A advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra foi presa nesta quinta-feira, 21 de maio de 2026, em uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Civil. A ação, que cumpriu mandados de busca e apreensão em sua residência em Barueri, na Grande São Paulo, investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro com ligações diretas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior facção criminosa do país. A prisão de Deolane ocorre após semanas de especulações e um retorno recente ao Brasil, vinda de Roma, na Itália, onde seu nome chegou a ser incluído na lista de Difusão Vermelha da Interpol.
O caso ganhou destaque com a divulgação de detalhes do relatório da Polícia Civil, que aponta movimentações financeiras atípicas e uma possível incompatibilidade entre os rendimentos declarados e o patrimônio da influenciadora. A investigação foca na complexidade das transações financeiras do núcleo familiar de Deolane, que, segundo as autoridades, seriam utilizadas para ocultar a origem ilícita de recursos.
A Operação Vérnix e os Alvos da Investigação
A operação, denominada Vérnix, não se restringiu à influenciadora. Ela mirou uma ampla rede de indivíduos suspeitos de envolvimento no esquema de lavagem de dinheiro. Entre os alvos, estão Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, considerado o chefe do PCC e já detido em uma penitenciária federal, além de parentes diretos dele, como seu irmão Alejandro Camacho e os sobrinhos Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho, esta última localizada em Madri.
A polícia também prendeu Everton de Souza, vulgo Player, apontado como operador financeiro da organização criminosa, e cumpriu mandados de busca e apreensão contra Giliard Vidal dos Santos, considerado filho de criação de Deolane, e um contador. O esquema investigado envolve uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau, interior de São Paulo, que seria controlada pela cúpula do PCC. Essa empresa, segundo as investigações, repassava recursos para diversas contas, incluindo duas em nome de Deolane, com o objetivo de dificultar o rastreamento do dinheiro.
O Saque Milionário e a Suspeita de Lavagem
Um dos episódios cruciais que alicerçam a investigação ocorreu em 24 de novembro de 2023, quando Dayanne Bezerra Santos, irmã de Deolane, tentou sacar R$ 1 milhão em espécie de uma agência do Banco Itaú. A operação foi barrada pelos funcionários da instituição financeira, que consideraram a transação atípica e levantaram suspeitas de lavagem de dinheiro. Dayanne justificou que o montante seria usado para a compra de um imóvel, mas recusou a oferta do banco de realizar o pagamento por transferência eletrônica, uma modalidade que garantiria a rastreabilidade dos recursos.
Diante da recusa e da suspeita, o Itaú concedeu um prazo até 14 de janeiro para que Deolane e seus familiares encerrassem suas contas na instituição. Informações colhidas pela polícia indicam que, na época, a influenciadora possuía cerca de R$ 10 milhões investidos no banco. A negativa do saque e o encerramento das contas levaram Deolane a mover uma ação cível contra o banco, buscando reverter a situação e questionar a decisão da instituição.
Movimentação Financeira Sob Análise
O relatório policial detalha uma significativa discrepância entre os valores declarados por Deolane no Imposto de Renda e a movimentação financeira identificada pelos investigadores. Enquanto ela declarou R$ 577.945,46 no IR, a polícia identificou movimentações de R$ 7.665.194,62 em créditos efetivos, resultando em uma diferença de R$ 6.534.289,15. Essa incompatibilidade é um dos pilares da tese de que o núcleo familiar utiliza mecanismos complexos para ocultar a origem de seus bens.
Além de Deolane, o documento aponta que Dayanne e a mãe, Solange Bezerra, também apresentam movimentações mensais na casa dos milhões de reais, o que seria, segundo a polícia, em “aparente dissintonia com as rendas formalmente declaradas”. A empresa Bezerra Publicidade e Comunicação Ltda, da qual Dayanne é sócia de Deolane, é citada no inquérito como o principal veículo para o esquema de lavagem de capitais. A operação resultou no bloqueio de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões e R$ 357,5 milhões em bloqueios financeiros dos investigados, evidenciando a magnitude do esquema.
Defesa e Próximos Passos
Em ocasiões anteriores, a defesa de Deolane Bezerra e seus familiares negou qualquer envolvimento com atividades ilícitas, afirmando que o patrimônio da família é fruto de atividades profissionais lícitas e de sua atuação nas redes sociais. A própria influenciadora chegou a ironizar as suspeitas de ligação com o crime organizado em postagens nas redes sociais. No entanto, com a prisão, a situação se agrava.
Procurado, o advogado de Deolane, Luiz Imparato, declarou estar se “inteirando dos fatos”, enquanto a defesa de Marcola, representada por Bruno Ferullo, também afirmou que ainda analisará o caso. A operação Vérnix e seus desdobramentos prometem ser um marco na luta contra o crime organizado e a lavagem de dinheiro no Brasil, especialmente ao envolver figuras públicas e movimentações financeiras de grande vulto. O caso segue em investigação, com as autoridades buscando consolidar as provas e responsabilizar todos os envolvidos.
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