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Polícia invade casa de Deolane Bezerra pela janela em operação contra lavagem de dinheiro do PCC

Montagem/g1
Reprodução G1

A advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra foi presa na última quinta-feira, dia 21, em uma operação que chocou o público e levantou sérias questões sobre o envolvimento de figuras públicas com o crime organizado. A ação, realizada em um condomínio de luxo em Alphaville, Barueri, na Grande São Paulo, ganhou destaque pelas imagens que mostram policiais entrando na residência da influenciadora pela janela. Deolane é investigada por suposta participação em um complexo esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

A Operação Vérnix, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo em conjunto com a Polícia Civil, visava cumprir mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão. O caso, que se desenrola em meio a uma intensa repercussão nas redes sociais e na mídia, expõe a complexidade das investigações sobre o fluxo financeiro de facções criminosas e o papel de intermediários, incluindo personalidades com grande alcance.

A entrada dramática da polícia e a prisão de Deolane

As imagens da operação, registradas pelos próprios agentes, revelam o momento em que pelo menos três policiais militares escalam e entram no imóvel de Deolane Bezerra através de uma janela. Após a entrada inicial, os agentes abriram a porta principal da casa, permitindo que o restante da equipe cumprisse os mandados. A influenciadora foi surpreendida em seu quarto, vestindo pijama, sendo acordada pela presença dos policiais.

Inicialmente, Deolane foi encaminhada para a Penitenciária Feminina de Sant’Anna, localizada na Zona Norte da capital paulista. No dia seguinte, 21, ela foi transferida para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior do estado. A cena da invasão pela janela gerou grande debate sobre os métodos policiais e a urgência da ação, destacando a gravidade das acusações que motivaram a operação.

Acusações de lavagem de dinheiro e o elo com o PCC

A investigação contra Deolane Bezerra teve início em 2019, a partir da descoberta de bilhetes manuscritos em celas e na caixa de esgoto da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. Esses documentos continham ordens internas do PCC, contatos de membros da facção e referências a ações violentas, levando à abertura de inquéritos que mapearam a estrutura financeira da organização criminosa.

Os investigadores apontam que uma transportadora de cargas em Presidente Venceslau, próxima ao complexo penitenciário, seria utilizada como fachada para movimentar o dinheiro da facção. Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, essa transportadora realizava repasses para contas de terceiros, incluindo duas supostamente em nome de Deolane, com o objetivo de ocultar a origem ilícita dos recursos. O delegado da Polícia Civil de SP, Edmar Caparroz, afirmou que o PCC utilizaria a projeção pública e o patrimônio da influenciadora para conferir legalidade a esses valores, que se misturariam com outras atividades e, quando necessário, retornariam ao crime organizado.

Conexões com a família de Marcola e a defesa da influenciadora

A Polícia Civil sustenta que o principal elo entre Deolane e Marcola, líder do PCC, seria Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha do chefe da facção, que reside em Madri, na Espanha. Além disso, a influenciadora manteria vínculos pessoais e comerciais com um dos gestores fantasmas da transportadora investigada. A polícia não identificou prestação de serviços compatível com os valores recebidos por ela.

Outros alvos da operação incluíram Everton de Souza, o “Player”, apontado como operador financeiro da facção; Alejandro Camacho, irmão de Marcola; e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, outro sobrinho do líder do PCC. Deolane, por sua vez, nega veementemente as acusações, alegando que sua prisão se deu por ter exercido a profissão de advogada, recebendo R$ 24 mil por um serviço. Ela declarou que a “justiça vai ser feita” e que estava apenas “trabalhando” ao ser questionada por jornalistas.

O habeas corpus negado e os antecedentes de Deolane

No domingo, dia 24, o Tribunal de Justiça de São Paulo negou um pedido de habeas corpus em caráter liminar apresentado pela defesa de Deolane. Os advogados agora aguardam o julgamento do mérito e avaliam a possibilidade de recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). A prisão preventiva da influenciadora foi decretada pela Justiça sob o argumento de risco de fuga, uma vez que ela havia retornado ao Brasil na véspera da operação após semanas na Europa, e outros membros da família de Marcola já haviam deixado o país.

Esta não é a primeira vez que Deolane se vê no centro de uma investigação criminal. Em 2025, ela já havia sido alvo de apuração da Polícia Civil de Pernambuco por lavagem de dinheiro relacionada a empresas de apostas online, com suspeitas de ter investido mais de R$ 65 milhões em bens de luxo com recursos ligados ao setor de bets. Sua ascensão à fama ocorreu após a morte de seu marido, o funkeiro MC Kevin, em 2021, consolidando sua presença nas redes sociais, onde acumula mais de 21 milhões de seguidores no Instagram e frequentemente ostenta um estilo de vida luxuoso.

O relatório policial e a repercussão do caso

Um trecho do inquérito obtido pela TV Globo classifica Deolane como integrante do PCC, atribuindo a ela um papel “central” na estrutura financeira da facção. O documento afirma: “Deolane Bezerra dos Santos é hoje uma das mais importantes pessoas integrantes do vasto e diferenciado esquema de lavagem e capitais gerido pela organização criminosa.” Apesar disso, o relatório ressalta que ela não teria sido “batizada” formalmente na facção e não possuiria apelido dentro do PCC, o que adiciona uma camada de complexidade à sua suposta ligação com o grupo criminoso. O filho adotivo da influenciadora, Giliard Vidal dos Santos, conhecido como “Chefinho”, também foi alvo de busca e apreensão na operação, por ostentar bens de luxo nas redes sociais.

O caso de Deolane Bezerra continua a gerar grande repercussão, levantando discussões sobre a responsabilidade de influenciadores digitais, a fiscalização de grandes fortunas e a atuação do crime organizado no cenário nacional. Para acompanhar todos os desdobramentos desta e de outras notícias relevantes, continue conectado ao M1 Metrópole. Nosso compromisso é com a informação de qualidade, atualizada e contextualizada, abrangendo os temas que impactam a sua vida e a sociedade.

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