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IA revoluciona tratamentos de fertilização in vitro, reduzindo tempo e frustrações

Rubens Cavallari/Folhapress
Rubens Cavallari/Folhapress

A busca pela gravidez, para muitos casais, transforma-se em uma jornada complexa e, por vezes, exaustiva. A fertilização in vitro (FIV), uma das técnicas de reprodução assistida mais avançadas, oferece esperança, mas também pode ser marcada por múltiplas tentativas e o desgaste emocional e financeiro. No entanto, uma nova aliada tem surgido para otimizar esse processo: a inteligência artificial (IA), prometendo reduzir significativamente o tempo e as tentativas frustradas.

A história da advogada Sullen Prado Vecchi, de 39 anos, ilustra bem essa transformação. Para ter seu primeiro filho, Giovanni, hoje com 2 anos, Sullen passou por quatro FIVs e seis transferências de embriões ao longo de dez meses. Já para a chegada de Daniel, de 4 meses, o processo foi mais rápido, com duas FIVs e uma transferência em apenas quatro meses. A diferença, segundo ela, foi a incorporação da inteligência artificial no tratamento.

A inteligência artificial na jornada da fertilização in vitro

As ferramentas de inteligência artificial já estão sendo empregadas em diversas etapas da FIV no Brasil, trazendo um novo nível de precisão e padronização. Tradicionalmente, a seleção de óvulos, espermatozoides e embriões era feita “a olho nu” por embriologistas experientes, um método que, embora eficaz, estava sujeito a interpretações distintas e subjetividades. Com a IA, a análise é baseada em modelos matemáticos comparativos, que avaliam padrões de simetria, granulosidade e outras características microscópicas de forma mais objetiva.

Oscar Duarte, diretor médico nacional da FertGroup, explica que a FIV é um processo de quatro fases distintas, e a IA atua em todas elas. Na primeira, a estimulação ovariana, a tecnologia auxilia na definição das doses hormonais mais adequadas para cada paciente. Em seguida, na coleta de óvulos e espermatozoides, a IA contribui para selecionar os gametas com maior potencial de sucesso, utilizando modelos comparativos. Durante o cultivo embrionário, a inteligência artificial ajuda a identificar os embriões com as maiores chances de resultar em uma gravidez viável. Por fim, na etapa de transferência do embrião para o útero, a IA pode indicar o momento mais propício para o procedimento, aumentando as probabilidades de implantação.

O impacto da tecnologia na experiência dos pacientes

A jornada de Sullen Prado Vecchi é um testemunho do impacto positivo da IA. Antes de recorrer à FIV, ela enfrentou uma gravidez natural que resultou em uma implantação ectópica na trompa, levando ao seu rompimento e a uma hemorragia grave. Após a cirurgia e a perda da trompa direita, as tentativas de gravidez natural foram infrutíferas. Foi por influência da irmã que ela buscou o tratamento de fertilização.

Ao longo de suas seis FIVs para ter os dois filhos, Sullen investiu cerca de R$ 30 mil em cada procedimento, totalizando R$ 180 mil. Apesar do alto custo, ela não se arrepende: “A recompensa é maravilhosa. Paga qualquer valor gasto. Paga tudo”, afirma, ressaltando o valor inestimável da maternidade. A capacidade da IA de otimizar o processo e reduzir o número de tentativas frustradas traduz-se em menos desgaste emocional e financeiro para os casais, tornando o caminho para a parentalidade mais eficiente e menos doloroso.

Cenário atual e a cautela dos especialistas

Apesar de ser uma tecnologia relativamente difundida na medicina reprodutiva, a incorporação da IA ainda exige cautela e, segundo especialistas, não substitui o olhar humano. A Future Fertility, empresa canadense pioneira no desenvolvimento de softwares de IA para avaliação de óvulos, reporta que sua tecnologia está presente em 58 clínicas brasileiras. No Brasil, a FertGroup, com 15 unidades no país, afirma utilizar a IA em todas elas, demonstrando uma adoção expressiva no setor.

Contudo, a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) ainda não possui dados consolidados sobre o uso da inteligência artificial pelas clínicas no país. O custo adicional da IA nos tratamentos de FIV varia entre R$ 1.500 e R$ 2.000, elevando o valor total do procedimento, que pode chegar a R$ 45 mil. Embora represente um acréscimo, esse investimento pode ser justificado pela maior taxa de sucesso e pela redução da necessidade de múltiplas tentativas, que, além do custo financeiro, impõem um grande fardo emocional aos pacientes.

A inteligência artificial emerge como uma ferramenta poderosa para aprimorar os tratamentos de fertilização in vitro, oferecendo maior precisão e personalização. À medida que a tecnologia avança, a expectativa é que mais casais possam realizar o sonho de ter filhos com menos obstáculos. Para continuar acompanhando as inovações na saúde, tecnologia e outros temas relevantes, mantenha-se conectado ao M1 Metrópole, seu portal de notícias com informação de qualidade e contextualizada.

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