O impasse sobre a segurança no Viaduto Sumaré
A prática de esportes radicais no Viaduto Sumaré, localizado na Zona Oeste de São Paulo, permanece envolta em polêmica e insegurança jurídica. Embora a Prefeitura de São Paulo mantenha a proibição de saltos e atividades de aventura no local desde 2005, a oferta desses serviços continua ativa na internet, com ingressos comercializados a partir de R$ 89. O debate sobre a legalidade e a segurança dessas operações ganhou urgência após a recente morte de uma jovem de 21 anos durante um salto de rope jump no interior do estado, evento que expôs falhas críticas em protocolos de segurança.
Histórico de restrições e fiscalização municipal
A interdição do Viaduto Sumaré para atividades de rapel e modalidades similares foi estabelecida em agosto de 2005, motivada por um acidente grave ocorrido no local, onde um praticante sofreu uma queda de 27 metros. À época, a administração municipal destacou o risco elevado para pedestres e veículos que circulam sob a estrutura. A Guarda Civil Metropolitana (GCM) recebeu, inclusive, autorização para recolher equipamentos de quem insistisse em realizar a prática.
Apesar da diretriz clara, a aplicação da norma enfrentou contradições ao longo dos anos. Em dezembro de 2014, a própria Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação, chegou a apoiar a realização de um evento de esportes verticais no mesmo viaduto. A iniciativa, segundo organizadores da época, visava oferecer uma alternativa autorizada à prática clandestina que persistia na região.
O argumento do limbo jurídico
Representantes do setor, como a Associação Brasileira de Rope Jump, contestam a abrangência da proibição atual. Segundo a entidade, a legislação municipal de 2005 cita especificamente o rapel e o bungee jump, deixando o rope jump — modalidade que utiliza sistemas de escalada para criar um movimento pendular — fora do texto literal da norma. Esse suposto vácuo legal é utilizado por empresas para continuar operando no local.
A Secretaria Municipal das Subprefeituras, contudo, reitera que a proibição segue vigente e que a realização de qualquer esporte radical em áreas públicas depende de autorização expressa do poder público, conforme as diretrizes da Lei Municipal nº 14.139/2006. A pasta informou que o monitoramento é feito periodicamente pela Subprefeitura Lapa, embora não tenha apresentado dados consolidados sobre autuações recentes.
Segurança e prevenção em esportes de aventura
Especialistas alertam que a escolha de operadoras certificadas é o passo mais importante para quem deseja praticar esportes de altura. A tragédia ocorrida em Limeira, onde a vítima foi lançada sem a conexão da corda de segurança, reforçou a necessidade de protocolos rígidos de conferência. Profissionais do setor recomendam que o praticante verifique sempre o CNPJ da empresa, o cadastro no Ministério do Turismo e a existência de certificações técnicas dos instrutores.
A inspeção visual dos equipamentos, como cadeirinhas de escalada, peitorais e capacetes, deve ser uma etapa obrigatória antes de qualquer salto. A Associação Brasileira de Rope Jump defende que a criação de um projeto de lei específico para a modalidade seria o caminho ideal para estabelecer critérios de segurança e encerrar o atual cenário de incerteza, garantindo que a prática ocorra apenas em condições controladas e autorizadas.
O M1 Metrópole segue acompanhando os desdobramentos sobre a segurança pública e a regulamentação de atividades esportivas em espaços urbanos. Continue conectado ao nosso portal para receber informações relevantes, análises aprofundadas e o que acontece de mais importante na sua região.