
O impacto bilionário da nova proposta de imunidade tributária
Uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que tramita no Congresso Nacional tem gerado intensos debates sobre o equilíbrio das contas públicas e a justiça fiscal no Brasil. A medida, que visa ampliar a imunidade tributária para igrejas e organizações assistenciais vinculadas, pode gerar um rombo de até R$ 50 bilhões na arrecadação somada de União, estados e municípios. O texto, de autoria do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), foi aprovado pela Câmara dos Deputados no final de maio e agora segue para análise do Senado.
impostos: cenário e impactos
Atualmente, a Constituição Federal garante imunidade tributária para templos religiosos focada em renda e patrimônio. A nova proposta busca estender esse benefício para aquisições de bens e serviços, desonerando o consumo dessas instituições. Durante a tramitação na Câmara, o relator do projeto exemplificou que itens como microfones, aviões e helicópteros adquiridos por entidades religiosas passariam a ser isentos de tributos, uma mudança que especialistas apontam como um alargamento significativo do alcance da norma.
O custo para o contribuinte e a reforma tributária
O cenário torna-se mais complexo com a implementação da reforma tributária, que entra em vigor em 2027. Sob as novas regras, qualquer benefício fiscal concedido a um setor precisa ser compensado por outros contribuintes para manter a neutralidade da arrecadação. Na prática, isso significa que, ao reduzir a carga tributária das igrejas, o governo precisará elevar a alíquota dos tributos sobre o consumo para o restante da sociedade.
O Ministério da Fazenda e o Ministério do Planejamento e Orçamento estimam um custo mínimo de R$ 10 bilhões anuais apenas na arrecadação federal. O ministro Dario Durigan, da Fazenda, alertou que a medida poderia elevar em um ponto percentual a alíquota dos novos tributos. Como cada ponto percentual representa cerca de R$ 50 bilhões divididos entre as esferas governamentais, o peso da medida recairá, em última instância, sobre os fiéis e os demais cidadãos brasileiros.
Questionamentos jurídicos e o papel do STF
A constitucionalidade da ampliação da imunidade é o ponto central da controvérsia jurídica. Especialistas em direito tributário avaliam que a medida pode ser alvo de ações diretas de inconstitucionalidade no STF (Supremo Tribunal Federal). O argumento principal é que a extensão do benefício poderia configurar um favorecimento estatal excessivo, extrapolando a finalidade original da proteção constitucional, que é garantir o livre exercício do culto e o funcionamento das entidades.
Enquanto o Senado se prepara para debater a matéria, o clima é de cautela entre economistas e parlamentares. A discussão coloca em xeque a sustentabilidade das contas públicas em um momento de transição tributária delicada. O desdobramento dessa votação será decisivo não apenas para o caixa dos governos estaduais e municipais, que dependem fortemente da arrecadação sobre o consumo, mas também para a percepção de equidade do sistema tributário nacional.
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