Eu vou matar ele, eu vou dar tiro”. Na sequência, ele efetuou seis disparos contra Igor. O soldado José Otávio também atirou uma vez. O boletim de ocorrência aponta que Igor foi atingido por quatro tiros — dois na região inferior direita do corpo, um no flanco direito e um no flanco esquerdo — e morreu no local.

Contudo, imagens de uma câmera de segurança, divulgadas pela TV Globo no mês passado, trouxeram uma nova perspectiva. Elas mostram Igor sendo atingido no momento em que colocava a faca no chão, o que a família interpreta como uma tentativa de rendição. Essa evidência contradiz a versão inicial apresentada pelos policiais na delegacia, que alegaram que Igor teria avançado contra o motociclista e a equipe policial com a faca, justificando os disparos.

O desespero do PM e a questão da saúde mental

Após os disparos e a queda de Igor, as imagens da câmera corporal revelam um cenário de desespero por parte do cabo Cauan. Enquanto equipes da Polícia Militar tentavam manobras de reanimação na vítima, o policial é ouvido com a voz embargada, implorando: “Igor, a ambulância está chegando. Pelo amor de Deus, não morre, não, mano. Fica vivo, respira. Por favor, irmão, respira. Não morre, não. Não morre não, moço, por favor”. Uma mulher que realizava a massagem cardíaca chegou a pedir calma ao policial, tamanha sua aflição. Em outro momento, o cabo Cauan se afasta da cena e reza um Pai-Nosso por cerca de 20 segundos.

A Ouvidoria da Polícia de São Paulo, em nota divulgada na quinta-feira, 18 de maio, manifestou-se sobre o ocorrido, destacando a urgência de uma revisão profunda das políticas de saúde mental destinadas aos profissionais da segurança pública. O órgão enfatizou que “a população não pode continuar pagando com vidas o preço do despreparo, do descontrole emocional ou da incapacidade de atuação compatível com os princípios que devem orientar a atividade policial”. A Ouvidoria também ressaltou a importância das Câmeras Operacionais Portáteis (COPs) para o esclarecimento dos fatos, classificando-as como “indispensáveis para a proteção da população, para a valorização dos bons policiais e para o combate à impunidade”.

Investigações e desdobramentos do caso

Diante das evidências e da gravidade do incidente, os dois policiais envolvidos foram afastados do serviço operacional. O caso está sendo investigado em um inquérito policial militar instaurado no 18º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano, com acompanhamento da Corregedoria. Além disso, o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) também apura o ocorrido.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou, em nota, que a Polícia Militar “não compactua com excessos e desvios de conduta por parte de seus agentes” e que “todas as imagens relacionadas à ocorrência, incluindo as captadas pelas câmeras corporais utilizadas pelos policiais, são rigorosamente analisadas para adoção das medidas cabíveis”. Até a última atualização da reportagem, as defesas dos policiais não foram localizadas pela TV Globo e pelo g1. O caso segue em apuração, com a expectativa de que todas as circunstâncias sejam esclarecidas e as responsabilidades devidamente atribuídas, reforçando a necessidade de um policiamento cada vez mais transparente e alinhado aos direitos humanos. Para mais informações sobre a atuação da segurança pública e seus desafios, você pode consultar fontes oficiais como a Secretaria Nacional de Segurança Pública.

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