A estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo, ocorrida neste sábado (13) de junho de 2026, transformou-se em um palco inesperado para a disputa política nacional. Em um ano eleitoral, figuras proeminentes que almejam a presidência da República aproveitaram a paixão nacional pelo futebol para veicular mensagens de campanha, defender aliados e até mesmo lançar indiretas a adversários, evidenciando a crescente intersecção entre esporte e política no Brasil.
presidenciáveis: cenário e impactos
Os comentários dos presidenciáveis nas redes sociais variaram desde apelos emocionais por mais empenho do time até a defesa de atletas controversos, como Neymar, que esteve ausente da partida. Esse fenômeno reflete não apenas a busca por visibilidade em um momento de grande audiência, mas também a tentativa de associar suas imagens a símbolos de unidade e sucesso nacional, ou de criticar elementos que consideram problemáticos, mesmo no contexto esportivo.
Lula e o apelo à garra nacional
Pela manhã do dia da estreia, o presidente Lula (PT) publicou um vídeo em suas redes sociais que rapidamente ganhou repercussão. Vestindo a tradicional camisa da seleção brasileira e um adesivo com a frase “O Brasil é dos brasileiros”, uma clara referência à defesa da soberania nacional frente a políticas externas, o petista fez um apelo direto ao técnico Carlo Ancelotti.
Em sua fala, Lula pediu que o treinador aconselhasse os jogadores a demonstrar “garra e alma” e a serem objetivos em campo. “O que vale é chutar a bola no gol do adversário e ela entrar. […] Então, sempre que puder, pelo amor de Deus, chute”, enfatizou. O presidente, que acompanha Copas do Mundo desde os anos 1950, pediu ainda que o grupo jogasse “pensando no povo brasileiro”. Após o empate de 1 a 1 com Marrocos, Lula não fez novos comentários sobre a partida em suas redes.
A defesa de Neymar e a crítica à mídia
O senador Flávio Bolsonaro (PL), considerado um dos principais adversários políticos de Lula, utilizou uma transmissão ao vivo nas redes sociais, pouco antes do jogo, para defender o atacante Neymar. O jogador, ausente da partida de estreia da seleção, tem sido alvo frequente de críticas.
Ao lado do irmão Carlos Bolsonaro (PL), Flávio afirmou que “uma grande parte da mídia tem prazer de destruir os ídolos” do país. Ele argumentou que a imprensa cobra dos atletas e dos políticos “uma performance 100% sempre, humanamente impossível”, numa clara tentativa de desviar críticas e associar a perseguição a Neymar a uma suposta perseguição política.
Zema e as mensagens cifradas
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também marcou presença nas redes sociais. Em vídeos compartilhados enquanto assistia à partida, Zema fez comentários com claras conotações políticas. “Vermelho é perigo”, disse ele, em alusão à cor da camisa da seleção marroquina, mas também uma indireta velada ao Partido dos Trabalhadores, frequentemente associado ao vermelho.
Ele também afirmou que o número 13 “nunca fez bem ao Brasil”, numa referência direta à data da partida (dia 13) e, novamente, ao número do PT nas urnas. Além disso, Zema publicou um vídeo comparando negociações comerciais com outros países a jogos de futebol, defendendo que devem ser enfrentadas de “cabeça erguida” e “sem aceitar ameaças, sem aceitar tarifaço”, ecoando discursos de defesa da economia nacional.
Outros candidatos e a repercussão política do esporte
Outros presidenciáveis também se manifestaram. O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), apareceu em vídeo ao lado de sua companheira, Gracinha Caiado, antes do início do jogo, com a frase: “Você sabe que quando Ronaldo entra em campo, decide o jogo, né? Vocês vão ver isso”. A declaração, que mistura o nome do político com a expectativa de um bom desempenho em campo, busca criar uma imagem de liderança e decisão.
Renan Santos, do Missão, por sua vez, compartilhou uma reportagem sobre os palpites dos candidatos para a partida, escrevendo: “A gente precisa ser sincero sobre os problemas brasileiros o tempo todo”. Ele foi o único a prever o empate de 1 a 1, que de fato ocorreu. A postura de Renan busca se diferenciar, posicionando-o como alguém mais pragmático e focado em questões reais, mesmo em meio à euforia do futebol.
A utilização da Copa do Mundo como plataforma política não é um fenômeno novo no Brasil, mas tem se intensificado nos últimos anos, especialmente com a polarização política. A camisa amarela, antes um símbolo quase unânime de união nacional, tornou-se, para muitos, um emblema de uma facção política específica, gerando debates e divisões mesmo em momentos de celebração esportiva. A performance da seleção e as declarações dos políticos durante o torneio tendem a continuar sendo observadas de perto, com cada lance e cada palavra ganhando múltiplas interpretações.Saiba mais sobre a cobertura política no G1.
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