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Público desafia chuva e frio e lota Centro de São Paulo no 1º dia da Virada Cultural 2026

João de Mari/g1
João de Mari/g1

Milhares de pessoas ignoraram a previsão de chuva forte e o frio de 16ºC para lotar o Centro de São Paulo no primeiro dia da Virada Cultural 2026. A madrugada de sábado (23) para domingo (24) foi marcada por uma celebração vibrante da cultura, com palcos repletos e ruas tomadas por um público animado, que se preparou com capas e guarda-chuvas para não perder um minuto do evento. A Virada Cultural, conhecida por sua capacidade de transformar a paisagem urbana em um grande festival a céu aberto, demonstrou mais uma vez a resiliência e o entusiasmo dos paulistanos.

A Virada Cultural 2026, que se estende até este domingo em 22 palcos distribuídos pelo Centro e pela periferia, reúne um total de 1,2 mil atrações, oferecendo uma vasta programação para todos os gostos. Detalhes sobre os eventos podem ser encontrados em portais de notícias como o G1.

Virada Cultural 2026: a resiliência do público paulistano

Apesar dos alertas meteorológicos que indicavam risco de temporal, a capital paulista viu suas ruas centrais serem ocupadas por uma multidão determinada. Guarda-chuvas coloridos e capas transparentes, muitos adquiridos de ambulantes, tornaram-se parte do cenário, enquanto as filas em barracas de comida e bebida mantinham o movimento constante. A professora Rosana Aparecida Freire, por exemplo, relatou uma mudança de planos: “A gente tinha o ingresso comprado para um show no Parque Vila-Lobos, mas foi cancelado. Começamos a andar por São Paulo e chegamos aqui. Ouvimos Péricles, foi maravilhoso. Agora estamos ouvindo a Luísa Sonza”, contou, exemplificando a espontaneidade que muitas vezes define a experiência da Virada.

A presença de famílias também foi notável, com crianças como Tainá, de 7 anos, e Lara Gabriele, de 9, desfrutando da atmosfera festiva e da rara oportunidade de “dormir tarde”. Ao lado da mãe, Lara descreveu a experiência de atravessar a madrugada no Centro como quem descobre uma nova cidade: “Aqui é legal, bonito. E eu posso dormir tarde”, comemorou, enquanto mordia um pedaço de algodão-doce.

A força da cultura paraense no coração de SP

Se em edições anteriores a cultura do Pará já havia deixado sua marca, em 2026 ela se consolidou como um dos pilares da Virada Cultural. O som paraense ecoou por diversas ruas do Centro, com sotaques, bandeiras do estado e conversas sobre a rica gastronomia e festividades de Belém. O grupo Carabao – O Máximo do Marajó, uma das mais renomadas aparelhagens do Pará, foi um dos grandes destaques, apresentando tecnobrega melódico e o enérgico “rock doido” que fez o público dançar e vibrar.

Rose Costa Soares, moradora de São Paulo há três anos, expressou a emoção de trazer a família para assistir ao Carabao: “Minha filha gosta do Carabao. Aí a gente trouxe ela para cá para matar um pouco da saudade da nossa terra”. A percepção de que a cultura nortista está ganhando espaço no Sudeste foi reforçada por Nazareno Alves, dono do restaurante Point do Açaí, que acompanhou a comitiva do Carabao: “Já era esperado que a cultura do Pará descesse para o Sudeste. O Pará tem muita música boa, muita dança, muita gastronomia. Isso vai invadir outras capitais”, previu.

O Palco São João, em particular, dedicou grande parte da madrugada à programação paraense, com shows de Banda Fruto Sensual e Gaby Amarantos transformando a Avenida em uma imensa pista de dança. A ocupação cultural do Centro também se manifestou em escolhas mais discretas, como o palco dedicado ao afrobeat na Rua Aurora, historicamente ligada à presença de imigrantes africanos, que reuniu estrangeiros, coletivos negros e jovens paulistanos sob chuva fina e luzes neon.

Destaques e a voz política no palco principal

O Vale do Anhangabaú, coração da Virada Cultural, testemunhou um dos momentos mais marcantes da madrugada com a apresentação de Manu Chao. O cantor franco-espanhol subiu ao palco por volta de 0h30, mantendo grande parte da multidão que havia assistido a Luísa Sonza. Vestindo uma camiseta do time de várzea Clandestinos, Manu Chao transformou seu show em um poderoso coro político e latino-americano. Bandeiras da Palestina surgiram na plateia, e milhares de vozes se uniram em palavras de ordem contra o imperialismo.

O engenheiro ambiental Raul Miranda descreveu a performance como “um dos shows mais memoráveis que eu já vi aqui. Ele puxou palavras de ordem anti-imperialistas, falou da América Latina, da Palestina. Não tem como desassociar música de política”. A interação com o público foi intensa, com o cantor frequentemente apontando o microfone para a multidão, que respondia em coro, demonstrando a força coletiva da plateia, que por vezes parecia superar o próprio sistema de som do palco – uma observação que, inclusive, virou piada entre os frequentadores.

Desafios logísticos e pontos de melhoria

Apesar do sucesso de público e da energia contagiante, o primeiro dia da Virada Cultural também apresentou alguns desafios logísticos. O volume do som em alguns palcos, como o do coletivo Deekapz, foi motivo de reclamação, e o espaço se mostrou pequeno para a demanda. A ausência de sinalização clara em diversas ruas do Centro dificultou a orientação do público, que muitas vezes caminhava sem saber onde estava ou qual seria a próxima atração, mesmo com a existência de um mapa na Rua 24 de Maio.

Outro ponto notado por frequentadores veteranos foi a falta de pontos de hidratação gratuitos no Vale do Anhangabaú, diferentemente da edição anterior, onde tendas distribuíam água. Neste ano, o público dependeu de ambulantes e estabelecimentos comerciais. Contudo, é importante ressaltar que, durante toda a madrugada, a reportagem não registrou abordagens policiais ou princípios de confusão, indicando um ambiente geral de tranquilidade e celebração, apesar das aglomerações e das condições climáticas. A Secretaria da Segurança Pública e a Prefeitura de SP ainda não divulgaram balanços oficiais de ocorrências ou de público.

Mesmo com os desafios impostos pela chuva e pelo frio, a Virada Cultural 2026 reafirmou seu papel como um dos maiores eventos culturais gratuitos do Brasil, unindo diferentes públicos e expressões artísticas. A celebração continua até a noite deste domingo (24), com uma vasta programação que inclui nomes como Marina Sena, Seu Jorge, Alexandre Pires, Joelma e Thiaguinho, prometendo mais momentos de arte e confraternização. Para acompanhar todos os desdobramentos e a cobertura completa deste e de outros eventos que moldam a vida em nossa metrópole, continue conectado ao M1 Metrópole, seu portal de informação relevante, atual e contextualizada.

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