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Ostentação de Deolane Bezerra teria facilitado lavagem de dinheiro do PCC, aponta investigação policial

Reprodução/TV Globo
Reprodução G1

A influenciadora e advogada Deolane Bezerra foi detida na última quinta-feira, 21 de maio de 2026, em uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo. A prisão preventiva, ocorrida no Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), na capital paulista, está ligada a uma complexa investigação sobre lavagem de dinheiro que, segundo as autoridades, teria beneficiado o Primeiro Comando da Capital (PCC). O cerne da acusação é que o estilo de vida luxuoso e a projeção pública de Deolane teriam criado um “cenário fértil” para dissimular a origem ilícita de recursos financeiros.

De acordo com o relatório policial, a imagem de sucesso e a ostentação exibida por Deolane Bezerra nas redes sociais – com carros de luxo, viagens internacionais e um padrão de vida milionário – teriam sido utilizadas como uma espécie de “blindagem” para movimentações financeiras suspeitas. Os investigadores apontam que a influenciadora “empresta toda a sua estrutura financeira e aparente respeitabilidade social para o trânsito e integração de valores ilícitos”, atuando como uma “caixa” da organização criminosa ao receber e misturar fundos em suas contas pessoais e empresariais, dificultando o rastreamento.

A Operação e o Início da Investigação Detalhada

A investigação que culminou na prisão de Deolane Bezerra não é recente, estendendo-se por sete anos e mirando diretamente a cúpula do PCC, incluindo Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado como o líder máximo da facção. O ponto de partida para essa complexa apuração remonta a 2019, quando agentes penitenciários descobriram bilhetes manuscritos escondidos em celas e na caixa de esgoto da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo.

Esses bilhetes continham ordens internas do PCC, contatos de integrantes da facção e referências a ações violentas contra servidores públicos. A partir da análise minuciosa desse material, foram abertos três inquéritos que permitiram à polícia mapear a intrincada estrutura financeira da organização criminosa. Os investigadores afirmam que os manuscritos levaram à identificação de uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau, próxima ao complexo penitenciário, que seria utilizada como empresa de fachada para movimentar o dinheiro do PCC.

Ostentação como Ferramenta de Dissimulação Financeira

A tese central da polícia é que a exposição pública e o padrão de vida de Deolane Bezerra teriam sido cruciais para o esquema de lavagem de dinheiro. O relatório policial destaca que a influenciadora, como figura pública de grande destaque nas redes sociais, projeta uma imagem de profissional de sucesso com evidente ostentação financeira. Essa percepção, em tese, justificaria a movimentação de vultosos valores, criando um cenário propício para a dissimulação da real origem dos recursos que transitavam em seu nome.

Para os investigadores, o modelo de exposição adotado pela influenciadora normalizava transações milionárias, tornando desafiador discernir quais recursos provinham de contratos lícitos, publicidade e negócios legítimos, e quais poderiam estar relacionados ao esquema criminoso. O delegado Edmar Caparroz, responsável pela investigação, explicou que o crime organizado “deposita os valores nessa figura pública, esse dinheiro acaba se misturando com o dinheiro de outras atividades, e quando precisa esses recursos retornam para o crime organizado”, dificultando a identificação da origem ilícita.

Especialistas consultados corroboram a plausibilidade dessa tese. O advogado tributarista Marcelo John, do escritório Benedito Torres Advogados, ressalta que o mercado de publicidade com influenciadores é volátil, o que dificulta estabelecer parâmetros seguros para o valor de campanhas. “Essa circunstância pode permitir que contratos publicitários sejam utilizados como mecanismo para mascarar transações indevidas, já que valores muito elevados podem ser formalmente justificados sob a roupagem de uma única campanha, publicidade ou cessão de imagem”, explicou John. Ele complementa que a análise da regularidade exige o cruzamento de contratos, notas, informes de rendimento, declarações de imposto de renda, movimentação bancária e patrimônio.

O criminalista Felipe Carrijo, do mesmo escritório, concorda com a perspectiva criminal. “Em casos de lavagem de dinheiro, a aparência de normalidade é justamente um dos mecanismos que podem ser utilizados para ocultar a origem ilícita de recursos”, afirma. No entanto, Carrijo pondera que “fama, sucesso financeiro ou ostentação não são indicativos de crime” por si só, mas podem justificar um olhar investigativo mais atento, sem substituir a necessidade de provas concretas da origem ilícita dos recursos. Para mais detalhes sobre a investigação do PCC, clique aqui.

Ligações com a Cúpula do PCC e Antecedentes Criminais

A Polícia Civil aponta que o principal elo entre Deolane Bezerra e Marcola seria Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha do chefe do PCC, que reside em Madri, na Espanha. A investigação também indica que Deolane manteria vínculos pessoais e comerciais com um dos gestores fantasmas da transportadora utilizada no esquema, e que não foram identificadas prestações de serviços compatíveis com os vultosos valores recebidos pela influenciadora.

Além de Marcola e Paloma, a operação teve como alvos outros nomes ligados à facção, como:

  • Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro da facção;
  • Alejandro Camacho, irmão de Marcola;
  • Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho do líder do PCC.

A prisão preventiva de Deolane foi decretada pela Justiça sob o argumento de risco de fuga, especialmente após seu retorno ao Brasil na véspera da operação, vinda da Europa, e o fato de outros membros da família de Marcola terem deixado o país durante as investigações. O nome da influenciadora chegou a ser incluído na Difusão Vermelha da Interpol.

É importante notar que esta não é a primeira vez que Deolane Bezerra se vê envolvida em investigações de lavagem de dinheiro. Em 2025, ela já havia sido alvo de uma apuração da Polícia Civil de Pernambuco, que investigava a relação de seus investimentos em carros e imóveis de luxo – totalizando mais de R$ 65 milhões – com empresas de apostas online. A defesa de Deolane, por sua vez, nega veementemente todas as acusações, afirmando que a influenciadora não integra organização criminosa nem praticou lavagem de dinheiro.

A complexidade do caso, que envolve figuras públicas, crime organizado e a intrincada teia da lavagem de dinheiro, promete novos capítulos. Acompanhe o M1 Metrópole para ter acesso a todas as atualizações, análises aprofundadas e o contexto completo sobre este e outros temas relevantes que impactam a sociedade. Nosso compromisso é com a informação de qualidade, sempre atualizada e contextualizada para você.

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