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O amor se constrói: especialistas desvendam o que importa ao assumir um relacionamento

Rafaela Araújo/Folhapress
Rafaela Araújo/Folhapress

A dúvida sobre a necessidade de um amor avassalador para iniciar um relacionamento é uma questão frequente na sociedade contemporânea. Em meio a expectativas idealizadas e a busca por conexões perfeitas, muitos se questionam se a paixão instantânea é um pré-requisito para o compromisso. No entanto, especialistas em psicologia de casais apontam para uma realidade mais matizada: o amor, em sua forma mais profunda e duradoura, é um processo de construção contínua, não um ponto de partida.

A pressão por encontrar a “pessoa certa” e a crença no “amor à primeira vista” podem gerar ansiedade e frustração, levando indivíduos a hesitar em se entregar a um novo vínculo. Contudo, a perspectiva de psicólogas renomadas sugere que a disposição para se arriscar e a capacidade de permitir que os sentimentos evoluam são os verdadeiros alicerces para um relacionamento significativo.

A Construção do Amor: Além da Paixão Inicial

Para as psicólogas especializadas em relacionamentos, a ideia de que é preciso estar profundamente apaixonado para começar a namorar é um mito. Elas enfatizam que o que surge inicialmente é, na maioria das vezes, atração sexual ou paixão. O amor, por sua vez, é um sentimento que se desenvolve e se aprofunda ao longo do tempo, à medida que o casal compartilha experiências, supera desafios e constrói uma intimidade genuína.

Marta Carmo, psicóloga e mestre em psicologia do desenvolvimento com ênfase em casal e família, ressalta que a expectativa de um “amor à primeira vista” pode, paradoxalmente, criar relações frágeis. Segundo ela, a idealização de um sentimento imediato e completo ignora a complexidade e a profundidade necessárias para um vínculo duradouro. O verdadeiro amor floresce na convivência, na aceitação das diferenças e na construção mútua de um futuro.

O Risco e a Realidade dos Vínculos Duradouros

Permitir-se a incerteza e dar uma chance ao desconhecido é, para as especialistas, o caminho para o desenvolvimento de um relacionamento autêntico. A disposição para se arriscar, mesmo sem a certeza absoluta, é um ato de coragem que pode levar a descobertas profundas sobre o outro e sobre si mesmo. A vida real, com suas imperfeições e desafios, é o terreno fértil onde o amor se enraíza e cresce.

Fabiana Ratti, psicanalista e mestre em psicologia clínica pela PUC-SP, complementa que as afinidades e semelhanças, embora importantes, não são suficientes para sustentar um relacionamento a longo prazo. São as adversidades, os momentos de dificuldade e a forma como o casal os enfrenta, que verdadeiramente testam e fortalecem o vínculo. É na superação conjunta que a parceria se solidifica e o amor se revela mais robusto.

Um “Test Drive” na Pandemia: O Caso de Andrea e Luiz

A história da advogada Andrea Lopes, 52, e do economista Luiz Fernando Figueiredo, 62, ilustra bem essa dinâmica. Conhecendo-se pelo Facebook em janeiro de 2021, em meio às restrições da pandemia de Covid-19, eles decidiram ir morar juntos em uma casa de campo após pouco tempo de contato. Luiz, que já havia sido internado no ano anterior, não podia correr riscos, e a quarentena forçada se tornou um inusitado “test drive” para o relacionamento.

Luiz, com uma vida pregressa de três casamentos e muitos filhos, optou pela transparência desde o primeiro encontro, abrindo o jogo sobre sua história. Andrea apreciou a honestidade, e a convivência intensa durante o isolamento permitiu que se conhecessem em profundidade, sem as distrações do cotidiano. Ambos relatam não terem tido medo de se jogar na relação, uma atitude que as psicólogas consideram essencial para o florescimento do amor.

Maturidade e Compromisso: Os Pilares de um Relacionamento

A medida que as pessoas amadurecem, suas expectativas e responsabilidades nos relacionamentos também evoluem. A psicanalista Fabiana Ratti destaca que, com o tempo, os indivíduos assumem mais parcerias e enfrentam novas cobranças, o que exige uma base sólida de compromisso e compreensão mútua. O amor construído é aquele que consegue se adaptar e crescer junto com as transformações pessoais e da vida.

A sociedade, muitas vezes, idealiza o romance, mas a realidade dos relacionamentos duradouros reside na capacidade de investir, de dialogar e de se comprometer com o processo. O amor não é um destino, mas uma jornada contínua de descobertas e reinvenções. Acesse mais informações sobre psicologia de relacionamentos e entenda como a dinâmica dos casais se transforma.

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