Uma tarde que deveria ser de fluxo normal em uma das principais vias de escoamento do estado de São Paulo terminou em tragédia nesta segunda-feira, 25 de maio de 2026. Um motociclista, cuja identidade ainda não foi oficialmente divulgada, perdeu a vida após ser atingido no pescoço por uma linha de pipa com cerol enquanto trafegava pela Rodovia dos Bandeirantes (SP-348). O incidente ocorreu na altura do quilômetro 27, na região de Perus, zona norte da capital paulista, no sentido interior-capital (norte).
O incidente na Rodovia dos Bandeirantes e o socorro imediato
O caso foi registrado no final da tarde, um horário de movimento intenso na rodovia. De acordo com informações da concessionária Motiva Rodovias – Autoban, o Centro de Controle Operacional (CCO) recebeu o chamado de emergência exatamente às 17h05. Ao chegarem ao local, as equipes de resgate da concessionária e o Corpo de Bombeiros encontraram a vítima já sem sinais vitais. A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) confirmou que se tratava de um “óbito evidente”, dada a gravidade do ferimento causado pela linha cortante.
A dinâmica do acidente aponta que o motociclista foi surpreendido pela linha enquanto mantinha a velocidade permitida para a via. O impacto foi fatal e imediato. Para garantir a segurança dos demais motoristas e permitir o trabalho da perícia e a remoção do corpo, o acostamento da rodovia precisou ser bloqueado temporariamente, gerando lentidão pontual no trecho, mas sem interrupção total das faixas de rolagem.
O perigo invisível do cerol e das linhas cortantes
O uso de substâncias como o cerol (mistura de cola e vidro moído) ou a chamada “linha chilena” (feita com pó de quartzo e óxido de alumínio) transforma uma brincadeira recreativa em uma arma letal. Em rodovias de alta velocidade, como a Bandeirantes, o risco é multiplicado. O motociclista, muitas vezes, não consegue visualizar a linha a tempo de reagir, e a força do impacto em movimento é suficiente para causar cortes profundos e decapitações.
A região de Perus, onde o acidente aconteceu, é cercada por bairros residenciais próximos à rodovia, o que aumenta a frequência de pipas sendo empinadas nas imediações das pistas. Apesar das constantes campanhas de conscientização realizadas pelas concessionárias e órgãos de trânsito, a prática de usar linhas cortantes persiste, ignorando o perigo extremo que representa para quem utiliza veículos de duas rodas.
Legislação e a responsabilidade criminal no uso de cerol
É fundamental reforçar que o uso, a fabricação e a comercialização de cerol ou qualquer linha cortante são proibidos por lei no estado de São Paulo. A Lei Estadual nº 17.201/2019 estabelece multas pesadas para quem descumpre a norma, e, em casos onde há vítimas, o responsável pode responder criminalmente por homicídio, seja ele culposo ou doloso, dependendo da interpretação jurídica sobre o risco assumido.
As autoridades policiais frequentemente realizam operações para apreender esses materiais, mas a fiscalização em áreas abertas e terrenos baldios próximos a rodovias continua sendo um desafio logístico. A morte registrada nesta segunda-feira reacende o debate sobre a necessidade de uma fiscalização mais rigorosa e de punições exemplares para quem coloca a vida alheia em risco por entretenimento.
Equipamentos de proteção: a importância da antena corta-pipa
Diante da persistência desse perigo invisível, especialistas em segurança viária reforçam a importância do uso da antena corta-pipa. O dispositivo, que consiste em uma haste metálica retrátil instalada no guidão da motocicleta com uma pequena lâmina na ponta, é projetado para interceptar e cortar a linha antes que ela atinja o condutor. Embora não seja um item obrigatório por lei federal para todos os motociclistas (sendo exigido apenas para profissionais de entrega e motofrete), o acessório é considerado vital para a preservação da vida.
Além da antena, o uso de pescoceiras com proteção de Kevlar ou cabos de aço internos também é recomendado como uma camada extra de segurança. No entanto, nenhuma tecnologia substitui a conscientização social sobre a ilegalidade do cerol. A segurança nas rodovias depende de um esforço conjunto entre motoristas, pedestres e a comunidade ao redor das vias.
O M1 Metrópole continuará acompanhando os desdobramentos deste caso e as investigações para identificar a origem da linha que causou a fatalidade. Nosso compromisso é com a informação precisa e com a defesa da segurança de todos os cidadãos. Continue acompanhando nosso portal para mais atualizações sobre trânsito, segurança pública e as principais notícias de São Paulo e do Brasil.