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Contaminação radiológica atinge servidores do Ipen em São Paulo, mas instituto minimiza riscos

Contaminação radiológica atinge servidores do Ipen em São Paulo, mas instituto minimiza riscos

O Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), uma das instituições mais importantes do Brasil na produção de radiofármacos, confirmou a contaminação radiológica de dois de seus servidores. O incidente, envolvendo o isótopo tecnécio-99, ocorreu em 29 de maio, em São Paulo, durante a remoção de sensores de uma autoclave, equipamento essencial no processo produtivo do material. Apesar da confirmação, a direção do Ipen classificou o caso como de ‘pequena magnitude’, assegurando que não há potencial para danos à saúde dos trabalhadores.

A notícia, divulgada em 11 de junho de 2026, gerou apreensão e levantou questionamentos sobre os protocolos de segurança em ambientes de alta sensibilidade. A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) e entidades representativas dos trabalhadores, como o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado de São Paulo (Sindsef-SP) e a Associação dos Servidores do Ipen (Assipen), estão acompanhando o desdobramento do caso, que ressalta a importância da transparência e do rigor na gestão de materiais radioativos.

Detalhes do Incidente e a Substância Envolvida

A contaminação foi detectada nas mãos e nos sapatos dos colaboradores envolvidos na operação de rotina. O tecnécio-99, um metal de transição e o primeiro elemento a ser produzido artificialmente, é amplamente utilizado na medicina nuclear para diagnósticos e tratamentos. O Ipen é responsável por cerca de 85% da produção de radiofármacos no Brasil, o que sublinha a relevância de suas operações e a necessidade de máxima segurança.

Após a identificação da contaminação, os servidores foram imediatamente submetidos a processos de descontaminação e a todos os protocolos de segurança exigidos. Adicionalmente, um setor da instituição foi isolado preventivamente para evitar qualquer risco de propagação. Segundo Venerval Rodrigues, diretor de segurança do Ipen, “pequenas contaminações podem ocorrer quando se mexe com material radioativo aberto”, indicando que tais eventos, embora indesejáveis, não são incomuns em ambientes de pesquisa nuclear.

A Posição do Ipen e as Contestações

Em nota oficial, o Ipen reiterou que a apuração técnica de sua área especializada em Proteção Radiológica concluiu que o evento não possui relevância do ponto de vista da saúde ocupacional. Rodrigues afirmou que não foi constatada nenhuma incorporação do material radioativo pelos servidores e que a dose de radiação detectada, entre 100 e 700 contagens por segundo, é considerada muito baixa em comparação com os limites de segurança. “Tomamos todos os cuidados para descontaminar, e isso foi feito”, garantiu o diretor.

No entanto, a tranquilidade do instituto contrasta com as preocupações levantadas externamente. Uma denúncia anônima foi encaminhada à ANSN, e o Sindsef-SP e a Assipen emitiram uma nota conjunta exigindo explicações detalhadas sobre o ocorrido. A diretora do Ipen, Isolda Costa, defendeu a instituição, alegando que as informações não oficiais e a denúncia anônima não se basearam em evidências objetivas, podendo gerar “uma falsa informação” e um “alarme” desnecessário. O Ipen já encaminhou seu relatório à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e à ANSN, reforçando a ausência de riscos maiores na sede, localizada nas dependências da Universidade de São Paulo (USP).

Segurança Nuclear e a Repercussão Pública

Incidentes envolvendo material radioativo, mesmo que de pequena escala, naturalmente atraem a atenção pública e de órgãos reguladores. A atuação da ANSN e da CNEN é fundamental para garantir que as instituições que lidam com energia nuclear sigam rigorosos padrões de segurança, protegendo tanto os trabalhadores quanto a população e o meio ambiente. A fiscalização constante e a comunicação transparente são pilares para manter a confiança da sociedade em um setor tão estratégico.

Apesar da minimização do Ipen, a repercussão do caso sublinha a sensibilidade inerente às atividades nucleares. A garantia de que todos os protocolos foram seguidos e a rápida resposta aos questionamentos são cruciais para a credibilidade da instituição. A produção de radiofármacos é vital para a saúde pública, e a segurança ocupacional é um componente inegociável para a continuidade e a excelência desse trabalho.

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