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Soberania nacional e o PIX: Durigan reafirma defesa brasileira contra interferências globais

© Marcelo Camargo/Agência Brasil
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçou nesta quarta-feira (10) a postura irredutível do Brasil na defesa de sua autonomia e de seus interesses econômicos. Em um cenário de crescentes desafios globais e pressões comerciais, o ministro destacou a importância de proteger a soberania nacional, citando o Pix como um patrimônio estratégico que deve permanecer sob a governança do Estado brasileiro. As declarações foram feitas durante a 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), no Palácio do Itamaraty, onde o tema central dos debates é “Da soberania nacional ao protagonismo global”.

A fala de Durigan ganha relevância em um contexto de anúncios recentes dos Estados Unidos sobre barreiras comerciais e aumento de tarifas que impactam diretamente as exportações brasileiras. A posição do ministro sublinha a determinação do país em não ceder a pressões externas e em afirmar sua política econômica no cenário internacional.

A defesa da soberania nacional e o Pix como patrimônio estratégico

“O Brasil não abaixa a cabeça para ninguém, e a gente defende a nossa política econômica pelo mundo”, afirmou Durigan, ressaltando a firmeza do governo em proteger os interesses nacionais.

Nesse sentido, o ministro enfatizou a importância do Pix, sistema de pagamentos instantâneos que se tornou uma referência global em bancarização e inovação tecnológica. Durigan sinalizou que o Pix é um ativo crucial para o país, que deve ser resguardado de qualquer interferência externa. “A primeira demanda, a primeira tarefa que eu tenho é proteger a soberania ao lado do presidente Lula, em especial no nosso Pix”, declarou, evidenciando a prioridade dada à manutenção da autonomia sobre essa ferramenta financeira.

A defesa do Pix como um patrimônio estratégico reflete a visão de que a infraestrutura tecnológica e financeira nacional é um pilar da independência econômica e um instrumento para o desenvolvimento social, permitindo que o Brasil mantenha o controle sobre suas inovações e dados em um mundo cada vez mais interconectado e competitivo.

Liderança brasileira no cenário global e o pedido por respeito

Ao compartilhar suas experiências em agendas recentes com instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial, o G20 e o G7, o ministro da Fazenda destacou o crescente reconhecimento da liderança brasileira. Segundo Durigan, a comunidade internacional tem demonstrado valorizar a contribuição do Brasil em debates cruciais sobre economia, meio ambiente e transição energética. Essa posição de destaque, contudo, vem acompanhada da exigência de que o país seja tratado com igualdade e respeito em todas as negociações e fóruns internacionais.

“O Brasil é liderança mundial e a gente não abre mão de ser tratado com respeito e tratar com respeito a todos os países, a todas as outras comunidades e culturas do mundo”, reiterou Durigan, reforçando a postura diplomática, mas assertiva do governo.

Essa abordagem busca equilibrar a participação ativa do Brasil nas discussões globais com a salvaguarda de sua autonomia e dignidade, garantindo que a voz brasileira seja ouvida e respeitada em decisões que afetam o futuro do planeta e de sua própria população.

Pautas sociais: a luta contra a desigualdade na jornada de trabalho

Além das questões econômicas e de soberania, Durigan também abordou pautas de grande apelo social e de segurança pública. Um dos temas debatidos foi a escala de trabalho 6×1, que, segundo o ministro, perpetua a desigualdade e sobrecarrega os trabalhadores de menor remuneração. Ele apontou que essa escala afeta desproporcionalmente trabalhadores negros e mulheres, que frequentemente acumulam dupla jornada de trabalho, incluindo afazeres domésticos e outras responsabilidades.

“Quem já está na escala 5 por 2 é quem ganha mais, teve tempo e muitas vezes oportunidade familiar de estudar por mais tempo. E quem está na escala 6 por 1 são os trabalhadores mais mal remunerados, trabalhadores negros, mulheres e que ainda acumulam o trabalho com afazeres domésticos e outras responsabilidades, que ficam sobrecarregados”, explicou o ministro, destacando a injustiça social do modelo.

A discussão sobre a escala 6×1 ganhou força com a aprovação, no fim de maio, de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) na Câmara dos Deputados que visa acabar com esse modelo. A PEC, que terá seu cronograma de tramitação definido no Senado nesta semana, institui a obrigatoriedade de dois dias de descanso por semana e propõe a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição salarial, representando um avanço significativo na proteção dos direitos trabalhistas e na promoção de maior equidade social.

Regulamentação de bets e o cerco ao crime organizado

O ministro também comparou a fiscalização das casas de apostas online em gestões anteriores com a prática atual do governo Lula. Ele criticou o período em que as bets “tinham a mesma imunidade que as igrejas”, contrastando com a rigorosa regulamentação atual. “Hoje, as bets pagam mais do que a média dos setores empresariais e, hoje, passam os dados e estão sendo fiscalizadas”, afirmou Durigan, destacando a mudança de postura que visa proteger o orçamento familiar e coibir práticas irregulares.

Esse trabalho de fiscalização já resultou na derrubada de mais de 30 mil empresas irregulares e na proibição do uso de cartões de crédito para apostas, medidas que buscam maior transparência e segurança no setor. Além disso, Durigan anunciou uma cooperação estratégica com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e o governo norte-americano para combater o fluxo financeiro de facções criminosas. A estratégia, que envolve a Receita Federal, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e a Polícia Federal, tem como objetivo congelar os ativos do crime organizado, visando “asfixiar esse mal que segue causando graves prejuízos à nossa comunidade”.

Reindustrialização e o crescimento econômico do Brasil

Em seu discurso aos conselheiros, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, apresentou um balanço positivo sobre a reindustrialização do país. Ele elencou indicadores que apontam para o reaquecimento da economia brasileira, como o aumento do salário médio e a menor taxa de informalidade da série histórica. Elias Rosa detalhou a queda do desemprego, que se consolidou em 5,6%, a menor média histórica, e o recorde de 103 milhões de brasileiros empregados formalmente. O rendimento médio também atingiu um patamar significativo, entre R$ 3.370 e R$ 3.732.

“Esses indicadores sociais só são obtidos porque a indústria voltou a crescer. Cresceu em 2024 com a lançamento da Nova Indústria Brasil, 3,1%. No primeiro quadrimestre, já avançou 1,7%. Por isso, tivemos mais de 7,6 milhões de postos formais no setor”, destacou o ministro, evidenciando a relação direta entre o crescimento industrial e a melhoria das condições de vida da população. A “Nova Indústria Brasil” surge como um pilar fundamental para a retomada econômica e a geração de empregos qualificados no país.

A reunião do CDESS, com seu mote “Da soberania nacional ao protagonismo global”, reforça o compromisso do governo em atuar em múltiplas frentes – da economia à pauta social, da segurança pública ao desenvolvimento industrial – para garantir um futuro de maior autonomia e prosperidade para o Brasil. Para continuar acompanhando as análises aprofundadas sobre os rumos do país e do mundo, fique conectado ao M1 Metrópole. Nosso portal oferece informação relevante, atual e contextualizada, essencial para entender os desdobramentos desses debates e como eles impactam sua vida.

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